Segundo o autor, seu propósito escrevendo tal obra foi desembaraçar da sociologia e da etnologia um cliché mal formulado que falseia as perspectivas históricas. O assunto era então escabroso. Corajosamente o autor o abordou em A INICIAÇÃO SEXUAL E A EVOLUÇÃO RELIGIOSA. Entendeu que assim conseguia enfrentar os preconceitos sobre o tema. Assim esclarecida melhor a questão, neste estudo o autor quer ir mais adiante nesta temática. Segundo o que ele mesmo escreve:
Assim por diante, o autor demonstra que se pinta um quadro "animalesco" do ser humano primitivo, em tudo incompatível com a Idade de Ouro e a Idade de Prata, retratada nas principais tradições que apresentam os Ciclos da humanidade. Considerando tal quadro fundamentado em uma teoria contrária aos fatos, o autor do exame de material antropológico e etnológico, arqueológico e mítico, conclui que a humanidade mais antiga teve ideias de excepcional elevação, cujos usos posteriores marcam uma degenerescência. Os costumes que atualmente nos desconcertam não se explicam senão pela altitude do distante ponto de partida. Seriam totalmente incompreensíveis se o homem tivesse tido por princípio as brutalidades do instinto. As noções correntes sobre o desenrolar da História merecem, portanto, uma revisão.
Querendo pôr fim a essa teoria, tão contrária aos fatos, coletamos cuidadosamente os dados que supostamente a fundamentam—dados que nunca foram analisados metodicamente. A conclusão que emerge desse exame, sem dúvida, é que a humanidade mais antiga possuía ideias de excepcional elevação, cujos costumes posteriores evidenciam sua degeneração. Os hábitos que hoje nos parecem desconcertantes só podem ser compreendidos se considerarmos a altura do ponto de partida distante. Seriam, como o leitor perceberá facilmente, totalmente incompreensíveis se o homem tivesse como princípio as brutalidades do instinto. As concepções comuns sobre o desenvolvimento da História precisam, portanto, ser reformuladas.