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id da página: 7920 Karl Renz – Neti Neti – escolha Karl Renz

Karl Renz Escolha


Karl Renz. Undecided: Neti-Neti. Mumbai: Zen Publications, 2015

P [Outro visitante]: Se tudo é pré-determinado, então basicamente não temos uma escolha...

K: O principal é que talvez haja uma escolha, mas não um “escolhedor”. Escolhas infinitas, mas nenhum “escolhedor”. Tente encontrar o “escolhedor”. Portanto, não há questão de ter ou não ter uma escolha. Primeiro tente encontrar quem poderia ter uma escolha ou nenhuma escolha. Não ter escolha é como dizer que não se sabe o que se é. No momento em que há um ‘eu’ tendo ou não tendo uma escolha, entendendo ou não entendendo, ambos são um mal-entendido. Ambos dependem de quem precisa saber. O que resultaria de saber se há uma escolha ou não?

P: De qualquer forma, tudo acontecerá de acordo com o destino...

K: Talvez nada jamais tenha acontecido. Talvez o fato de acreditar que algo alguma vez aconteceu já seja uma experiência falsa. Então, entender que tudo acontece da maneira que tem que acontecer já é tarde demais. Talvez aconteça ou não – quem se importa? Quem se importa se há um livre-arbítrio ou não? Apenas o ‘eu’. E apenas o ‘eu’ precisa saber, porque apenas o ‘eu’ precisa ter uma vantagem ao entender. Tentando sair da miséria do ‘eu’, porque o ‘eu’ sabe que sem o ‘eu’, o ‘eu’ fica melhor. Na medida em que o ‘eu’ tenta se livrar do ‘eu’, o ‘eu’ se torna real. Portanto, apenas se cria uma dependência.

Não. O único caminho absoluto para fora é ser aquele que nunca entrou em nada. Esse é o problema. A sua natureza nunca entrou em nada. Nunca nasceu, nunca saiu de sua verdadeira natureza, nunca saiu daquilo-que-é. O principal problema é que não pode voltar porque nunca saiu. Portanto, é um longo caminho para casa se nunca se saiu de casa. Então se está no caminho e sempre imagina como seria em casa.

Estou apontando para o impossível retorno para casa, porque talvez não haja casa para a pessoa; nenhuma necessidade de casa. Mas agora se sente saudade de casa. Ao imaginar que se nasceu, o sistema de crenças se tornou real e isso deixa a pessoa doente. Poderia vomitar a todo momento, de tão doente que se está. Ter um corpo é uma doença. É a doença que veio. Agora, tendo um corpo, sendo um corpo, a doença já está estabelecida. O vírus está em plena ação. O porquê, porquê, porquê aparece. Então, o que fazer com esta doença?

P: Quanto mais se tenta, se está em uma armadilha maior...

K: É por isso que é chamado de doença, porque é uma ilusão de que se é algo que pode ficar doente. Mas agora, ao tentar sair da ilusão, se estabelece que se está doente e que precisa sair da ilusão. É uma armadilha fantástica feita por si mesmo. A melhor das intenções de querer ser saudável deixa a pessoa doente. A agradável intenção de saber a verdade torna a pessoa ignorante.

Mas todos são buscadores da verdade e sentem muito orgulho disso. Têm certeza de que são melhores buscadores do que aqueles que buscam a felicidade ou uma boa vida ou uma boa família. Eles estão buscando coisas mundanas, eu estou buscando a verdade, sou espiritual, sou um buscador especial. Sou mais doente do que qualquer outro doente. Sou o mais doente dos doentes. Sou um verdadeiro doente. Risos A doença da verdade me acometeu e a doença da verdade é a doença mais grave. Sente-se um desejo permanente por aquilo que nem se sabe o que-é. Fantástico! Que armadilha!

Eu sempre me adoro por ser um trapaceiro tão bom; fazendo todas as armadilhas fantásticas que são impossíveis de perder.

P [Outro visitante]: Sente que também está na armadilha?

K: Eu sou a armadilha. Sou o trapaceiro, o ato de prender e o que está preso, e não posso perder nenhuma armadilha. Sou o trapaceiro, o ato de prender e o que está preso, e o trapaceiro sempre pisa em sua própria armadilha. E eu simplesmente não me importo de estar preso na armadilha feita por mim mesmo. É uma armadilha feita por si mesmo. Eu sou o prisioneiro, a prisão e aquilo que está aprisionado. Sou totalmente viciado no que sou. Sou o viciado, o vício e aquilo a que sou viciado. Estou totalmente fodido – absolutamente fodido por mim mesmo. O fodedor absoluto, fodendo e sendo fodido. Isso é um fato absoluto. A trindade de Shiva. Shiva sendo a luz, a yoni e o que quer que saia dela. Não há saída!

P: Para viver a vida precisamos da luz do sol da esperança...

K: Eu não tenho nem esperança nem falta de esperança.

P: Depois de entender esta filosofia, minha vida se tornou sem rumo...

K: E mais tarde ficaria sem ereção. Risos Isso significa que quando algo surge, não se vai com ele. Não se erige com a ereção. Quando o lingam, a luz, aparece, não se vai com a luz. Apenas se fica onde se está, que é Isso-que-se-é, experimentando a luz. Mas não se vai com a luz. Então, se o primeiro lingam aparece, não se torna o lingam. Não se vai com o lingam e a yoni. Apenas se fica como se é. Se reside totalmente em Isso-que-não-se-pode-não-ser, que foi, é e será anterior e além de toda luz imaginária.

Agora se está sem rumo, eu não estava fazendo piada. Então se está sem ereção porque não se levanta quando se levanta. Mas agora se levanta quando se levanta. Agora se acorda quando se acorda. Agora se vai dormir quando se vai dormir. Mas eu peço que se seja Isso que não acorda ao acordar e não vai dormir quando vai dormir. Isso que nunca está acordado ou não-acordado, que não conhece nem a vigília nem o sono. Que absolutamente não sabe o que-é ou o que-não-é. Não é alguém que não tem mais rumo.

P: Sinto-me totalmente confuso agora...

K: Espero que sim.