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Dubant Homem ordinario

Bernard DubantCarlos Castañeda – O homem ordinário


B. Dubant e M. Marguerie. Castañeda. La voie du guerrier. Paris: Trénadiel, 1981

Para ti, o mundo é estranho porque se não te aborrece, tu estás em desacordo com ele. Para mim, o mundo é estranho porque prodigioso, assustador, incomensurável.


O homem comum funciona unicamente com a razão. Ele aprendeu, desde o seu nascimento, uma descrição do mundo que ele tem por definitiva. As suas "ideias" são as ideias dos outros. A vida do homem comum não é senão um amontoado de hábitos e de ideias interligadas das quais ele não é o autor. Este homem vive e combate pelas ideias dos outros e morrerá com a íntima convicção de ter tudo esgotado. O homem comum não supõe por um só instante que ele tem a possibilidade total de mudar a sua vida e de "combater os seus próprios combates". A "razão", a ideia coletiva, são as suas únicas referências. A mudança de que o embalam não é uma mudança de forma alguma: é a modificação, inevitável e permanente, de uma representação ilusória da qual ele é o sujeito submisso, "folha à mercê dos ventos". Todas as mudanças de que ele se mostra afeito não são senão modificações no interior desta representação racional, e nada mais.

O homem comum não pode fazer outra coisa, enquanto homem comum, senão querer tornar os homens semelhantes a ele: não forçosamente à sua idiossincrasia, mas a este "homem social" de que o persuadiram que é o único existente; que o seu conhecimento é o único válido, excluindo assim qualquer outro modo de percepção.

Ele não faz senão transmitir o que lhe transmitiram; ninguém é "responsável" por este estado de fato: a ilusão racional desdobra as suas próprias possibilidades, e o homem acorrentado desde o seu nascimento se torna por sua vez o guardião de um outro.

Também este homem anódino, o homem comum — todo o mundo — é descrito por Dom Juan como um temível demônio: ele é o guarda abusivo e vigilante que, inconscientemente, impede toda a evasão, toda a escolha, em direção ao poder e à liberdade.