Ao mesmo tempo bispo de Ratisbona e mestre da universidade de Paris, Alberto Magno não foi unicamente o iniciador de seus confrades alemães em filosofia, em ciências e em teologia: ele também, e primeiro, exerceu uma influência determinante sobre a espiritualidade dominicana de sua província, imprimindo-lhe o que E. Filthaut chamou de “uma virada neoplatonico-dionisíaco-avicenniana”. A expressão frequentemente alegada de “Escola dominicana de Colônia” designa o conjunto capilar de influências e de dependências ao mesmo tempo textuais e orais, livrescas e pessoais, que forma a rede, poderíamos dizer o terreno, da mística renana. Qualquer que seja o sentido do termo “mística”, se a Alemanha produziu o que se chama aqui de um “misticismo especulativo”, ali uma “metafísica-mística”, ali ainda uma “metafísica do Verbo”, ali enfim uma “mística da Essência”, é a Alberto que ela o deve. Isso não significa que tenha havido uma perfeita homogeneidade de doutrinas na Alemanha dos anos 1250-1350. Se muitos teólogos renanos são dados, por seus próprios contemporâneos, como espirituais e, por isso, frequentemente aproximados de Alberto, tudo o que se diz, se prega e se pensa nesta época entre Colônia e Estrasburgo não é “albertiniano”. Tomás de Aquino existe e, com ele, o universo das “primeiras polêmicas tomistas”. Certamente, este universo permanece bastante amplamente circunscrito à universidade de Paris, mas cada um sabe que um Eckhart lá estudou e ensinou em pleno período dos “Correctoires” e que ele não desdenhou de polemizar com os adversários franciscanos daquele que iria, em seguida, tornar-se a principal referência da ordem dos Pregadores. A história da escolástica dominicana alemã não se confunde, portanto, com a da teologia renana.
A teologia renana é a teologia da mística renana, seu foco, sua base, seu aguilhão. É a teologia saída de Alberto, não é toda a teologia alemã. Alain de Libera