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id da página: 10501 Schuon Conhecimento (FSOC) Frithjof Schuon

Schuon Conhecimento (FSOC)

Frithjof Schuon – Olho do Coração


Todo conhecimento é, por definição, aquele da Realidade absoluta; é dizer que a Realidade é o objeto necessário, único, essencial, de todo conhecimento possível. Se é verdade que há conhecimentos que parecem ter outros objetos, isso não é, no entanto, enquanto Conhecimento, mas enquanto modalidades ou limitações deste que elas os têm; e se estes objetos não são aparentemente a Realidade, é assim, não enquanto eles são Objeto do Conhecimento, mas enquanto eles são modalidades ou limitações deste Objeto, que é Deus visto por Deus.

A própria existência do mundo parece contradizer estas asserções; o mundo não é diferente da Realidade absoluta, do Objeto um e divino? Responder-se-á que o mundo, embora não sendo esta Realidade, é, no entanto, a expressão e, portanto, a limitação desta; ele é, portanto, a Realidade, não como tal, mas enquanto Ela se afirma em tais limites; e estes limites provêm de Sua infinidade, assim como se verá mais adiante. Por conseguinte, quem diz “mundo” diz implicitamente “Deus”. O mundo, enquanto ele não é Deus, se reduz, para se falar rigorosamente, ao nada; mas, enquanto ele não é nada, ele é essencialmente Deus. O conhecimento do mundo é menos verdadeiro que o Conhecimento da Realidade divina, mas é, em última análise, sempre um conhecimento desta Realidade, pois se conhece o mundo porque ele é real e por nenhuma outra razão. A distinção, na ordem dos princípios, é uma função da ignorância, já que o Um é o único real, e não o distinguido; é por isso que a distinção é uma função do conhecimento na ordem manifestada – onde a relação é inversa em relação à ordem principial.

Mas o mundo objetivo não é a única limitação no Conhecimento universal; o mundo se apresenta também sob um aspecto subjetivo: ele é macrocosmo, mas ele implica, pela própria definição, o microcosmo cuja unidade remete a diversidade cósmica ao Princípio, ao menos simbolicamente. A distinção entre o “eu” e o “não-eu” é espontânea, portanto real, embora o “eu” seja inseparável do mundo “exterior”, os dois aspectos sendo complementares. É necessariamente assim: desde o momento em que a suprema Realidade se afirma distintivamente e, por conseguinte, fora de sua Aseidade, o caráter distintivo de Sua afirmação deve se expressar pela dualidade ou pelo complementarismo do conhecedor e do conhecido; o homem pode, portanto, conhecer, por um lado a Realidade pura, e por outro lado o mundo e neste o eu, – Metacosmo, macrocosmo e microcosmo, – sem que, enquanto ele conhece, o homem seja outra coisa senão o Conhecimento, e sem que o mundo externo e o ego, enquanto eles são suscetíveis de ser conhecidos, ou seja, enquanto eles são reais, sejam outra coisa senão a Realidade. Dizer que nós nos conhecemos a nós mesmos equivale a dizer que nós conhecemos a Realidade enquanto Ela é nós mesmos; pois não há nenhum objeto de conhecimento, nem ao nosso redor, nem em nós, que não seja essencialmente – não existencialmente – a Realidade una, e não há ninguém que conheça, se não for o Conhecimento que conhece nele e que é infinito.