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id da página: 8721 IBN ARABI – ENGASTES DE SABEDORIA – NO VERBO DE JÓ Ibn Arabi

Ibn Arabi Fusus Job


VIDE: SABEDORIA DOS PROFETAS

A SABEDORIA DO INVISÍVEL NO VERBO DE

O capítulo abre com uma explicação da natureza abrangente da Realidade. É apontado que Deus pode ser encontrado não apenas no que é «alto», «acima» e «elevado», mas também no que é tradicionalmente considerado profano, «baixo», «abaixo» e «sob», de modo que para onde quer que se volte, ali está a face de Deus. Assim, embora o sopro «soprando» e a luz irradiante do Espírito animem, ele não pode fazê-lo sem a matriz receptiva da «água» da Natureza, que subjaz e suporta a estrutura viva do Cosmo [Trono]. Embora o Espírito seja a faísca da vida da Realidade, a Natureza humilde e passiva é, correspondentemente, a matéria primordial dessa vida sem a qual nenhuma vida formal é possível. Com efeito, de acordo com a lógica do ensinamento de Ibn Arabi, não há nada na existência que não esteja vivo de alguma forma, uma vez que aquilo que não é outra coisa senão Ele não pode estar morto. Como ele diz mais adiante no capítulo, nós, como Cosmo e criaturas, como seres efêmeros e humildes, somos na realidade Sua forma, enquanto Ele é, através de Seu Espírito que tudo permeia, nossa identidade, de modo que não há nada de que se possa dizer verdadeiramente que não seja Ele.

Antes de prosseguir para considerar a situação de Jó e sua lição para nós, Ibn Arabi toca brevemente na questão do equilíbrio e da harmonia entre as duas grandes correntes da criação cósmica e da reintegração divina, entre Sua Ira e Sua Compaixão. Ele sugere que a questão só pode ser resolvida na inefável Unidade do próprio Ser, mas não em nosso estado humano, oscilando como ele faz entre o imperativo do Desejo divino e a impulsão criativa da Vontade criativa, e no qual a ênfase excessiva no que é considerado «bom» causa inevitavelmente desequilíbrio em relação ao que é considerado «mau», ainda que ele exista, pela Vontade de Deus.

Ao discutir a situação de Jó, o autor sugere que a verdadeira paciência não é simplesmente a recusa obstinada de expressar uma queixa, mas sim que ela é a recusa inteligente de ser tentado pela ilusão de que qualquer outro que não Deus é capaz de trazer alívio ao sofrimento. Com efeito, a súplica a Deus é, para ele, não um sinal de impaciência, mas sim uma indicação da reciprocidade essencial entre si e Deus, Deus em si e si em Deus. Além disso, o sofrimento é um teste e um estímulo de Deus para despertar Seu servidor para a realidade dessa relação, de modo que a falha em responder com súplica é equivalente à desatenção à Sua Realidade.