SHAYEGAN, Daryush. Les Relations de l’hindouisme et du soufisme: d’après le “Majma 'al-bahrayn” de Dârâ Shokûh. Paris: Éditions de la Différence, 1979.
- No Mandukyopanisad e nos Karika de Gaudapada, o atman (essencialmente idêntico ao Brahman) manifesta-se em quatro "partes" (catuspat): jagarita-sthana (estado de vigília), svapnasthana (estado de sonho), susupta-sthana (estado de sono profundo) e turiya (estado incondicionado do Brahman, nirguna-brahman).
- Sankara descreve a associação do atman a estes estados como uma "sobreposição do não-Eu ao Eu", realizada pela maya (poder da ilusão cósmica).
- O estado de vigília (jagrat), chamado vaisvanara, tem "conhecimento exterior" (bahisprajnam), sete membros, dezenove aberturas, e é o "gozador do elemento grosseiro" (sthula bhuk), sendo o domínio das experiências sensoriais.
- Vaisvanara é identificado com o Eu de todos os seres corpóreos (visvanara), e seus sete membros (céu, sol, vento, etc.) são homólogos às porções do Universo.
- O estado de sonho (svapna), chamado taijasa, tem "conhecimento interior" (antahprajna), sete membros, dezenove aberturas, e goza do "elemento sutil" (praviviktabhuk).
- O taijasa é o domínio do manas (mental), manifestando-se como uma "vibração mental" ou "impressão residual" (samskara) das experiências do estado de vigília, sendo luminoso (kevalaprakasvarupa) e composto pelas vasana (impressões residuais).
- O estado de sonho é um tecido de imagens formadas de virtualidades psíquicas e impressões residuais, onde o espírito, usando seu poder imaginativo (samkalpa), cria mil imagens e fantasias (Sankara).
- O estado de sono profundo (susupta), chamado prajna, é aquele onde "não se deseja nenhum desejo" e "não se vê nenhum sonho", tornando-se um "bloco de conhecimento global" (ekibhuta prajnanaghana), que goza de "felicidade" (anandabhuk).
- O susupta é um estado de não-distinção e de identidade total das dualidades, onde as experiências dos estados de vigília e sonho tornam-se uma massa unificada (ghanibhuta) sem, contudo, perder suas formas próprias.
- O prajna é o "conhecedor do passado e do futuro" (bhuta-bhavisyajnatrtvam) e é a "porta que conduz a este conhecimento (superior) que tem consciência dos outros estados".
- O estado de vigília tem como sede os órgãos sensoriais, o de sonho, a consciência interna do espírito (manas), e o sono profundo, o akasa do coração, o "espaço unificado da consciência indiferenciada".
- O turiya (o quarto estado) não tem "conhecimento interior", "conhecimento exterior", "conhecimento de um e de outro", nem "conhecimento global", sendo "invisível" (adrstam), "inabordável" (avyavaharyam), "insaisível" (agrahyam), "indefinível" (alaksanam), "impensável" (acintyam) e "inominável" (avyapadesyam).
- O turiya é o estado incondicionado, o absoluto, que transcende todas as categorias do pensamento e é descrito pela "negação dos atributos" (visesa-pratisedha) sobrepostos pela ilusão (maya).
- O turiya é a essência da experiência de seu próprio Eu (ekatmapratyayasaram), que "anula a diversidade" (prapancopasamam), é "apaziguado" (santam), "benévolo" (sivam) e "sem dualidade" (advaitam).
- Os três estados inferiores (jagrat, svapna, susupta) são considerados por Sankara como irreais (avidyakrtam), sendo uma "sobreposição do não-real ao real", mas mantendo um "relacionamento contínuo" como a semente e a planta.
- A realização do turiya implica a negação dos três estados ilusórios e a cessação das distinções como conhecedor, conhecimento e conhecido (pramatrtvadi-bheda-nivrtti), levando à libertação da roda das reencarnações (Sankara).
- Em Upanisads tardias, os três guna do Samkhya, os três estados de atman e as três divindades (trimurti) são homólogos, e as três letras de Omkarah (A, U, M) correspondem respectivamente ao estado de vigília (jagrat, rajas, Brahma), de sonho (svapna, sattva, Visnu) e de sono profundo (susupta, tamas, Siva-Rudra).
- As quatro condições de atman e os quatro mundos islâmicos são hierarquizados do mais sutil ao mais grosseiro e vice-versa, implicando correspondências entre o microcosmo e o macrocosmo em ambos os sistemas.
- O movimento ontológico de descida no Sufismo, do lahut ao nasut, e os três modos indianos (causal, sutil, grosseiro) representam uma diferenciação e materialização crescente do Uno para o múltiplo.
- Na ascensão em ambos os sistemas, o movimento inverso de retorno à origem implica a ressorção dos estados grosseiro e sutil no causal na Índia, e a volta do nasut ao lahut no Sufismo, culminando na aniquilação e libertação do Homem Perfeito.
- O homem é um microcosmo que reflete o macrocosmo, sendo sua alma aparentada ao malakut e seu Espírito ao jabarut, assim como Vaisvanara tem seus sete membros homólogos ao universo (Jili, Lahiji).
- O mundo dos Arquétipos-Imagens (alam-e mithal) e o estado de sonho (svapna-sthana) guardam analogias devido à função da imaginação e à continuidade do alam-e mithal com o malakut e do svapna com o jagrat (Qaysari, Sankara, Olivier Lacombe).
- O alam-e mithal é o domínio da imaginação conjunta e o malakut da imaginação disjunta, sendo o alam-e mithal contíguo à imaginação autônoma e intermediário entre o malakut e o molk.
- As vasana (virtualidades universais) no Vedanta têm uma conexão comparável às Essences-fixes em relação à Unidade absoluta no Sufismo, sendo que a criação é uma teofania da imaginação criadora (maya ou khayal).
- O estado de sono profundo (susupta) é um "estado involuído e seminal" (bijavastha) e um "bloco de conhecimento global" onde as dualidades se unem, mas mantêm suas formas próprias (svarupa), o que se assemelha ao reencontro dos seres com sua Essência-Archétype no mundo da Unidade plural do Sufismo.
- O grau do jabarut como Unidade plural é uma "unidade na diversidade" onde os Nomes Divinos se manifestam nos Archétypes (teologia simbólica), diferindo do susupta que é um estado de cessação de conhecimento especificado.
- O turiya (quarto estado) e o grau da Essência e Ipsidade divina no Sufismo implicam a negação de todo atributo e a eliminação de tudo o que não é o Uno sem segundo, correspondendo à qualidade incondicionada e indiferenciada do Brahman e à negação de toda negação da Essência divina.