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id da página: 5430 Frithjof Schuon Ter um Centro Frithjof Schuon

Schuon Prova FSTC


Diz-se que a prova de uma afirmação cabe àquele que enuncia a tese, não àquele que a rejeita; opinião perfeitamente arbitrária, pois, se se deve uma prova para uma afirmação positiva, deve-se uma também para uma afirmação negativa; não é o caráter positivo da afirmação, é seu caráter absoluto que obriga a prová-la, quer seu conteúdo seja positivo ou negativo. Não é preciso provar uma inexistência que se supõe, mas é-se obrigado a provar uma inexistência que se afirma. Certamente, os negadores do sobrenatural não se privam de produzir argumentos que a seus olhos são provas de sua opinião, mas eles imaginam em todo caso que esta é um axioma natural que não precisa de nenhuma demonstração; é juridicismo racionalista, não lógica pura. Os teístas, ao contrário, têm o sentimento de que é algo normal sustentar por provas a realidade do invisível, exceto quando falam pro domo se baseando na evidência de fé ou de gnose.

Muitas vezes se interpretou mal a prova ontológica de Deus - emitida por santo Agostinho e desenvolvida por santo Anselmo - e isso desde a Idade Média; na realidade, ela não significa que Deus é real porque se pode concebê-lo, mas ao contrário, que se pode concebê-lo porque ele é real: isto é, que a realidade de Deus tem por efeito, para a faculdade intelectiva, a certeza a seu respeito e, para a faculdade racional, a possibilidade de conceber o Absoluto. E é precisamente esta possibilidade da razão - e a fortiori a intuição pré-racional do intelecto - que constitui a prerrogativa característica do homem.

Na crítica da prova ontológica de Deus, o erro consiste em não ver que imaginar um objeto qualquer não é de modo algum a mesma coisa que conceber o absoluto, ou o Absoluto em si; pois o que predomina aqui, não é o jogo subjetivo da mente, é essencialmente o Objeto absoluto que o determina e que constitui mesmo, em última análise, a razão de ser da inteligência humana. Sem um Deus real, não há homem possível.

Ao se falar do argumento ontológico, pensa-se na tese essencial e não nos raciocínios em parte problemáticos que são supostamente para sustentá-la. No fundo, a base do argumento é a analogia entre o macro-metacosmo e o microcosmo, ou entre Deus e a alma: sob um certo aspecto, somos o que é, e por conseguinte podemos conhecer tudo o que é, portanto o Ser em si; pois se há a relação de incomensurabilidade, há também a de analogia e mesmo a de identidade, sem o que se seria o nada puro e simples. O princípio de conhecimento não implica por si mesmo nenhuma limitação; conhecer é conhecer todo o cognoscível, e este coincide com o real, visto que a priori e no Absoluto o sujeito e o objeto se confundem: conhecer é ser, e inversamente. O que leva de volta à sentença árabe: "Quem conhece sua alma, conhece seu Senhor"; sem esquecer a fórmula do santuário de Delfos: "Conhece-te a ti mesmo"... Se se diz que o Absoluto é incognoscível, isso se refere, não à faculdade intelectiva de princípio, mas a tal modalidade de fato desta faculdade; a tal casca, não à substância.