EVOLA, Julius. Maschera e volto dello spiritualismo contemporaneo. Roma: Edizioni Meditarranee, 1971
Jiddu Krishnamurti
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A dissolução da Ordem da Estrela do Oriente e a declaração do credo por Krishnamurti
- A dissolução da Ordem da Estrela do Oriente por Krishnamurti no acampamento de Ommen, na Holanda, em 1929.
- A declaração do seu propósito único de tornar o homem livre, urgindo-o para a liberdade e ajudando-o a libertar-se de todas as limitações para a realização incondicionada do eu.
- A crítica à aclimatação à autoridade ou à atmosfera de autoridade, considerada como um meio para a espiritualidade, e a rejeição da crença de que outro pode, por poderes extraordinários, transportar alguém para o reino da liberdade eterna.
- A condenação da substituição de deuses, religiões e formas antigas por novas, consideradas igualmente sem valor, como barreiras, limitações e muletas.
- A constatação de que, apesar de dezoito anos de preparação, poucos estavam dispostos a pôr de lado esses elementos e a olhar para dentro de si mesmos para a iluminação.
- A afirmação de que a Verdade é uma terra sem caminhos, não podendo ser abordada por qualquer caminho, religião ou seita.
- A visão de que aqueles que realmente desejam compreender, procurando o que é eterno, caminharão juntos com maior intensidade, representando um perigo para tudo o que é não essencial.
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A reação salutar de Krishnamurti e a sua contradição prática
- O caráter salutar da reação de Krishnamurti, não apenas contra o messianismo teosófico, mas também contra a atitude extrovertida em geral.
- A persistência, apesar das declarações, de convenções e encontros em grande estilo com os seus entusiastas, que o tomavam como centro.
- A criação de uma "Fundação Krishnamurti" e a proposta de um centro para a difusão das suas ideias.
- A publicação de livros que reconstituíam o "mito", apresentando Krishnamurti como Mestre e anunciador de uma nova visão da vida.
- A objeção de que Krishnamurti não se substitui ao indivíduo, mas incita a uma consciência mais profunda de si mesmo de forma autônoma, atuando como um "catalisador espiritual".
- A dificuldade de conceber este papel de catalisador no contexto de conferências para um vasto público profano, inclusive em teatros e universidades, com Krishnamurti a ceder a este papel de "Mestre" que proclamava desnecessário.
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A doutrina ambígua de Krishnamurti e a sua confusão entre o Eu e a Vida
- A existência de um ensino doutrinário mais ou menos constante, caracterizado por ambiguidades extremamente perigosas.
- O princípio fundamental de libertar a Vida do Eu, onde a Verdade significa Vida, e a Vida significa Felicidade, Pureza, Eternidade e outros conceitos como sinônimos.
- A distinção entre um falso eu pessoal e um Eu eterno que se unifica com a Vida e com o princípio de tudo.
- A identificação das limitações impostas a este Eu, como crenças, preferências, hábitos atávicos, apegos, convenções, escrúpulos religiosos, medos, preconceitos, teorias e barreiras.
- A necessidade de fazer explodir estas barreiras para realizar a "singularidade individual".
- A ambiguidade deste "si mesmo", equivalente ao "eu de todos" e à "união absoluta com todas as coisas", questionando-se se não se distingue de um élan vital bergsoniano ou do objeto de religiões panteístas e naturalistas do irracional e do devir.
- A dúvida sobre se o que Krishnamurti chama de Eu não será antes um princípio negativo, uma superestrutura que sufoca a Vida real, tal como na psicanálise e no irracionalismo.
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A contradição entre o devir e o eterno na concepção da Vida
- A falta de clareza sobre o sentido do "eu" e da "singularidade individual" quando a perfeição é concebida como vida indiferenciada e proteica.
- A comparação da Vida com água corrente nunca calma ou com chama sem forma definida, lábil e mutável, indescritível e indominável.
- A atribuição à Vida, nesta base, dos atributos de Felicidade e alegria ecstática após a superação de conflitos, como pura espontaneidade.
- A impossibilidade de falar simultaneamente de incorruptibilidade, eternidade e libertação da lei do tempo, desejando-se ao mesmo tempo o que se torna e o que é, o que muda perenemente e o que é eterno e invariável.
- A mistura, por Krishnamurti, destas duas regiões ou estados - mundo e supermundo, vida e super-vida, fluência e permanência do centro - numa massa estranha, como uma tradução do ensino hindu âtmâ = brahman para os termos da irracionalidade ocidental do devir.
- A referência à tradição do Mahayana, no seu próprio país, onde poderia ter encontrado um sentido superior para esta oposição.
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A reação contra a ilusão evolucionista e o risco da redução ecstática ao instante
- A afirmação correta de que o homem deve abolir a distância entre si e o objetivo, tornando-se ele próprio o objetivo, possuindo-se no momento presente.
