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id da página: 2382 Laleh Bakhtiar

Laleh Bakhtiar

CULTORES DO SUFISMO — LALEH BAKHTIAR


Reconhecida pesquisadora da tradição islâmica, com uma trilogia escrita sobre o Eneagrama no Sufismo.

BAKHTIAR, Laleh. God’s will be done. 1: Traditional psychoethics and personality paradigm. In: Chicago, Ill: Institute of Traditional Psychoethics and Guidance Distributed by KAZI Publications, 1993.

Esse paradigma de personalidade é, essencialmente, o do monoteísmo e da unidade, a visão de mundo segundo a qual “não há deus senão Deus” ou “não há divindade senão Deus”. Trata-se de perceber o universo e tudo o que nele existe como aspectos do Deus Único. A visão de mundo do monoteísmo (tawhid) constitui a base fundamental da psicoética em geral e, em particular, de seu paradigma de personalidade. O monoteísta (Hanif) considera o universo inteiro como uma unidade, uma forma única, um ser vivo e consciente dotado de vontade, inteligência, sentimento e propósito, girando em um sistema justo e ordenado no qual não há discriminação, qualquer que seja o gênero, a cor, a raça, a classe ou a fé de alguém. Tudo provém de Deus e a Ele retorna, enquanto o politeísta (mushrik) percebe o universo como um conjunto dissonante, repleto de desunião, contradição e heterogeneidade, contendo muitos polos independentes e conflitantes, desejos desconexos, costumes, propósitos, vontades, sexos, seitas, cores, raças, classes e credos.

A visão de mundo monoteísta enxerga a unidade universal na existência, uma unidade de três relações distintas: a do eu com Deus, a do eu com a natureza — incluindo os outros seres humanos — e a do eu consigo mesmo. Essas relações não são alheias entre si; não há fronteiras que as separem. Elas movem-se na mesma direção. Outras visões religiosas do mundo concebem a Divindade — ou mesmo o conjunto das divindades — como existente em um mundo especial e metafísico dos deuses, um mundo superior em contraste com o mundo inferior da natureza e da matéria. Ensinam que Deus é separado do mundo, que o criou e depois o abandonou. Na visão monoteísta, Deus jamais se ausentou e constitui o objetivo do retorno do eu. Nesse contexto, o eu teme apenas um Poder e responde somente a um Juiz; volta-se para uma única direção (qiblah), dirigindo todas as esperanças e desejos a uma única Fonte.

A crença no monoteísmo confere ao eu um senso de independência e libertação de tudo o que não seja Deus, bem como uma conexão com o universo e com tudo o que ele contém. A submissão unicamente à Vontade de Deus liberta o eu de adorar qualquer coisa que não seja Deus e de se rebelar contra tudo o que pretenda ser Deus.


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