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Dubant Historia Pessoal

Bernard DubantCarlos Castañeda — A Via do Guerreiro: história pessoal


B. Dubant e M. Marguerie. Castañeda. La voie du guerrier. Paris: Trénadiel, 1981

Como vimos, a nossa "personalidade social" não é senão uma "história pessoal". Ela nos torna verificáveis para os nossos programadores e assim ainda programáveis. E a melhor maneira de apagar esta história é não a contar mais aos outros. Ela se renova, de fato, a cada explicação que se dá: "Saber que sou yaqui", diz Dom Juan, "não faz a minha própria história. Isso se torna a minha própria história no instante em que alguém mais o sabe..." "Pouco a pouco," ele acrescenta, "ao redor de mim e de minha vida, eu criei uma neblina... ninguém conhece a minha própria história, nem mesmo eu". Aquele que apagou a sua história pessoal não tem mais nada a ver com a sociedade; ele não funciona mais como uma das suas engrenagens; sendo só, ele é tudo: "Como saber quem sou, enquanto sou tudo isso", ele diz, designando tudo o que o rodeava.

Os meios são simples e radicais: não dizer o que se faz, abandonar aqueles que nos conhecem bem, o que permite "cortar o curso dos seus pensamentos". Àquele que está assim "fora do caminho frequentado", não se pode mais pedir nada: ele não pode, por conseguinte, mais desapontar ninguém. E ele também não pode ser desapontado, visto que não espera mais nada de ninguém. O mundo é para ele novo a cada instante, enquanto "aquele que explica tudo para todo o mundo" não pode guardar o frescor das suas ações, a sua imprevisibilidade e o seu total desinteresse. "Estar em situação", como dizem os jargoneiros, é, na verdade, bater o ponto na grande fábrica que só nos emprega porque nós o queremos. É perder irremediavelmente "a derradeira liberdade de permanecer desconhecido".

Mas isso equivale a mentir, objeta Castaneda. De forma alguma, responde Dom Juan, "pois se não se tem uma história pessoal, nada pode ser considerado como uma mentira"; e "mentira ou verdade pouco me importam"... "as mentiras são mentiras apenas para quem tem uma história pessoal". A verdade que é DEVIDA àqueles a quem nos submetemos não tem mais sentido fora desta submissão. O mesmo se aplica à "verdade", "objeto da inteligência" da filosofia. Apagar a sua história pessoal não é mentir: é ignorar a própria noção de verdade, pois a "busca da verdade" não é certamente o caminho do guerreiro, mas o do filósofo, do escravo da sua razão.