Skip to main content
id da página: 9792 Charbonneau-Lassay – Bestiário do Cristo - Fontes da Emblemática Cristã Charbonneau Lassay

Charbonneau-Lassay Fontes Emblematica


CHARBONNEAU-LASSAY, Louis. Le Bestiaire du Christ. Paris: Desclée de Brouwer, 1934

  • As fontes da emblemática cristã primitiva

    • A adaptação de emblemas religiosos locais pré-cristãos pelos primeiros cristãos
      • Exemplos em Roma e Grécia: golfinho, águia, leão, grifo, pomba, cegonha
      • Exemplos no Egito: íbis, fênix, palmeira, sapo
      • A apropriação de símbolos solares e astrais como imagens de Cristo
      • A interpretação cristã de quatro rios fluindo do monte do Cordeiro como Cristo Purificador
    • A aceitação alegre desta prática pelos primeiros mestres do pensamento cristão e artistas
    • A incorporação de cerimônias e ritos antigos na liturgia primitiva da Igreja com novas explicações
  • Os Livros Sagrados dos Dois Testamentos como fonte

    • A interpretação emblemática das profecias do Antigo Testamento sobre o Redentor
      • A Árvore da Vida no Éden
      • A arca de Noé
      • A fonte jorrando da rocha sob a vara de Moisés
      • A nuvem luminosa e protetora
      • O tau marcando as frontes dos hebreus
      • A serpente de bronze erguida no deserto
      • O rebento germinado dos flancos de Jessé
      • O orvalho da manhã
    • Os emblemas derivados dos Evangelhos a partir das comparações feitas por Jesus
      • O Cordeiro de Deus
      • A videira
      • A porta do céu
      • A lâmpada que ilumina os homens
      • A pérola
      • O fermento
      • O grão de mostarda
      • A semente lançada
      • A galinha que abriga seus pintinhos
      • O vinho, a espiga e o pão
      • A cruz e a lança
    • Os emblemas provenientes do Apocalipse de São João
      • O Cordeiro imolado
      • O livro sete vezes selado
      • O cavalo
      • A espada que saía da boca do Entronizado
    • Acréscimos de outros emblemas a partir dos escritos dos apóstolos e primeiros doutores
  • Os Livros dos Antigos Naturalistas como fonte complementar

    • O recurso a fontes profanas para enriquecer o tesouro de imagens sagradas
    • A leitura de autores clássicos por cristãos letrados: Aristóteles, Plínio, Dioscórides, Élian
    • A apropriação de qualidades, perfeições e poderes estranhos atribuídos a animais, plantas e minerais
    • A extração de lições de moral alta, alegorias e reflexões anagógicas
    • A seleção de novos tipos emblemáticos para representar Cristo e a vida espiritual
    • A influência fundamental do Physiologus
      • Sua composição a partir de escritores gregos e orientais, fábulas e mitos
      • Sua popularidade e ampla circulação em versões modificadas
      • A versão apócrifa atribuída a Santo Ambrósio e sua condenação pelo Papa Gelásio II
      • O Comentário atribuído a São Epifânio
    • O desenvolvimento de gêneros literários derivados no Medievo
      • Bestiários (como os de Filipe de Thaon, Gervais, Guilherme da Normandia, Pedro o Picardo)
      • Volucrários para aves
      • Florários para plantas
      • Lapidários para pedras (ex: De Gemmis de Marbodo de Rennes)
    • A influência de A Chave ((Clavis), atribuído incorretamente a São Melitão de Sardes
      • Sua natureza de enumeração de significações místicas
      • Sua possível popularidade no Medievo (segundo Huysmans e Dom Pitra)
      • Sua influência na arte simbólica através dos letrados
    • A aceitação dos temas do Physiologus e A Chave por autores medievais
      • João Beleth, Bartolomeu de Glanville, Jehan d'Avranches, Honório de Autun, Hugo de São Vitor, Orderico Vital, Vicente de Beauvais, Tomás de Cantimpré, Alberto Magno, Brunetto Latini
      • A autoridade de Santo Agostinho para priorizar a significação sobre a autenticidade factual
    • A influência destes escritos como breviários para os artistas da época
    • O Bestiaire d'Amour de Ricardo de Fournival como imitação secularizada
  • A influência dos Gnósticos na emblemática

