ANALOGIA — COMENTÁRIOS
A analogia extrínseca é uma metáfora (figura de retórica), e nada nos oferece de novo sobre a natureza das coisas, e nada diz a quem não conheça as coisas designadas pelos termos. Com a analogia de proporção, temos apenas uma ideia vaga dos objetos, mas não aproveitável. Assim, pela analogia dos órgãos, pode o cego ter um conhecimento, em certa medida, do mundo dos videntes.
A analogia de atribuição intrínseca dá-nos uma ideia mais precisa, porque já supõe uma propriedade comum.
Pode a analogia ser considerada um meio vago e impreciso de conhecimento. Mas como penetrar numa realidade que escapa aos nossos sentidos sem a analogia?
Na analogia, há predominância da assimilação e não da acomodação.
O símbolo bem nos explica. Mas não podemos, pela assimilação achada, construir a acomodação (o imitativo) que nos falta?
Como conhecermos Deus se não por analogias! Exclamam muitos.
A analogia (como a "proportio", que é uma analogia de proporção) é uma síntese da semelhança e da diferença.
O ser, ontologicamente considerado, como também onticamente, não é unívoco, porque diferenças de ser são ainda ser; não é equívoco, porque haveria multiplicidade do ser, o que não há. Esta afirmação é predominante na filosofia.
O ser é, portanto, análogo; afirmam, entre muitos, os tomistas.
A parte, como ser, é análoga ao Todo.
Para efetuar-se a análise dialéctica que empregue a analogia, é necessário, previamente, efetuar-se a comparação. A analogia é uma relação que se esquematiza através do espírito, mas que corresponde a uma relação em que se encontram os fatos observados, relação que se dá, quer no mundo real-físico, exterior, quer no mundo mental, por meio de comparações entre um fato real e uma ideia, ou entre ideias.