NICOLL, Maurice. Living time and the integration of the life. London: Stuart & Watkins, 1971
Este é um dos melhores livros do psicanalista Maurice Nicoll, discípulo de Ouspensky e de Gurdjieff. Trata-se de um estudo muito bem documentado da consciência e da possibilidade de fazer do tempo algo efetivamente vivo, por sua presença em graus cada vez mais elevados. O estudo faz referências a pensadores da Antiguidade e da Idade Média, especialmente Platão e neoplatonistas.
Todas as ideias que possuem um poder transformador mudam nosso sentido da realidade. Atuam como fermentos. Mas conduzem necessariamente a uma afirmação. Ver com mais amplitude, mais compreensivamente, requer uma afirmação, requer que se sinta a existência de uma nova verdade. Se este sentido da verdade jaz enterrado em nós mesmos, é preciso admitir que, contra ele, luta muita superficialidade. Sempre é mais fácil negar do que afirmar.
Uma das razões deste fato é que se leva a alma voltada para os sentidos, enquanto as ideias se percebem internamente, como algo muito distinto daquele fluir das coisas externas que continuamente nos penetram. E se alguém carece do sentimento da separatividade da própria existência, se carece do sentido da invisibilidade essencial de si mesmo, e se não faz nenhum esforço neste sentido, poucas probabilidades terá de dar-se conta de que elas existem. Platão fala de dois deuses ou poderes governantes, um externo e outro interno. Sob o poder do externo, a alma vive açoitada em todas as direções e parece um bêbado. Ao voltar-se para o mundo das ideias, começa a sarar e a recordar.
Nas páginas que seguem, reuniu-se um número de citações, apontamentos e observações que se referem principalmente ao invisível das coisas. Como se poderá começar a entender o invisível? Esta obra trata acerca da natureza invisível do homem e do correspondente aspecto invisível do mundo; trata-o desde o ponto de vista das dimensões (não no sentido matemático), e também desde o ponto de vista dos níveis superiores de consciência que lhe são relativos. Discute a questão de um novo entendimento do tempo e do que a vida significa à luz deste entendimento. Neste assunto entra a possibilidade de uma mudança no sentido do tempo, junto com uma mudança no sentir de si mesmo. Considera-se o significado da eternidade, sobre a qual se têm muitas noções erradas; finalmente, estuda-se a ideia da recorrência da vida.
É necessário aproximar-se destas ideias começando por uma revisão da noção de “as coisas” que ordinariamente se possui, daquela noção derivada do mundo que os sentidos mostram. E por este motivo é necessário que, antes de tudo, façam-se algumas reflexões acerca do aspecto visível e invisível das gentes.
Índice
- A INVISIBILIDADE DE SI MESMO
- A Qualidade da Consciência
- Os diferentes níveis da realidade no Homem e no Universo
- O Tempo que passa e o Tempo em si
- A Vida no Tempo Vivo
- Eão
- A Eternidade e a Recorrência da Vida
- Os dois Sistemas Psicológicos no Homem
- Criação do "Agora"
- Relação
- A Integração da Vida
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