    • O gnosticismo como evento capital da juventude da Igreja
    • Suas origens em concepções ortodoxas altas rapidamente degeneradas em ilusões
    • A diversidade extravagante de suas escolas (Simão o Mago, Menandro, Saturnino, Basilides, Valentim, Marcião, Heracleon, Ptolomeu, Cerdão, Carpócrates, Epifânio)
    • O testemunho de suas crenças através de gemas gravadas com emblemas
      • A natureza frequentemente indecifrável e híbrida destes ideogramas
      • A presença de alguns emblemas conhecidos e inscrições aplicadas a um Cristo transformado e fantasmagórico
    • O impacto da literatura, epigrafia e emblemática gnóstica em alguns artistas cristãos ortodoxos
    • O empréstimo de outras heresias posteriores ao seu dualismo, pessimismo e charlatanismo
    • A influência em artes herméticas e ciências ocultas dos séculos seguintes
    • O resumo atualizado do conhecimento gnóstico no Dictionnaire d'Archéologie chrétienne et de Liturgie de Dom Cabrol e Dom Leclercq
  • As Ciências Herméticas e os Estudos Medievais

    • O conjunto de conhecimentos designado como "hermetismo" (Cabala, astrologia, alquimia, etc.)
    • O gosto inato pelo misterioso e reservado a uma elite como sentimento humano indestrutível
    • A criação universal de palavras, fórmulas, signos e gestos sibilinos para guardar mistérios
    • A adaptação pela Igreja de emblemas reservados, posteriormente ampliados por grupos místicos
    • O estudo lícito por sábios cristãos medievais dos aspectos naturais das ciências reservadas
      • A dificuldade em discernir a linha entre o permitido e o proibido
      • A mistura incrível de astronomia, astrologia e feitiçaria em tradições anteriores
      • A persistência de emblemas gnósticos na alquimia grega do século X (ex: Ouroboros)
    • A distinção entre alquimistas vulgares ("sopradores") e verdadeiros alquimistas dedicados a pesquisas metafísicas
    • A necessidade absoluta de discrição devido ao risco de acusações de feitiçaria (ex: Papa Bento IX)
    • A visão medieval do universo criado como espelho do mundo invisível
    • O reinado de Cristo e da mística na França medieval, expresso na numismática ("Christus vincit...")
    • O estudo de todas as ciências através do prisma da luz de Cristo (ex: simbolismo dos números)
    • A existência de escolas fechadas e doutrinas esotéricas expressas através de símbolos obscuros
      • A perda de conhecimentos transmitidos apenas oralmente (ex: doutrina druídica)
      • A citação do grupo L'Estoile Internelle e seu arquivo de símbolos do século XV
  • Os Primeiros Grandes Viajantes como fonte de novos emblemas

    • A influência de peregrinos, cruzados e suas narrativas e objetos trazidos do Oriente
    • A influência de viajantes medievais para a Ásia e África (Marco Polo, Jehan Haiton, Odérico de Pordenone, Sir John Mandeville)
    • A adoção de animais, árvores, frutos e seres fantásticos de suas narrativas como emblemas de Cristo
      • Exemplos: a árvore do pão; a árvore que verte vinho de seu tronco incisado (emblema do Redentor ferido)
  • As Tradições Populares como fonte frequentemente negligenciada

    • A contribuição das crenças ingênuas, costumes familiares e superstições do povo simples do campo
    • A criação de uma simbolística crística própria pelo povo, observando a natureza ao seu redor
      • Exemplos: a rosa (menino Jesus / sangue); a andorinha e a borboleta (ressurreição); o burro cinza com a cruz dorsal (via crucis); o maçarico, o pintassilgo, o pisco-de-peito-ruivo (crucifixão); ouriço fóssil (Eucaristia)
    • A utilidade deste aporte popular para explicar detalhes simbólicos na arte religiosa pós-medieval
    • O valor do "folclore" camponês para diversos ramos do saber humano, além da simbolística religiosa
  • Conclusão sobre a pluralidade de fontes da Emblemática Christica

    • A emblemática como uma coroa magnífica tecida pela fé cristã para seu Senhor
    • A sua natureza como uma das homenagens mais fervorosas recebidas por Cristo