1-2. Este Um cuja essência é a imutável Luz de todas as claridades e de todas as trevas, em quem claridades e trevas residem, é o Soberano mesmo, natureza inata de todos os seres; a multidão das coisas não é outra coisa senão sua energia soberana.
3. E a energia não se coloca como separada da essência daquele que a possui. Há eternamente identidade dos dois, como do fogo e de seu poder de queimar.
4. Ele, o Deus Bhairava, tem como característica manter o universo inteiro refletido, graças a esta energia, no espelho de seu próprio Si.
5. Ela, a suprema Deusa, se dedica à tomada de consciência da essência daquele mesmo cuja plenitude em tudo o que existe não aumenta nem diminui.
6. Este Deus se dedica eternamente ao prazer de brincar com esta Deusa; onisciente, ele suscita de forma simultânea as diversas emissões e reabsorções.
7. Tal é sua incomparável atividade, eminentemente difícil de realizar; tais, sua liberdade, sua soberania, sua Essência consciente de si.
8. Certamente uma luz consciente limitada caracteriza a inconsciência; por outro lado, a Consciência não tem a inconsciência como característica, porque ela não tem limite.
9. Assim, as emissões e reabsorções se manifestam por causa de sua própria essência no interior do Si, elas cuja diferenciação depende das energias específicas Daquele que é (essencialmente) livre.
10. A sua extrema diversidade, estes mundos em cima, embaixo, intermediários e o que os constitui, eis a existência dotada de prazer e de dor.
11. O imperfeito conhecimento deste (Bhairava), é ele que se considera como Sua liberdade, ela, em verdade, a transmigração, terror dos seres limitados.
12-13. Inclinação de Sua graça, tradição do mestre ou tratados religiosos, que por uma ou outra destas abordagens desperte o Conhecimento perfeito da Realidade — o Senhor supremo — eis a libertação, a mais alta soberania, a plenitude dos seres iluminados, eis ainda o que se chama liberação nesta vida.
14. Na realidade, não existindo nenhuma diferenciação em Paramesvara, estes dois, laço e liberação, não estão de forma alguma separados da Essência do Senhor supremo.
15. Assim se entra em contato de forma repetida com Bhairava, natureza inata de toda coisa, que repousa sobre o lótus do tridente formado pelas energias: conhecimento, atividade sutil e vontade.
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Xivaísmo de Caxemira – Abhinavagupta – Quinze versos sobre a consciência
Abhinavagupta