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id da página: 1389 Cadernos do Hermetismo – Sophia e a Alma do Mundo – Christian Jambet

Jambet Alma do Mundo

FAIVRE, Antoine (org.). Sophia et l’âme du monde. Paris: Albin Michel, 1983

Da Alma Cósmica à Alma Transfigurada

  • A Solução Henológica para o Problema da Participação e da Unidade do Saber

    • O estabelecimento do Uno transcendente acima da hierarquia dos Gêneros Inteligíveis por Platão, proporcionando uma solução satisfatória para o problema da participação e da unidade do Saber Filosófico.
    • A possibilidade, a partir do Uno puro, de deduzir as multiplicidades mais complexas por meio de uma série de emanações, legitimando a imagem do Cosmos e dando sentido às suas partes mais ínfimas.
    • A superação do abismo entre o sensível e as Ideias, que havia permitido o nascimento e a morte da ciência, através da afirmação da transcendência da Ideia, conferindo um fundamento seguro à realidade do Número.
    • O perigo inerente ao formalismo matemático, que, se sua realidade for transcendente, levanta a questão de como a natureza poderia ser matematizável.
    • A solução elegante oferecida pelo Uno "para além dos Gêneros": repensar todo o edifício platônico como uma dedução aritmológica, com graus intermediários preenchendo o abismo entre o inteligível e o sensível por meio de emanações contínuas.
  • A Alma do Mundo como Poder Demiúrgico e seu Duplo Interesse

    • A identificação da Alma do Mundo como a realidade intermediária entre a Natureza e os Gêneros, atuando como o poder demiúrgico que une a cópia e o modelo.
    • O papel decisivo da Alma, na série das emanações, como o momento paradoxal em que o universo espiritual estabelece o vínculo unificador do Cosmos com o universo material.
    • A função da Alma do Mundo de conferir sentido, ordem e beleza à desordem aparente, transformando o destino da filosofia em uma "polícia do desejo" e fundamentando uma arquitetônica metafísica de essências imutáveis.
    • A insuficiência de compreender a função da Alma apenas na ordem cosmológica, refletindo as duas funções do Uno (transcendência e imanência) em duas funções da Alma.
    • A Alma como o lugar tanto da união da alma prisioneira do corpo com o Intelecto, quanto de sua evasão e arrancamento, satisfazendo as exigências da Gnose e da Ciência.
  • A Alma do Mundo como Realidade Transistórica e Esquema Transcendental

    • A caracterização da Alma do Mundo como uma realidade transistórica, evidenciada por sua persistência em diversas filosofias, teosofias e astronomias, do neoplatonismo à religião astral e ao hermetismo.
    • A permanência do problema fundamental da participação, refletido nas exigências irredutíveis de um arrancamento do mundo e de uma salvação do mundo.
    • A sobrevivência da Alma do Mundo para além do mundo antigo, ressurgindo em pensadores da Renascença e atuando como condição de possibilidade para a matematização do universo, conforme demonstrado por Cassirer e Koyré.
    • A pulverização da ontologia da Alma do Mundo pela filosofia cartesiana, que, ao distinguir a res cogitans da res extensa, não deixa espaço para um "mundo intermediário", como evidenciado na correspondência entre Henry More e Descartes.
    • A sobrevivência da Alma do Mundo para além de sua "catástrofe física", persistindo como solução para o problema gnóstico da relação entre o Uno e o múltiplo, a queda e a remontada.
    • A elevação da Alma do Mundo à dignidade de um Esquema transcendental, no sentido kantiano, uma Forma da Imaginação Transcendental que fundamenta conceitualmente a Razão ocidental.
    • A concepção da Alma do Mundo como o fundamento transistórico que permite ao Noûs ocidental impor-se entre o devir da história e a eternidade do Conceito.
    • A definição da Alma do Mundo como o Corpo espiritual entre a matéria e o Espírito, a Imaginação criadora de Formas entre as estruturas intemporais dos Gêneros e a percepção sensível.
    • A proposição de que a fenomenologia do Espírito ocidental equivale à história transistórica, ou metahistórica, do próprio desdobramento da Alma do Mundo.