Uma outra história africana, que nos vem do Senegal, conta que todos os animais do mato decidiram um dia se reunir e parlamentar, sob a presidência do leão, para encontrar uma solução para um problema fundamental. Os animais tinham de fato constatado, há gerações e gerações, que eles se devoravam entre si. Achando este estado de coisas inadmissível, cruel, absurdo e tudo o que se quiser, eles se reuniram e começaram a falar.
Cada um expôs seus agravos, um tal porque ele era devorado por um tal, um tal por um outro — mesmo o elefante que dizia:
— Eu só como capim, mas os mosquitos me devoram! E às vezes até os ratos, que penetram em minha tromba!
Ao que os minúsculos insetos que vivem no capim respondiam:
— Tu dizes que só comes capim! Mas nós estamos escondidos no capim e tu nos engoles sem nos ver!
Em suma, todo mundo se queixava. E todo mundo estava de acordo para parar de se devorar.
Quando chegou a vez do leão, ele disse isto, escutado por todos:
— Eu compreendo muito bem todas as vossas queixas, e eu as aprovo. Mas eu sei muito bem do que preciso. E do que preciso é de carne. Eu não posso comer capim. Eu só posso comer carne.
Então o elefante lhe fez notar:
— Mas toda carne é carne de animal! Como farás para comer carne sem devorar um animal?
— Eu não sei como farei, respondeu o leão. Mas eu sei muito bem do que preciso. E do que preciso é de carne.
Os animais retomaram sua argumentação, que durou muito tempo. O leão não cessava de repetir que ele só podia comer carne e os outros animais protestavam muito, muito vivamente.
De repente o leão disse:
— Esta discussão dura há horas, me parece?
— Por que tu dizes isso? perguntou alguém.
— Porque eu começo a ter fome.
Um estremecimento percorreu o grande círculo dos negociadores.
— Sim, retomou o leão, tenho fome, sinto isso pelas contrações de meu estômago. Quando tenho fome, sou como todo mundo, preciso comer. Para comer, preciso de carne. Eu vou, portanto, devorar alguém. Um daqueles que estão sentados ao meu redor.
Ele nem mesmo tinha terminado sua frase que todos os outros tinham fugido. Eles subiam nas árvores, eles se enterravam na terra, eles corriam até o horizonte na poeira.
Quando ficou sozinho, o leão se pôs a caçar.