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id da página: 2970 Frithjof Schuon Ter um Centro Frithjof Schuon

Schuon Normalidade FSTC


Ser normal é ser homogêneo, e ser homogêneo é ter um centro. O homem normal é aquele cujas tendências são, se não totalmente unívocas, pelo menos concordantes - isto é, suficientemente concordantes para poderem veicular este centro decisivo que se pode chamar de sentido do Absoluto ou o amor de Deus. A tendência para o Absoluto, para a qual se é feito, se realiza dificilmente em uma alma heteróclita - uma alma desprovida de centro, precisamente, e por este fato contrária à sua razão de ser. Uma tal alma é a priori uma "casa dividida contra ela mesma", portanto destinada a desmoronar, escatologicamente falando.

A antropologia ao mesmo tempo espiritual e social da Índia distingue, por um lado, entre os homens homogêneos, cujos centros se situam em três níveis diferentes, e, por outro, entre o conjunto destes homens e aqueles que, não tendo centro, não são homogêneos; ela atribui esta falta, seja a uma decadência, seja à "mistura de castas" - sobretudo daquelas que são as mais afastadas umas das outras. Mas é das castas naturais, não das castas institucionais, que se quer falar aqui: as primeiras não coincidem sempre com as castas que as representam socialmente; pois a casta institucional permite exceções, e isso na medida mesma em que ela se tornou muito numerosa e engloba por este fato todas as possibilidades humanas. Portanto, sem querer se ocupar das castas da Índia, se descreverá sucintamente as tendências essenciais que elas são supostamente veicular, e que se reencontram em toda parte onde há homens, com tais predomínios dependendo da natureza do grupo.

Há em primeiro lugar o tipo intelectivo, especulativo, contemplativo, sacerdotal, que tende à sabedoria ou à santidade; esta se referindo mais à contemplação e aquela ao discernimento. Há em seguida o tipo guerreiro e real, que tende à glória e ao heroísmo; mesmo em espiritualidade - pois a santidade é para todos - este tipo será voluntariamente ativo e heroico, de onde o ideal da "heroicidade das virtudes". O terceiro tipo é o homem "honestamente médio": ele é essencialmente trabalhador, equilibrado, perseverante; seu centro é o amor do trabalho útil e bem feito, realizado em vista de Deus; ele não aspira nem à transcendência nem à glória - ao mesmo tempo que quer ser ao mesmo tempo piedoso e respeitável -, mas ele tem no entanto isto em comum com o tipo sacerdotal que ele ama a paz e que ele se desinteressa das aventuras, o que o predispõe a uma contemplatividade conforme às suas ocupações. Vem em último lugar o tipo sem outro ideal senão o prazer mais ou menos grosseiro; é o homem concupiscente que, não sabendo se dominar, deve ser dominado por outros, de modo que sua grande virtude será a submissão e a fidelidade.

Sem dúvida, o homem que não encontra seu centro senão fora de si mesmo - nos prazeres, sem os quais ele se sente como um vazio - um tal homem não é realmente "normal"; mas ele é no entanto recuperável por sua submissão a um melhor que ele, que fará a função de centro em relação a ele. É aliás exatamente o que ocorre - mas em um plano superior que pode concernir a todo homem - na relação entre o discípulo e o mestre espiritual.

Mas há ainda um outro tipo humano possível, e é aquele que carece de centro, não porque a concupiscência o priva dele, mas porque ele tem dois ou mesmo três centros ao mesmo tempo; é o tipo mesmo do pária, oriundo da "mistura das castas", e que carrega em si a dupla ou tripla hereditariedade de tipos divergentes: a do tipo sacerdotal, por exemplo, combinada com o tipo materialista e hedonista do qual se acabou de falar. Este novo tipo - o descentrado - é capaz "de tudo e de nada": é um imitador e um comediante nato, sempre em busca de um sucedâneo de centro, portanto de uma homogeneidade psíquica que lhe escapa forçosamente. O pária não tem nem centro nem continuidade; ele é um nada ávido de sensações; sua vida é uma série descontínua de experiências arbitrárias. O perigo social deste tipo é evidente, já que nunca se sabe com quem se está lidando; ninguém quer confiar em um chefe que no fundo é um saltimbanco e que por sua natureza é predisposto ao crime. E é isso que explica o ostracismo do sistema hindu em relação àqueles que, oriundos de misturas muito heterogêneas, são "fora de casta"; diz-se que isso explica o ostracismo, e não que isso desculpa os abusos nem que a avaliação dos indivíduos seja sempre justa; o que é mesmo impossível na prática.

De uma maneira geral, o tipo psicológico do homem é uma questão, não de presença exclusiva de tal tendência, mas de predominância; e neste sentido - ou com esta reserva - pode-se dizer que o primeiro dos tipos enumerados é "espiritual", o segundo "nobre", o terceiro "probo", o quarto "concupiscente" e o quinto "vaidoso" e "transgressor". Espiritualidade, nobreza, probidade: estas são as tendências essenciais dos homens que, segundo a doutrina hindu, são iniciáveis ou "duas vezes nascidos"; concupiscência e vaidade: estas são as tendências daqueles que a priori não são concretamente qualificados para um caminho espiritual mas que, sendo homens, não têm no entanto a escolha; o que equivale a dizer que todo homem pode em princípio se salvar. Como dizia Ghazali, é preciso fazer os homens entrarem no Paraíso a chicotadas.

Há portanto esperança para o homem sem centro, qualquer que possa ser a causa de sua privação ou de sua enfermidade; pois há um Centro super-humano que está sempre à disposição e do qual se carrega o traço em si mesmo, já que se é feito à imagem do Criador. É por isso que o Cristo pôde dizer que o que é impossível ao homem é sempre possível a Deus; o homem poderá ser tão descentralizado quanto se quiser, desde que ele se volte sinceramente para o Céu, sua relação com Deus lhe confere um centro; está-se sempre no meio do mundo quando se dirige ao Eterno. É este o ponto de vista das três religiões monoteístas de origem semítica, e é o da angústia humana e da divina Misericórdia.