É necessário que venham as ofensas...

‘É necessário que venham as ofensas; mas ai daquele homem por quem a ofensa vem!’ (Mateus, XVIII. 7). Uma vez que a doutrina do ‘pecado original’ é admitida, — que o homem está em um estado de desequilíbrio, queda, ilusão, ignorância ou insubordinação, então se está em posição de reconhecer a realidade do pecado ou do mal, e a necessidade de responder adequadamente a uma situação que de fato existe. ‘A ignorância é muito mais do que a mera falta de informação sobre este ou aquele assunto. Ela inclui todo tipo de pecado contra a Luz, não apenas crenças falsas, mas falta de consciência, pensamento frouxo, mente confusa, obscurantismo, e acima de tudo, indiferença ao conhecimento, negligência do dever de tentar ser verdadeiro e inteligente; uma vida organizada de tal maneira que produza constantes distrações, abafamento desonesto de dúvidas, dúvida quanto à necessidade de buscar conhecimento, negligência de oportunidades de ouvir aqueles que têm uma doutrina para ensinar, todas estas coisas caem no escopo da Ignorância’ (Marco Pallis: Peaks and Lamas, 3ª ed., Londres, 1942, p. 157). O moralismo do século XIX deriva do senso de pecado que ainda persiste ‘biologicamente’ quando intelectualmente a compreensão foi perdida; no século XX é o próprio senso de pecado (e a fortiori o senso de virtude) que praticamente desaparece, juntamente com a capacidade de prever uma sequência inelutável de causa e efeito entre as ações do homem e o estado de seu ambiente macro-cosmicamente, e seus próprios estados futuros micro-cosmicamente.

Whitall Perry


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