GRANT, Robert McQueen (org.). Gnosticism: a source book of heretical writings from the early Christian period. New York: Harper Brothers, 1978.
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A natureza e o significado do Gnosticismo têm sido um motivo de controvérsia desde o primeiro século da nossa era até o presente.
- O termo "Gnose" é descrito como "um conhecimento de coisas espirituais; conhecimento místico", e um Gnóstico é "um membro de qualquer uma de certas seitas entre os primeiros cristãos que reivindicavam ter conhecimento superior de coisas espirituais e explicavam o mundo como criado por poderes ou agências que surgiam como emanações da Divindade".
- A definição de "Gnose" não deixa claro que o conhecimento gnóstico era considerado derivado exclusivamente da revelação, e que esta revelação era compreensível apenas para aqueles que acreditavam ou "sabiam" que eram seres espirituais com uma capacidade inata de recebê-la.
- A definição de "Gnóstico" faz justiça ao fato histórico de que os primeiros Gnósticos encontrados na literatura estavam relacionados ao movimento cristão, mas não considera religiões gnósticas como o Maniqueísmo e o Mandaismo.
- A definição de "Gnose" não deixa claro que o conhecimento gnóstico era considerado derivado exclusivamente da revelação, e que esta revelação era compreensível apenas para aqueles que acreditavam ou "sabiam" que eram seres espirituais com uma capacidade inata de recebê-la.
- O termo "Gnose" é descrito como "um conhecimento de coisas espirituais; conhecimento místico", e um Gnóstico é "um membro de qualquer uma de certas seitas entre os primeiros cristãos que reivindicavam ter conhecimento superior de coisas espirituais e explicavam o mundo como criado por poderes ou agências que surgiam como emanações da Divindade".
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A questão da origem ou origens do Gnosticismo é extremamente obscura.
- Embora a maioria dos Gnósticos da antologia possa ser vista como "membros de seitas entre os primeiros cristãos", não é certo que suas ideias fossem primária ou originalmente cristãs.
- Se as formas de pensar gnósticas se refletem nos oponentes do apóstolo Paulo em Corinto, Galácia e Colossos, parece provável que pelo menos alguns elementos constitutivos do movimento gnóstico sejam pré-cristãos, mesmo que os sistemas altamente desenvolvidos de um Basilides ou de um Valentino só apareçam no segundo século.
- Se o nome "Gnóstico" for reservado para os aderentes de tais sistemas, deve-se admitir que algo a ser chamado "proto-Gnóstico ou incipientemente Gnóstico" ou "Gnósticizante" existia em uma data anterior.
- Se as formas de pensar gnósticas se refletem nos oponentes do apóstolo Paulo em Corinto, Galácia e Colossos, parece provável que pelo menos alguns elementos constitutivos do movimento gnóstico sejam pré-cristãos, mesmo que os sistemas altamente desenvolvidos de um Basilides ou de um Valentino só apareçam no segundo século.
- Embora a maioria dos Gnósticos da antologia possa ser vista como "membros de seitas entre os primeiros cristãos", não é certo que suas ideias fossem primária ou originalmente cristãs.
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O objetivo da antologia é apresentar a maior parte dos escritos gnósticos primitivos e fragmentos que eram conhecidos pelos primeiros Padres da Igreja Cristã ou que provavelmente estavam em circulação no mundo Mediterrâneo nos primeiros dois séculos após a crucificação de Jesus.
- A coleção inclui a maior parte da literatura gnóstica conhecida que surgiu no mundo Greco-Romano e teve impacto nele.
- Formas de Mandaismo podem ter existido nesses séculos, mas sua influência nos primeiros mestres gnósticos é problemática, e a literatura Mandaica foi excluída, resultando em uma imagem do Gnosticismo mais focada em sistemas semi-filosóficos.
- A coleção inclui a maior parte da literatura gnóstica conhecida que surgiu no mundo Greco-Romano e teve impacto nele.
