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id da página: 6079 Nicoll – Tempo Vivo Maurice Nicoll

Nicoll Tempo Vivo

Maurice Nicoll — TEMPO VIVO

NICOLL, Maurice. Living time and the integration of the life. London: Stuart & Watkins, 1971

Este é um dos melhores livros do psicanalista Maurice Nicoll, discípulo de Ouspensky e de Gurdjieff. Trata-se de um estudo muito bem documentado da consciência e da possibilidade de fazer do tempo algo efetivamente vivo, por sua presença em graus cada vez mais elevados. O estudo faz referências a pensadores da Antiguidade e da Idade Média, especialmente Platão e neoplatonistas.

Maurice Nicoll – Introdução
Platão diz que o melhor remédio para a mesquinhez da alma é tornar-se um espectador do Tempo. Vive-se em uma realidade muito estreita, em uma realidade que, por uma parte, está condicionada às formas de nossa percepção, e que, por outra, é somente o produto das opiniões alheias que se adquiriram ou tomaram de empréstimo, e às quais se submete toda nossa estimação. Luta-se em defesa dessas opiniões, e não porque se creia nelas, mas porque elas envolvem o sentimento ordinário do que cada um é. E ainda que continuamente se sofra, devido à estreiteza desta realidade em que se mora, costuma-se culpar a vida por isso, sem advertir a necessidade de encontrar pontos de vista completamente novos.

Todas as ideias que possuem um poder transformador mudam nosso sentido da realidade. Atuam como fermentos. Mas conduzem necessariamente a uma afirmação. Ver com mais amplitude, mais compreensivamente, requer uma afirmação, requer que se sinta a existência de uma nova verdade. Se este sentido da verdade jaz enterrado em nós mesmos, é preciso admitir que, contra ele, luta muita superficialidade. Sempre é mais fácil negar do que afirmar.

Uma das razões deste fato é que se leva a alma voltada para os sentidos, enquanto as ideias se percebem internamente, como algo muito distinto daquele fluir das coisas externas que continuamente nos penetram. E se alguém carece do sentimento da separatividade da própria existência, se carece do sentido da invisibilidade essencial de si mesmo, e se não faz nenhum esforço neste sentido, poucas probabilidades terá de dar-se conta de que elas existem. Platão fala de dois deuses ou poderes governantes, um externo e outro interno. Sob o poder do externo, a alma vive açoitada em todas as direções e parece um bêbado. Ao voltar-se para o mundo das ideias, começa a sarar e a recordar.

Nas páginas que seguem, reuniu-se um número de citações, apontamentos e observações que se referem principalmente ao invisível das coisas. Como se poderá começar a entender o invisível? Esta obra trata acerca da natureza invisível do homem e do correspondente aspecto invisível do mundo; trata-o desde o ponto de vista das dimensões (não no sentido matemático), e também desde o ponto de vista dos níveis superiores de consciência que lhe são relativos. Discute a questão de um novo entendimento do tempo e do que a vida significa à luz deste entendimento. Neste assunto entra a possibilidade de uma mudança no sentido do tempo, junto com uma mudança no sentir de si mesmo. Considera-se o significado da eternidade, sobre a qual se têm muitas noções erradas; finalmente, estuda-se a ideia da recorrência da vida.

É necessário aproximar-se destas ideias começando por uma revisão da noção de “as coisas” que ordinariamente se possui, daquela noção derivada do mundo que os sentidos mostram. E por este motivo é necessário que, antes de tudo, façam-se algumas reflexões acerca do aspecto visível e invisível das gentes.

Índice

  • A INVISIBILIDADE DE SI MESMO
  • A Qualidade da Consciência
  • Os diferentes níveis da realidade no Homem e no Universo
  • O Tempo que passa e o Tempo em si
  • A Vida no Tempo Vivo
  • Eão
  • A Eternidade e a Recorrência da Vida
  • Os dois Sistemas Psicológicos no Homem
  • Criação do "Agora"
  • Relação
  • A Integração da Vida

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