- O caráter salutar desta reação contra a ilusão evolucionista que projeta o cumprimento num futuro por vir.
- O risco de esta redução ecstática à mera instantaneidade ser uma embriaguez de autoidentificação que destrói toda a distinção e substancialidade espiritual.
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A insuficiência da negação da dependência e a questão do domínio do eu
- A insuficiência de expressar apenas o princípio de não depender de nada para além de si mesmo.
- A necessidade de explicar a relação com este "si mesmo" e estabelecer se se é capaz de domínio e direção consciente e livre, ou se se é incapaz de se diferenciar daquilo que a "Vida livre" deseja e cria momentaneamente.
- A possibilidade de, num certo plano, o limite testemunhar a liberdade, na tarefa de dar a si mesmo uma forma e uma lei no ser pessoal.
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As sugestões espirituais corretas e a falta de método concreto
- A referência de Krishnamurti a uma revolta ilusória que expressa autocomplacência e impaciência ocultas.
- A afirmação de que, para compreender a liberdade da vida, é necessário ter como objetivo a libertação da própria vida.
- A observação de que a verdadeira perfeição, não tendo leis, não é um estado de caos, mas superioridade à lei e ao caos, como convergência para o germe de tudo.
- A declaração da necessidade de criar um milagre de ordem nesta era de desordem, com base numa ordem interna própria, e não na autoridade, no medo ou na tradição.
- A falta de convicção destas sugestões face ao espírito do todo e a ausência de indicações concretas de método e disciplina.
- A oposição de Krishnamurti a qualquer caminho preestabelecido, considerando que o desejo e a aspiração por uma felicidade intensa e um amor desindividualizado bastam para conduzir ao objetivo.
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O único caminho indicado: a suspensão dos automatismos do ego
- A indicação da suspensão dos automatismos do ego e dos seus conteúdos, e a paragem do fluxo mental numa "resolução de continuidade" espiritual.
- A possibilidade de, na ausência de barreiras e de determinações do passado, se ter a consciência do verdadeiro Eu, o "Desconhecido", como um facto espontâneo e súbito.
- A negação de que este despertar seja o "resultado" de uma disciplina, método ou iniciativa do ego, pois seria absurdo o ego suspender-se e matar-se a si mesmo.
- O desaparecimento do ego após este despertar hipotético, "tornando-se Vida".
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As analogias com o Taoismo e o Zen e as diferenças de contexto
- As aparentes analogias destas visões com o Taoismo e uma das escolas principais do Zen, e a possível ignorância de Krishnamurti sobre o Zen, que incluiu entre os disparates.
- A relatividade destas analogias, dado o contexto histórico-existencial muito diferente do Taoismo e do Zen.
- A consideração da reação excessiva, mas parcialmente explicável, contra o edifício teosófico e o seu cabedal de crenças e iniciações.
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As confusões expressivas e a ambiguidade da experiência
- A possibilidade de as palavras traírem o pensamento de Krishnamurti, devido ao caráter da sua experiência pessoal e à falta de preparação doutrinal sólida.
- O reflexo da ambiguidade da sua própria experiência nestas confusões expressivas, resultando na falta de uma orientação verdadeira.
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A rejeição absoluta da autoridade e da tradição e a sua interpretação
- A caracterização de Krishnamurti pela rejeição absoluta e indiscriminada de toda a autoridade, possivelmente explicável pela experiência de despotismo paterno.
- A negação de toda a tradição, constituindo um individualismo e anarquismo no campo espiritual.
- A amargura feroz em relação ao "ego", equiparando a sua construção ao "pecado original" cristão.
- A referência à máxima iniciática para compreender se se tem o ego ou se é o ego que nos tem a nós.
- A necessidade de se libertar de um certo ego, reconhecendo a via remotionis e a destruição do "homem antigo" para a reintegração espiritual.
- A importância de sublinhar uma continuidade fundamental, evitando antíteses rígidas, tal como no Hermetismo alquímico, onde uma substância de ouro indestrutível deve reemergir potenciada.
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A imprudência da divulgação democrática e a recepção nos meios de protesto
- A crítica a Krishnamurti por esquecer a máxima tradicional de não perturbar a mente dos que não sabem com a sua sabedoria.
- A imprudência de propor ideias, verdadeiras apenas para um "liberado", a desviados modernos já incentivados ao caos e à anarquia.
- O reconhecimento da função positiva que as tradições espirituais podem ter numa civilização mais normal e para os poucos que sabem compreender.
- A ação de explodir superestruturas e barreiras ser salutar apenas para quem já se sente capaz de se manter de pé, e não através de um incentivo democrático à revolta.
- A recepção significativa das ideias de Krishnamurti, após 1968, em círculos estudantis de protesto que rejeitavam sistemas e valores tradicionais em nome da "livre conquista do ser".
- A confirmação do sentido perturbador e distorcido que certas ideias podem ter atualmente, quando não se compreende o plano que condiciona as suas formulações legítimas.