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O volume começa com uma descrição de vários sistemas gnósticos, de Simão Mago aos Cainitas, fornecida por Irineu, bispo de Lyon no final do século II, em seu primeiro livro Sobre a Detecção e Refutação da Gnose Falsamente Chamada.
- Parte deste relato pode derivar de um tratado perdido de Justino Mártir, anterior a Irineu, e outras fontes de informação de Irineu incluem documentos gnósticos autênticos e suas próprias observações.
- A seção seguinte apresenta duas obras gnósticas de um papiro copta do século V: O Evangelho de Maria, aparentemente composto no terceiro século, e O Livro Secreto de João, já conhecido por Irineu, embora em uma versão ligeiramente diferente.
- Parte deste relato pode derivar de um tratado perdido de Justino Mártir, anterior a Irineu, e outras fontes de informação de Irineu incluem documentos gnósticos autênticos e suas próprias observações.
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Uma terceira seção inclui documentos menores, mas significativos, dos séculos II e III: descrições de dois diagramas Ofitas por Celso e Orígenes, o livro Baruque do gnóstico Justino (juntamente com uma narrativa Marcionita posterior aparentemente baseada nele), exemplos de exegese Naassena e o "Hino da Pérola" dos Atos de Tomé.
- As próximas duas seções contêm as teologias sistemáticas de Basilides e seu filho Isidoro, e de Valentino e de alguns membros proeminentes de sua escola, representando a gnose semi-filosófica que foi alvo dos ataques mais vigorosos de Irineu e Hipólito.
- A última seção apresenta alguns dos tratados dos escritos Herméticos (que podem variar do século II ao IV) como ilustrações de tendências gnósticizantes encontradas na filosofia religiosa, e conclui com críticas ao Gnosticismo dirigidas pelos Neoplatônicos Plotino e Porfírio.
- As próximas duas seções contêm as teologias sistemáticas de Basilides e seu filho Isidoro, e de Valentino e de alguns membros proeminentes de sua escola, representando a gnose semi-filosófica que foi alvo dos ataques mais vigorosos de Irineu e Hipólito.
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O elemento que une toda essa literatura e torna possível falar de seus autores e devotos como Gnósticos é a doutrina de que o mundo é mau, estando sob o controle do mal, da ignorância ou do nada, o que era em grande parte compartilhado com os escritores apocalípticos judaicos do período.
- O mundo não pode ser redimido, sendo, para alguns Gnósticos, o equivalente ao inferno.
- Somente a centelha divina, que de alguma forma está aprisionada em alguns homens, é capaz de salvação.
- A centelha é salva quando, por graça divina, chega a conhecer a si mesma, sua origem e seu destino, e esse autoconhecimento é expresso em um mito que explica como o Deus supremamente transcendente, essencialmente desconhecido e incognoscível, pôde permitir que o mundo existisse.
- Esse ser supremo, chamado em muitos sistemas de "a Soberania Absoluta" (authentia), não poderia ter sido diretamente responsável por um mundo mau.
- A centelha é salva quando, por graça divina, chega a conhecer a si mesma, sua origem e seu destino, e esse autoconhecimento é expresso em um mito que explica como o Deus supremamente transcendente, essencialmente desconhecido e incognoscível, pôde permitir que o mundo existisse.
- Somente a centelha divina, que de alguma forma está aprisionada em alguns homens, é capaz de salvação.
- O mundo não pode ser redimido, sendo, para alguns Gnósticos, o equivalente ao inferno.
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Os Gnósticos postularam a existência de seres espirituais com história própria entre o mundo e Deus.
- Devido ao pecado, negligência e ignorância desses seres, o mundo da natureza animada e inanimada veio a existir.
- De alguma forma, a centelha divina desceu da Soberania acima e concedeu aos homens, ou a alguns homens, seu parentesco com Deus e sua potencialidade de serem restaurados a Ele.
- Correspondendo à descida original da centelha, houve a descida posterior do Redentor, que removeu a ignorância e trouxe o autoconhecimento aos homens espirituais capazes de recebê-lo.
