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Evola Deus

Julius Evola – Revolta contra o Mundo Moderno (RCMM)


À aplosis plotiniana e à destruição do elemento «devir», ou elemento samsârico, destruição considerada pelo budismo como condição do «despertar», corresponde a «Entwerdung» de Tauler. A concepção aristocrática da ascese contemplativa volta a encontrar-se na doutrina de Meister Eckhart. Tal como Buda, Eckhart dirige-se ao homem nobre e à «alma nobre», cuja dignidade metafísica é testemunhada pela presença nela de uma «firmeza», de uma «luz» e de um «fogo» — de qualquer elemento perante o qual a própria divindade, concebida de maneira teísta como «pessoa», se torna algo de exterior. O método é essencialmente o da separação — Abgesqhiedenheit — virtude esta que para Eckhart é mais elevada que o amor, a caridade, a humidade ou a compaixão. O princípio da «centralidade espiritual» é assim afirmado: o verdadeiro Eu é Deus, Deus é o nosso verdadeiro centro e nós somos apenas exteriores em relação a nós próprios. Nem esperança, nem medo, nem angústia nem alegria ou dor, «nenhuma coisa que possa fazer-nos sair de nós próprios», deve penetrar em nós. A acção determinada pelo desejo, mesmo que o seu objectivo fosse o reino dos céus, a beatitude e a vida eterna, tudo deve ser repudiado. A via provém de fora para dentro, para além de tudo o que é «imagem», para além das coisas e do que tiver a qualidade de coisa (Dingheit), para além das formas e da qualidade da forma (Förmlichkeit), para além das essências e da essencialidade. É da extinção progressiva de toda a imagem e de toda a forma, e a seguir do próprio pensamento, da vontade e do saber, que provém um conhecimento transformado, levado para além da forma (überformt) e sobrenatural. Com isto chega-se a um vértice em relação ao qual o próprio «Deus» (sempre encarado segundo a sua concepção teísta) surge como algo de transitório, com respeito a essa raiz transcendente e «não criada» do Si, cuja negação teria por consequência que «Deus» também já não existiria. Todas as imagens próprias da consciência religiosa são devoradas por uma realidade que é uma possessão absoluta e nua e que, na sua simplicidade, não pode deixar de ter um carácter medonho para qualquer ser finito. Novamente se apresenta aqui o símbolo solar: diante desta substância desnudada e absoluta, «Deus» aparece como a Lua diante do Sol: com a radiação desta realidade faz empalidecer a luz divina, tal como a do Sol faz com o luar. (Evola, RCMM)