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Dubant Guerreiro

Bernard DubantCarlos Castañeda — A Via do Guerreiro

"Transformar esta maravilha em raciocínio não serve para absolutamente nada. Aqui, ao nosso redor, encontra-se a própria eternidade. Tentar reduzi-la a uma absurdidade manipulável não é apenas mesquinho, mas francamente desastroso."


Não viver mais como um homem comum, não ser mais um feiticeiro negro, não ser mais um vampiro para si e para os seus semelhantes, é comportar-se como um guerreiro.

O que é, então, um guerreiro? O guerreiro é um homem que considera a sua vida como um desafio, e não mais como um hábito enfadonho. Para isso, ele deve necessariamente esquecer a sua identidade social, para não ser mais a imagem projetada pelos outros.

Já se pode dizer que o guerreiro privilegia o "Sentimento" em detrimento da ideia recebida. A razão é, de fato, a sociedade em nós. — Que se note que Aristóteles, o "Filósofo" por excelência, isto é, o feiticeiro negro vigilante, define o homem como um "animal social" e um "animal racional", o que dá no mesmo. — A expressão "ideia recebida" é, na verdade, um pleonasmo: toda ideia é recebida. O "Sentimento" já é mais íntimo. Na realidade, em todo o mundo, ele chega antes da ideia, mas a tarefa dos feiticeiros negros é sufocar o "Sentimento" pelo pensamento (e não a sentimentalidade, que é, pelo contrário, amplamente cultivada).

"O temperamento do guerreiro corta a merda", diz Dom Juan; esta declaração clara marca que o guerreiro opera primeiramente a separação do Sentimento das ideias. "Pouco importa o que tu vês. O importante é o que tu sentes."

"O guerreiro não quer ser uma presa, nem para os seus semelhantes, nem para as ideias que eles propagam" (o que dá no mesmo).


É no deserto que Castaneda, com Dom Juan, aprende a caçar. Este lhe mostra que só pode ser caçado aquele que tem rotinas, seja um animal ou um homem. Os nossos semelhantes podem facilmente nos atacar se formos acessíveis às suas ideias. O guerreiro deve, portanto, ser um caçador para não ser caçado. O que o guerreiro caça? As suas próprias fraquezas, ou seja, a sua tendência a se deixar levar pelos hábitos dos seus semelhantes.

São de fato as nossas rotinas que nos tornam definíveis, localizáveis, portanto, exploráveis. Uma vez acorrentados pelas opiniões dos outros, pelo papel que eles querem nos fazer desempenhar — constituindo assim a nossa "personalidade" que não é senão a reivindicação servil e vaidosa da nossa matrícula neste presídio — não temos outra latitude senão a de responder à sua expectativa. A primeira urgência para o homem que se torna guerreiro é a de se transformar de caça em caçador, de brinquedo passivo em estrategista ativo.