- De alguma forma, a centelha divina desceu da Soberania acima e concedeu aos homens, ou a alguns homens, seu parentesco com Deus e sua potencialidade de serem restaurados a Ele.
- Devido ao pecado, negligência e ignorância desses seres, o mundo da natureza animada e inanimada veio a existir.
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Em muitos sistemas gnósticos, existem três classes de homens:
- Os homens espirituais que são salvos "por natureza" ou "por origem".
- Os "psíquicos" que têm uma capacidade latente para a gnose e precisam que o evangelho gnóstico lhes seja apresentado.
- Os homens "terrenos" ou "materiais" que jamais serão salvos.
- No Valentinismo, os homens psíquicos eram considerados consistentes principalmente nos membros da Igreja Católica, pois o evangelho cristão pregado ordinariamente era visto como uma preparação para a gnose verdadeira.
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As origens da cosmovisão gnóstica são extremamente controversas, com quatro teorias amplamente aceitas:
- Derivação da antiga religião Oriental (Zoroastrismo, Mesopotâmia, às vezes até Indianismo).
- Derivação do "Judaísmo heterodoxo" (apocalíptico ou "místico").
- Derivação do Cristianismo heterodoxo.
- Derivação da filosofia helenística tardia (especialmente o Neoplatonismo incipiente).
- É possível que nenhuma dessas teorias faça justiça à complexidade do fenômeno ou à unidade subjacente do pensamento gnóstico, ou que o Gnosticismo deva algo a um sentimento de colapso comum na época em que surgiu.
- As análises tradicionais de "Helenismo" ou "Judaísmo" não ajudam muito com as origens gnósticas, pois nos séculos I e II havia uma tremenda fertilização cruzada cultural, da qual o Gnosticismo é um testemunho significativo.
- É possível que nenhuma dessas teorias faça justiça à complexidade do fenômeno ou à unidade subjacente do pensamento gnóstico, ou que o Gnosticismo deva algo a um sentimento de colapso comum na época em que surgiu.
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Alguns aspectos específicos do pensamento gnóstico refletem a operação desses fatores:
- A popularidade da astrologia fixou as mentes nos grandes espaços acima e nos astros fixos e planetas errantes, que podiam ser vistos como poderes malévolos.
- A palavra "Aeon", originalmente aplicada a períodos de tempo (o Aeon mau presente, o Aeon bom futuro), passou a ser usada em referência aos espaços governados pelos espíritos astrais ou aos próprios espíritos astrais.
- O dualismo da escatologia apocalíptica era primeiramente relacionado ao tempo, mas no pensamento gnóstico, o dualismo passou a ser pensado também em relação ao espaço, com o Aeon mais alto sendo o melhor.
- Espírito, vindo de cima, era bom; carne e matéria, vindas de baixo, eram más.
- O dualismo da escatologia apocalíptica era primeiramente relacionado ao tempo, mas no pensamento gnóstico, o dualismo passou a ser pensado também em relação ao espaço, com o Aeon mais alto sendo o melhor.
- A palavra "Aeon", originalmente aplicada a períodos de tempo (o Aeon mau presente, o Aeon bom futuro), passou a ser usada em referência aos espaços governados pelos espíritos astrais ou aos próprios espíritos astrais.
- A popularidade da astrologia fixou as mentes nos grandes espaços acima e nos astros fixos e planetas errantes, que podiam ser vistos como poderes malévolos.
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Muitos dos sistemas gnósticos expressam uma intensa hostilidade contra "o Deus dos Judeus", e os nomes divinos encontrados no Antigo Testamento são frequentemente aplicados aos espíritos planetários.
- Essa hostilidade pode ser o resultado da rejeição do Judaísmo pelos mestres gnósticos; no sistema Basilidiano e no Evangelho de Filipe, os Gnósticos "não são mais Judeus".
- Outras características sugerem que o ensino gnóstico estava relacionado ao Judaísmo apocalíptico, embora fosse anti-judaico na forma em que é encontrado.
