A realidade do ensino no Collège, ao menos para mim, reside no fato de que não se entregam ali os frutos lentamente formados nos lustros precedentes, mas, que além de assegurar a direção de um centro documental, a Biblioteca de história dos cristianismos orientais – por muito tempo em caixas devido à renovação das instalações, este Centro só retomou seu impulso a partir de 2001 com a chegada de Florence e de Christelle Jullien –, cumpre-me investir-me anualmente em um tema novo tanto para o curso quanto para o seminário. Quando Florence me mostrou nestes dias a lista dos temas tratados durante estes dezoito anos de Collège e perguntou qual me havia interessado mais, fui incapaz de responder. Cada tema é para mim totalitário, mas no efêmero. Ele confisca por um tempo todas as minhas energias, até que o substitua, ou até o dia em que dele me liberto pela publicação. O segundo lado da alternativa é o que Raymond Aron, creio bem, chamava, no vocabulário do rúgbi, de o ensaio convertido. Reconheço que não realizei muitas conversões. Isso se deve ao fato de que um assunto empurrando o outro mal tive o ócio de voltar atrás e de me dedicar meses a fio à paciente formalização de análises e de ideias já tornadas públicas. Há apesar de tudo algumas exceções. Tomemos minhas "Natividades pagãs". Expus este tema em 1995 sob a forma de um comentário às páginas finais do apocalipse gnóstico de Adam sobre os treze reinos. Só as publiquei em 2006 porque Helmut Seng me forneceu a ocasião e não parou de me importunar. As Pesquisas sobre a formação do Apocalipse de Zostrianos (1996), concebidas primitivamente para fazerem parte de um conjunto mais vasto sobre as mitologias pagãs dos gnósticos, foram publicadas no mesmo ano que as lições dadas sobre os novos fragmentos descobertos por Pierre Hadot e por mim (1993-1995). Quase o mesmo pode ser dito de meus cursos e trabalhos coletivos dos seminários sobre Marcion de 1997 a 2000. Figuram na íntegra na edição francesa do Marcion de Harnack (2003) preparada por Bernard Lauret e por mim. Mas ainda há muitos ensaios à espera de conversão.
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