CHARBONNEAU-LASSAY, Louis. Le Bestiaire du Christ. Paris: Desclée de Brouwer, 1934
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As fontes da emblemática cristã primitiva
- A adaptação de emblemas religiosos locais pré-cristãos pelos primeiros cristãos
- Exemplos em Roma e Grécia: golfinho, águia, leão, grifo, pomba, cegonha
- Exemplos no Egito: íbis, fênix, palmeira, sapo
- A apropriação de símbolos solares e astrais como imagens de Cristo
- A interpretação cristã de quatro rios fluindo do monte do Cordeiro como Cristo Purificador
- A aceitação alegre desta prática pelos primeiros mestres do pensamento cristão e artistas
- A incorporação de cerimônias e ritos antigos na liturgia primitiva da Igreja com novas explicações
- A adaptação de emblemas religiosos locais pré-cristãos pelos primeiros cristãos
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Os Livros Sagrados dos Dois Testamentos como fonte
- A interpretação emblemática das profecias do Antigo Testamento sobre o Redentor
- A Árvore da Vida no Éden
- A arca de Noé
- A fonte jorrando da rocha sob a vara de Moisés
- A nuvem luminosa e protetora
- O tau marcando as frontes dos hebreus
- A serpente de bronze erguida no deserto
- O rebento germinado dos flancos de Jessé
- O orvalho da manhã
- Os emblemas derivados dos Evangelhos a partir das comparações feitas por Jesus
- O Cordeiro de Deus
- A videira
- A porta do céu
- A lâmpada que ilumina os homens
- A pérola
- O fermento
- O grão de mostarda
- A semente lançada
- A galinha que abriga seus pintinhos
- O vinho, a espiga e o pão
- A cruz e a lança
- Os emblemas provenientes do Apocalipse de São João
- O Cordeiro imolado
- O livro sete vezes selado
- O cavalo
- A espada que saía da boca do Entronizado
- Acréscimos de outros emblemas a partir dos escritos dos apóstolos e primeiros doutores
- A interpretação emblemática das profecias do Antigo Testamento sobre o Redentor
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Os Livros dos Antigos Naturalistas como fonte complementar
- O recurso a fontes profanas para enriquecer o tesouro de imagens sagradas
- A leitura de autores clássicos por cristãos letrados: Aristóteles, Plínio, Dioscórides, Élian
- A apropriação de qualidades, perfeições e poderes estranhos atribuídos a animais, plantas e minerais
- A extração de lições de moral alta, alegorias e reflexões anagógicas
- A seleção de novos tipos emblemáticos para representar Cristo e a vida espiritual
- A influência fundamental do Physiologus
- Sua composição a partir de escritores gregos e orientais, fábulas e mitos
- Sua popularidade e ampla circulação em versões modificadas
- A versão apócrifa atribuída a Santo Ambrósio e sua condenação pelo Papa Gelásio II
- O Comentário atribuído a São Epifânio
- O desenvolvimento de gêneros literários derivados no Medievo
- Bestiários (como os de Filipe de Thaon, Gervais, Guilherme da Normandia, Pedro o Picardo)
- Volucrários para aves
- Florários para plantas
- Lapidários para pedras (ex: De Gemmis de Marbodo de Rennes)
- A influência de A Chave ((Clavis), atribuído incorretamente a São Melitão de Sardes
- Sua natureza de enumeração de significações místicas
- Sua possível popularidade no Medievo (segundo Huysmans e Dom Pitra)
- Sua influência na arte simbólica através dos letrados
- A aceitação dos temas do Physiologus e A Chave por autores medievais
- João Beleth, Bartolomeu de Glanville, Jehan d'Avranches, Honório de Autun, Hugo de São Vitor, Orderico Vital, Vicente de Beauvais, Tomás de Cantimpré, Alberto Magno, Brunetto Latini
- A autoridade de Santo Agostinho para priorizar a significação sobre a autenticidade factual
- A influência destes escritos como breviários para os artistas da época
- O Bestiaire d'Amour de Ricardo de Fournival como imitação secularizada
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A influência dos Gnósticos na emblemática
- O gnosticismo como evento capital da juventude da Igreja
- Suas origens em concepções ortodoxas altas rapidamente degeneradas em ilusões
- A diversidade extravagante de suas escolas (Simão o Mago, Menandro, Saturnino, Basilides, Valentim, Marcião, Heracleon, Ptolomeu, Cerdão, Carpócrates, Epifânio)
- O testemunho de suas crenças através de gemas gravadas com emblemas
- A natureza frequentemente indecifrável e híbrida destes ideogramas
- A presença de alguns emblemas conhecidos e inscrições aplicadas a um Cristo transformado e fantasmagórico
- O impacto da literatura, epigrafia e emblemática gnóstica em alguns artistas cristãos ortodoxos
- O empréstimo de outras heresias posteriores ao seu dualismo, pessimismo e charlatanismo
- A influência em artes herméticas e ciências ocultas dos séculos seguintes
- O resumo atualizado do conhecimento gnóstico no Dictionnaire d'Archéologie chrétienne et de Liturgie de Dom Cabrol e Dom Leclercq
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As Ciências Herméticas e os Estudos Medievais
- O conjunto de conhecimentos designado como "hermetismo" (Cabala, astrologia, alquimia, etc.)