- Essa hostilidade pode ser o resultado da rejeição do Judaísmo pelos mestres gnósticos; no sistema Basilidiano e no Evangelho de Filipe, os Gnósticos "não são mais Judeus".
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A figura da Sofia caída, que entre alguns Valentinianos recebia o nome semi-hebraico de Acamote, pode ser derivada da "filha de Deus" ou "mãe do universo" (como a chamava Fílon), mas no Gnosticismo ela se transformou em objeto de uma mitologia elaborada, parecendo uma deusa-mãe encontrada na Mesopotâmia e no mundo Mediterrâneo.
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A origem do redentor gnóstico é notavelmente difícil de responder.
- Na religião greco-romana pré-cristã, não havia redentor ou salvador do tipo gnóstico: havia deuses que morriam e ressuscitavam, mas não davam conhecimento salvador aos seus seguidores, e embora houvesse ritos que forneciam imortalidade, não existia uma explicação teológica dos ritos como a encontrada no Gnosticismo.
- Em religiões Orientais, redentores análogos podem ter existido, mas não há prova de que fossem conhecidos como tal antes do surgimento do pensamento gnóstico.
- O redentor gnóstico é, em certa medida, prefigurado no misterioso Mestre da Retidão dos Manuscritos do Mar Morto, mas sua interpretação em Qumran não o tornava mais do que humano.
- A explicação mais óbvia para a origem do redentor gnóstico é que ele foi modelado a partir da concepção cristã de Jesus.
- É significativo que não se conheça nenhum redentor antes de Jesus, enquanto se encontram outros redentores (Simão Mago, Menandro) imediatamente após Seu tempo.
- A explicação mais óbvia para a origem do redentor gnóstico é que ele foi modelado a partir da concepção cristã de Jesus.
- O redentor gnóstico é, em certa medida, prefigurado no misterioso Mestre da Retidão dos Manuscritos do Mar Morto, mas sua interpretação em Qumran não o tornava mais do que humano.
- Em religiões Orientais, redentores análogos podem ter existido, mas não há prova de que fossem conhecidos como tal antes do surgimento do pensamento gnóstico.
- Na religião greco-romana pré-cristã, não havia redentor ou salvador do tipo gnóstico: havia deuses que morriam e ressuscitavam, mas não davam conhecimento salvador aos seus seguidores, e embora houvesse ritos que forneciam imortalidade, não existia uma explicação teológica dos ritos como a encontrada no Gnosticismo.
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O Gnosticismo parece ter surgido de uma mistura de fatores helenísticos, judaicos, orientais e cristãos, combinados em uma atmosfera de intensa alteridade e criação de mitos imaginativos.
- A influência da filosofia grega é menos significativa do que pensavam alguns Padres da Igreja: alguns Gnósticos apreciavam a linguagem filosófica, mas a análise de seus sistemas sugere que a filosofia forneceu parte da terminologia, e não a estrutura básica.
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Devido à importância dos elementos judaicos e cristãos no Gnosticismo, os primeiros Padres da Igreja, como Irineu, Clemente, Tertuliano e Hipólito, consideravam-no um inimigo extremamente perigoso da fé cristã, dedicando-se a descrevê-lo e refutá-lo com precisão.
- Seus escritos continuam sendo as fontes mais importantes para o pensamento gnóstico primitivo (com a possível exceção dos escritos Mandaicos).
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Há também uma ampla gama de documentos gnósticos em traduções coptas, alguns descobertos no século XIX e outros encontrados em 1945, como a biblioteca Ofita-Setiana perto de Nag-Hammadi no Egito.
- A biblioteca incluía quarenta e quatro obras distintas em papiro, encadernadas em treze volumes de couro.
- Uma das obras mais importantes publicadas é O Evangelho da Verdade, possivelmente uma obra valentiniana do século II, e, embora haja muito trabalho a ser feito, é improvável que a imagem do Gnosticismo já existente necessite de grandes revisões.
- A biblioteca incluía quarenta e quatro obras distintas em papiro, encadernadas em treze volumes de couro.