René Guénon examina a ‘alquimia’ do sofrimento (frequentemente associada ao ascetismo), empregando a palavra ‘ascese’ como um equivalente ocidental para o sânscrito tapas: ‘O primeiro significado de tapas é realmente “calor”;... este calor é claramente o de um fogo interior que deve queimar o que os cabalistas chamavam de “cascas”, isto é, deve destruir tudo no ser que se faz um obstáculo à realização espiritual.... Se tapas muitas vezes assume o significado de esforço doloroso ou penoso, não é que um valor ou importância especial seja atribuído ao sofrimento como tal,... mas que na natureza das coisas, o desapego das contingências é forçosamente sempre doloroso para o indivíduo, cuja própria existência pertence igualmente à ordem contingente... Basicamente, pode-se dizer que toda verdadeira ascese é essencialmente um “sacrifício”; e... em todas as tradições, o sacrifício, em qualquer forma que se apresente, constitui propriamente o ato ritual por excelência, o ato no qual são resumidos, por assim dizer, todos os outros... A ascese em sua significação mais profunda e completa nada mais é do que o sacrifício do “eu” realizado para realizar a consciência do “Eu”’ (‘Ascèse et ascètisme’, Études Traditionnelles, 1947, pp. 272–274).