- O gosto inato pelo misterioso e reservado a uma elite como sentimento humano indestrutível
- A criação universal de palavras, fórmulas, signos e gestos sibilinos para guardar mistérios
- A adaptação pela Igreja de emblemas reservados, posteriormente ampliados por grupos místicos
- O estudo lícito por sábios cristãos medievais dos aspectos naturais das ciências reservadas
- A dificuldade em discernir a linha entre o permitido e o proibido
- A mistura incrível de astronomia, astrologia e feitiçaria em tradições anteriores
- A persistência de emblemas gnósticos na alquimia grega do século X (ex: Ouroboros)
- A distinção entre alquimistas vulgares ("sopradores") e verdadeiros alquimistas dedicados a pesquisas metafísicas
- A necessidade absoluta de discrição devido ao risco de acusações de feitiçaria (ex: Papa Bento IX)
- A visão medieval do universo criado como espelho do mundo invisível
- O reinado de Cristo e da mística na França medieval, expresso na numismática ("Christus vincit...")
- O estudo de todas as ciências através do prisma da luz de Cristo (ex: simbolismo dos números)
- A existência de escolas fechadas e doutrinas esotéricas expressas através de símbolos obscuros
- A perda de conhecimentos transmitidos apenas oralmente (ex: doutrina druídica)
- A citação do grupo L'Estoile Internelle e seu arquivo de símbolos do século XV
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Os Primeiros Grandes Viajantes como fonte de novos emblemas
- A influência de peregrinos, cruzados e suas narrativas e objetos trazidos do Oriente
- A influência de viajantes medievais para a Ásia e África (Marco Polo, Jehan Haiton, Odérico de Pordenone, Sir John Mandeville)
- A adoção de animais, árvores, frutos e seres fantásticos de suas narrativas como emblemas de Cristo
- Exemplos: a árvore do pão; a árvore que verte vinho de seu tronco incisado (emblema do Redentor ferido)
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As Tradições Populares como fonte frequentemente negligenciada
- A contribuição das crenças ingênuas, costumes familiares e superstições do povo simples do campo
- A criação de uma simbolística crística própria pelo povo, observando a natureza ao seu redor
- Exemplos: a rosa (menino Jesus / sangue); a andorinha e a borboleta (ressurreição); o burro cinza com a cruz dorsal (via crucis); o maçarico, o pintassilgo, o pisco-de-peito-ruivo (crucifixão); ouriço fóssil (Eucaristia)
- A utilidade deste aporte popular para explicar detalhes simbólicos na arte religiosa pós-medieval
- O valor do "folclore" camponês para diversos ramos do saber humano, além da simbolística religiosa
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Conclusão sobre a pluralidade de fontes da Emblemática Christica
- A emblemática como uma coroa magnífica tecida pela fé cristã para seu Senhor
- A sua natureza como uma das homenagens mais fervorosas recebidas por Cristo