VIDE: SABEDORIA DOS PROFETAS; JOÃO BATISTA
A SABEDORIA DA MAJESTADE NO VERBO DE JOÃO
O nome para João em árabe, Yahya, proporciona a Ibn Arabi ainda uma outra oportunidade para encontrar significação mística na construção de palavras. O nome árabe Yahya significa, como uma forma verbal comum no Imperfeito do Indicativo, «ele vive». O que ele quer dizer é que o pai, neste caso Zacarias, vive, essencialmente no filho, João, ou, por extensão, que cada profeta vive no profeta que o sucede. No caso de Zacarias e João, as linhas de descendência física e espiritual são combinadas. Isso se deve a que, como ele vê, o filho representa, por assim dizer, a essência ou a semente incorporada de seu pai, em cuja incorporação tanto a sua semente quanto o seu nome são continuados de uma geração para a próxima e, assim, lembrados. Como se viu, ao se discutir as várias modalidades do Espírito, semente-essência, ideia-identidade e palavra-nome são conceitos intimamente relacionados, embora representem a realidade espiritual em diferentes níveis de existência. Assim, a deposição física da semente na «água» da mãe para produzir o filho é também um símbolo concreto, no contexto Sufi, da implantação espiritual do Nome divino na mente mundana do aspirante por meio de sua iniciação em uma nova vida do espírito, a fim de perpetuar a invocação [lembrança] de Seu Nome [Essência], ou da inspiração da Revelação na mente virgem do profeta, para produzir uma nova comunidade de fé e de lembrança.
Levando o argumento mais adiante, se chega à noção de que o filho, quer espiritual ou físico, é essencialmente idêntico ao pai. É essa noção que subjaz a distinção que Ibn Arabi faz entre João e Jesus, uma vez que a relação do primeiro com o Espírito é indireta, por meio de seu pai, enquanto a do segundo é direta, a semente espiritual tendo sido depositada sem o intermediário do macho humano. Para ele, essa distinção, que ele baseia em palavras do Corão, ilustra a diferença entre a fé baseada no aprendizado ['ilm] do crente e a experiência baseada na gnose da Identidade do santo-gnóstico. Nos versículos corânicos citados, João é abençoado por Deus, na terceira pessoa, enquanto Jesus, como um sinal de Identidade, invoca a bênção sobre si mesmo, depois de testemunhar a inocência de sua mãe, Maria, como sendo simbólica da total receptividade da Natureza ao ato do Espírito.