B. Dubant e M. Marguerie. Castañeda. La voie du guerrier. Paris: Trénadiel, 1981
O guerreiro, então, age estrategicamente. Ele tem um objetivo: o poder. Todos os meios lhe são bons e não é, portanto, por "humildade moral" que ele busca perder a sua própria importância. "A humildade do guerreiro", diz Dom Juan, "não é a humildade do mendigo. O guerreiro não baixa a cabeça diante de ninguém, mas ele não permite que se baixe a cabeça diante dele. O mendigo, por outro lado, cai de joelhos ao menor gesto e lambe o chão para aquele que ele estima ser superior a ele, mas ao mesmo tempo ele exige daquele que é mais baixo que ele lhe lamba o chão." A sua humildade está de acordo com tudo o que o rodeia: não ser nem mais nem menos importante do que quem quer que seja, é considerar que o mundo e nós mesmos somos um mistério. "E os homens não valem mais do que qualquer outra coisa." Aqui é rejeitado o antropocentrismo de tantas "tradições" de "êxtase intelectual", um antropocentrismo que não é senão uma consequência do teocentrismo, uma especulação vã e pretensiosa. O homem não é mais importante do que qualquer coisa, e tal homem também não. "Como, de fato, se sentir tão importante quando se sabe que a morte nos persegue?" Em um mundo "onde não há sobreviventes", onde não somos senão "a escória nas mãos do poder", que importância pode-se dar a si mesmo e a cada coisa? Perder a sua própria importância é, assim, perder a noção da importância de qualquer coisa ou de qualquer pessoa. Nada é importante, a não ser este mistério que a nossa razão jamais penetrará.
As hierarquias, fundadas sempre a partir de uma apreciação lisonjeira de si mesmo (e a "humildade" do "pecador" é a manifestação mais odiosa desta covardia e desta vaidade, visto que o "pecador" que é o mais baixo é assim o mais alto) não podem existir para aquele que persegue as suas fraquezas e que é perseguido pela sua morte, para aquele que está só em um mundo inexplicável. Assim, Dom Juan acrescentará quando ele der a Castaneda "a Explicação dos feiticeiros", a perda de sua própria importância ajuda a apagar a sua história pessoal; para nutri-la, é preciso sentir-se importante. Ter pena de sua sorte, ou seja, abster-se de agir livremente, é ser importante. Um ser que não se considera mais como importante não pode se deixar levar pela vaidade, nem pela piedade de si mesmo: aquele que não espera nada não pode cair no desespero. Ele simplesmente sabe que ele só tem o tempo de decidir, diante de sua morte inevitável. Assim, a sua vida não é mais monopolizada pelos desejos e pelas ilusões.