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id da página: 13634 Silburn – Xivaísmo de Caxemira – Hinos aos Kali – Louvor Energias Lilian Silburn

Silburn Tantra Kali Louvor Energias

Lilian SilburnXivaísmo de Caxemira – A Roda das Energias Divinas

HYMNES AUX KALĪ. LA ROUE DES ÉNERGIES DIVINES (1975)

  • O poema Srikalikastotra de Sivanandanatha dedica-se ao louvor da energia divina em sua essência absoluta, inata e espontânea, abordando temas fundamentais como a libertação do medo do samsara e a harmonização entre o êxtase místico e as atividades mundanas, culminando em uma doutrina singular sobre o tempo onde Siva, sob a forma de Mahakala, engendra o universo ao cindir suas energias em doze fases distintas que posteriormente retornam à fonte.
  • A natureza do tempo, frequentemente temida por aqueles submetidos à sua escravidão, transfigura-se em radiância quando as doze frações de energia se unificam na Consciência para reconstituir o sujeito supremo, permitindo o acesso à inconcebível Kalasamkarsini, a Kali devoradora que extrai a medula do Tempo e a faz fluir novamente como energias distintas, porém idênticas à Consciência na qual se manifestam.
  • A estrutura do hino divide-se em uma parte cósmica e uma contraparte que reflete a experiência mística do yogin, onde o ato de louvar representa o reconhecimento do Supremo no múltiplo e a percepção da Forma sem forma que constitui também a forma do universo, uma visão acessível apenas à consciência liberta da dualidade que percebe a presença imaculada da deusa mesmo na multiplicidade, ao contrário do homem comum que vê no desdobramento do Uno apenas degradação e morte.
  • A dinâmica da graça divina opera através de um ritmo de ocultação e revelação onde a essência imaculada, atuando do interior, penetra as esferas do sujeito, do conhecimento e do objeto, permitindo que a décima terceira Kali, fonte das outras doze e a elas imanente, reverta o desdobramento restritivo do tempo em um desdobramento divino que seca a fonte da dualidade e revela o mundo como um oceano de pura Essência e felicidade concreta.
  • No plano da experiência interior do yogin, a Consciência inefável elimina as distinções entre bem e mal e, atuando como a nautoniera Vyomavamesvari, transporta o sujeito através do fluxo do devir que ela mesma suscitou, mantendo-se como a energia única e indiferenciada que não é afetada pela diversidade do universo nem pelas atividades humanas, revelando-se em uma forma apaziguada e onisciente que transcende o Quarto estado.
  • A imagem do campo de cremação surge como símbolo da revelação da Deusa nas bases da indiferenciação, onde o fogo da Consciência reduz a totalidade do universo a cinzas de igualdade, promovendo uma fusão definitiva onde os três níveis da realidade e as faculdades humanas se unem na atividade do yogin, pacificando o universo como um fogo devorador que retorna ao repouso.
  • Jayaratha, em seus comentários e glosas, discute a variação no número de Kalis apresentada em textos sagrados como o Tantraraja e o Kramasadbhava, que enumeram de treze a dezessete formas, ou até cem, listando nomes como Sristikali, Raktakali, Yamakali, Bhadrakali e Mahabhairavakalika, mas enfatiza que o essencial reside na existência das doze funções fundamentais da roda indizível.
  • A argumentação filosófica de Jayaratha refuta a existência de uma décima terceira Kali que seria transcendente e separada das doze formas imanentes, sustentando que a Consciência não se distingue de suas manifestações e que admitir uma forma não afetada simultânea às formas afetadas implicaria em uma dualidade insustentável; a Consciência, tal como um ator, revela-se nas formas sucessivas do universo sem perder sua essência inefável, que não pode ser categorizada numericamente.
  • A compreensão correta da Deusa Mãe no sistema Krama e no Saktismo rejeita sua redução à natureza material ou a uma força ambígua de vida e morte, definindo-a como a Realidade total que se torna verdadeiramente Mãe no sentido místico ao devorar a multiplicidade, o erro e os limites, destruindo a morte e revelando o Esplendor indiviso.
  • A metáfora da devoração e do engolimento, corroborada por referências à Chandogyopanisad e à ciência da absorção ensinada por Raikva, bem como pelo conceito de Viraj que se alimenta absorvendo os elementos e os sentidos, indica um processo de perfeição e realização onde a natureza não é destruída, mas assimilada; da mesma forma, o conhecimento puro do yogin digere o objeto conhecido de modo que este se torne um com ele, buscando não a exclusão do obstáculo, mas sua total integração e fusão na grande absorção.