VIDE: AGNI
Tratado traduzido em francês por Maurice Gloton, e comentado por Jean Canteins no periódico "Études Traditionnelles". Segundo Canteins trata-se de um curto tratado, com excelente tradução de Gloton, enquadrada por introdução e comentários.
O tratado aborda a Realidade maometana, noção abstrata que Ibn Arabi expõe da maneira mais concreta possível utilizando todos os recursos do simbolismo da árvore:
- "criação" a partir da Semente (o "Tesouro oculto" do hadith) posto a germinar e a vegetar na argila original (tema da fermentação);
- crescimento da árvore, seja um processo de diferenciação (é o sentido da raiz da palavra "árvore": shajara) por passagem da unidade à multiplicidade;
- representação da árvore, símbolo axial cuja estrutura determina uma trindade hierárquica (raiz, tronco, ramos) considerada em todos os níveis de interpretação, para alcançar em uma última parte, a uma exegese da ascensão do Profeta (árvore reta) em seguida de sua Redescida (árvore invertida)...
Essa é uma imagem muito parcial do tratado que pode ser percorrido como um rosário ininterrupto de símbolos que se sucedem como em um sinótico e cujos grãos rapidamente manuseados escapariam frequentemente ao entendimento do leitor médio sem as glosas seguras de Maurice Gloton, seu tradutor.