Mysterium Magnum

PERRY, Whitall N. A Treasury of Traditional Wisdom. Cambridge: Quinta Essentia, 1991

O Tao que pode ser expresso não é o Tao eterno;
O nome que pode ser nomeado não é o Nome imutável.

Tao Te Ching, I

Então tu somente o verás, quando não puderes falar dele; pois o conhecimento dele é silêncio profundo e a supressão de todos os sentidos.

Hermes (Lib. X. 5–6)

Deus é Aquele cujo Nome não deve sequer ser pronunciado.

Líder Akka

‘É da essência de um mistério, e acima de tudo do Mysterium Magnum, que ele não pode ser comunicado, mas apenas realizado: tudo o que pode ser comunicado são seus suportes externos ou expressões simbólicas; a Grande Obra deve ser feita por cada um para si mesmo....O Caminho foi traçado em detalhe por cada Precursor, que é o Caminho; o que se encontra no fim do caminho não é revelado, mesmo por aqueles que o alcançaram, porque não pode ser contado e não aparece: o Princípio não está em nenhuma semelhança’ (Coomaraswamy: ‘The Nature of Buddhist Art’, em Figures of Speech, p. 170).

‘Este objetivo supremo é o estado absolutamente incondicionado, liberto de toda limitação; por esta mesma razão, ele é inteiramente inexprimível, e tudo o que pode ser dito dele é apenas para ser traduzido por termos que são negativos na forma; negação dos limites que determinam e definem toda a existência em sua relatividade. A aquisição deste estado é o que a doutrina hindu chama de “Libertação” quando considerado em relação aos estados condicionados, e “União” quando encarado em relação ao Princípio supremo.

‘Neste estado incondicionado, ademais, todos os outros estados do ser são recuperados em princípio, mas transformados, sendo libertos das condições especiais que os determinam na medida em que são estados particulares. O que permanece é tudo o que tem uma realidade positiva, já que é aqui que tudo tem seu princípio; o ser “liberto” está verdadeiramente na posse da plenitude de suas possibilidades. O que desaparecem são unicamente as condições limitadoras, cuja realidade é totalmente negativa, já que elas representam apenas uma “privação” no sentido da palavra de Aristóteles. Por isso, longe de ser um tipo de aniquilação como certos Ocidentais acreditam, este Estado final é, pelo contrário, plenitude absoluta, a realidade suprema em relação à qual todo o resto não passa de ilusão’ (Guénon: La Métaphysique orientale, pp. 19–20).

Os sensíveis não são ‘negados’ na via negativa, o que seria metafisicamente insustentável; mas, para usar a linguagem do Zen, ‘eles são compreendidos em relação ao que eles não são’.

‘A (Suprema) Essência (adh-Dhât) é Deus na medida em que Ele está sem “aspectos”, sendo em Si mesmo nem o “objeto” nem o “sujeito” de qualquer conhecimento. As Qualidades (Divinas) (as-Sîfât) em contraste são os “aspectos” através dos quais Deus Se revela (tajalla) de uma maneira relativa. Se a Essência não pode ser conhecida por seres criados, isto é porque o ser relativo não subsiste em confronto com a Realidade absoluta e infinita. No entanto, a Essência é cognoscível em cada grau da realidade, no sentido de que Ela é a realidade interior de todo o conhecimento. Deus Se conhece por Si mesmo em Si mesmo sem qualquer distinção interna; e Ele Se conhece por Si mesmo no universo de acordo com modos relativos que são infinitamente variados’ (Burckhardt: De l’Homme universel, pp. 8–9).


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