RENZ, Karl. Undecided. Neti-Neti. Edited By MANJIT ACHHRA. Mumbai: Zen Publications, 2015
Muitas respostas, muitas perguntas e nada acontece (resumo)
Q: Quando você não está sofrendo, é fácil ver sua natureza ilusória. Quando está sofrendo, é difícil ver. O que fazer?
K: O que fazer? Existem muitas técnicas, mas nenhuma funciona. E se você vir que nenhuma técnica funciona, o que fazer? O sofrimento só existe quando você espera que algo termine.
Q: Então, isso não pode ser usado como uma técnica? Permitir que o sofrimento continue para não sofrer?
K: Quem permite? Você acha que o sofrimento pergunta: "Posso sofrer hoje?". E quando a "rainha" diz "Não gosto disso hoje", o que acontece? Tudo o que você fizer confirmará sempre a existência do sofredor fantasma.
Q: O senhor falou em "erradicar o 'eu'". Como se faz isso?
K: Como se livrar de um fantasma que é imaginário? A resposta famosa é "Seja anterior". Experimente a si mesmo como o primeiro pensamento "eu". Toda manhã isso acontece. Alguém acorda e toda noite esse alguém é descartado. A verdadeira "erradicação" é não encontrar alguém que precise se livrar de algo. Isso é "Quem se importa?". Quando ninguém se importa se o fantasma existe ou não, isso é o pior que pode acontecer para o ego. A erradicação absoluta é que você é simplesmente o que não pode deixar de ser, que nunca precisou de nenhuma diferença para ser o que é.
Q: Então, onde começa o controlador?
K: Imediatamente. É a primeira consciência do "Eu". Quando aquilo que você é se torna consciente de existir. Deus se torna consciente de existir. Já existe uma existência duvidosa e dela surge um duvidante. Essa consciência superior já é o pensamento-raiz do "Eu", e nele está o sofrimento potencial. E se você seguir essa tendência de se tornar consciente, e com isso se tornar "alguém" que está consciente, e então, por definição, você se torna separado de si mesmo. E a separação é insuportável.
Q: Mas isso não pode ser evitado...
K: Não se trata de evitar. É simplesmente como voltar e questionar: alguém acordou quando a consciência começou? A natureza da existência se torna consciente da existência quando algo começa? Sua natureza começa na consciência? Não. Então, quem se importa com a consciência?
Q: Então, o que fazer?
K: Faça o que você não faz. Muitas respostas, muitas perguntas e nada acontece. Tudo isso é irrelevante. Aproveite a estupidez, é tudo o que peço. O que você acha que estou fazendo aqui? Estou aproveitando a ignorança que permanentemente surge do que sou e não pode me tornar mais ou menos do que sou. O que há de mais livre do que a irrelevância de falar, a irrelevância de ouvir? Aproveite absolutamente todos os acontecimentos e não acontecimentos. E o próximo gole de café é a próxima realização do que você é, e nada é mais ou menos nisso.
Q: E a tal da "Graça"? Ela acorda?
K: Ela acorda quando acorda, apesar do que aconteceu antes. Nunca é por causa do seu entendimento ou ação. Quando a Graça acorda, ela o abandona como se fosse nada. Nunca foi necessário, nunca foi desejado. Você desaparece como um orvalho no sol quente. E o que acontece? Nada. É como a história do sol: quando o sol interior nasce, ele queima tudo o que pode ser queimado, mas sem saber de nada. Ele nem mesmo sabe que algo queima em sua presença. Onde está o sol do Ser, nunca houve e nunca haverá qualquer ignorância.
Q: E enquanto isso?
K: Aproveite a si mesmo, já que você não pode fazer nada de qualquer maneira. Aproveite as preferências. Apenas veja que elas não pertencem a você. Sua existência nua está aqui e agora, e um dia você estará nu novamente, porque todos os seus pertences preciosos terão desaparecido e você ainda será o que você é. A existência é o que você é, e a existência está se realizando de todas as maneiras possíveis e impossíveis. E não há uma segunda edição – isso é tudo. A alegria é a sua natureza e na alegria, a alegria aparece. A alegria é tudo o que existe!