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id da página: 7597 Stanislas Breton – Filosofia e Mística – SER-EM Stanislas Breton

Stanislas Breton Iohannes Ser-Em

ser


BRETON, Stanislas. Philosophie et mystique. Existence et surexistence. Grenoble: Jérôme Millon, 1996

  • A análise filosófica da expressão "ser-em" e sua centralidade para a compreensão da relação ontológica

    • A utilidade das considerações tomistas e eckhartianas para destacar a preexistência e a linguagem relacional determinada pela preposição "em"
    • A adoção da fórmula preposicional "ser-em" como artifício para a brevidade e precisão conceitual, não obstante a reticência do francês
    • O questionamento sobre o "ser-em" para além da perspectiva medieval, visando o alargamento do horizonte em relação à experiência e à linguagem
  • A fundamentação aristotélica das múltiplas acepções do "ser-em"

    • A preposição "em" como elemento de morfologia gramatical que interessa ao filósofo quando ligada ao verbo ser
    • A enumeração semântica de Aristóteles na Física sobre os modos como uma coisa é dita estar em outra
      • A citação de Aristóteles: "É preciso compreender em quantas acepções uma coisa (outra) é dita (estar) em outra; é de uma primeira maneira, como o dedo é dito na mão e em geral a parte no todo; de outra, como o todo nas partes, pois não há todo fora das partes; de outra, como o homem no animal e em geral a espécie no gênero; de outra, como o gênero na espécie e em geral a parte da espécie na definição da espécie; ademais, como a saúde nas coisas quentes e frias, e em geral como a forma na matéria; ademais, como os assuntos gregos estão nas mãos do rei da Macedônia e em geral como no primeiro motor; ademais, como no bem e em geral no fim, isto é, aquilo em vista de que se age. Mas o sentido mais próprio é quando se diz em um vaso e em geral em um lugar"
    • O valor da nomenclatura aristotélica para deslindar significados e levantar a questão secundária sobre uma coisa poder encontrar-se dentro de si mesma
    • A definição tradicional da substância como aquilo que é apto a estar em si e não em outro e sua relação com a questão do "ser-em" consigo mesmo
  • A ordenação e a hierarquização das acepções do "ser-em"

    • A sugestão de Aristóteles de um princípio de distribuição segundo os quatro tipos de causalidade
    • A primazia do "sentido mais próprio" do "estar em um vaso" ou "em um lugar" como ponto de partida para a reorganização do léxico
    • A referência à "conduta do cesto" de Pierre Janet, unindo a semântica às práticas quotidianas
    • A reordenação do léxico a partir da exterioridade relativa do vaso ou do lugar, que envolve o conteúdo como o "outro do mesmo"
    • A demarcação das múltiplas formas do "ser-em" segundo o grau de exterioridade
      • O vaso como lugar que concerne ao ser da água apenas por denominação extrínseca, representando a mudança mínima
      • A redução da exterioridade no exemplo das "afaires da república nas mãos do rei da Macedônia", onde eficiência e finalidade tocam qualitativamente os envolvidos
      • A integração orgânica da parte no todo, como o dedo na mão, acentuando ainda menos a exterioridade
      • A reserva da discussão sobre a forma na matéria e sobre espécie e gênero para um excursus lógico sobre propriedades de pertença e inclusão
  • A questão da possibilidade de uma coisa estar dentro de si mesma

    • A antecipação dos termos do problema na primeira hipótese do Parmênides de Platão
      • A citação de Platão: "Mas a ser tal (a saber, sem nenhuma determinação), ele (=o Uno) não será em parte alguma; não pode estar, com efeito, nem em outro que si nem em si. Estando em outro que si, será envolvido circularmente por aquilo em que está e, com ele, terá, por muitos de seus pontos, múltiplos contactos... Estando simplesmente em si, será envolvido ainda, mas envolvido por nada outro que si, pois está unicamente em si; porque estar em algo sem ser envolvido é coisa impossível"
    • Os axiomas subjacentes no texto platônico: "todo ser está em algo" e "todo ser está ou em si ou em um outro que si"
    • A formulação da dificuldade por Aristóteles: saber se uma coisa pode igualmente estar no interior de si mesma, considerada relativamente a si ou a outra coisa
    • A discussão resumida do comentário de Tomás de Aquino à Física
      • A impossibilidade de um ser, em sua relação imediata consigo, estar em si, devido à necessária diferença entre continente e conteúdo
      • A possibilidade aceitável apenas para um todo composto de partes, onde o todo estaria em si em razão de suas partes, conforme a primeira acepção aristotélica
      • A justificativa da reflexividade da inclusão pela gramática dos conjuntos, onde um conjunto E pode estar incluído em si mesmo
      • As conclusões: nenhum ser, em seu rapport imediato consigo, está em si; nenhum ser está em si por acidente ou mediação de um terceiro; o "ser-em" sempre remete a algo outro; a aceitação da tese requer uma distância mínima entre o todo continente e o todo explicitado em suas partes
    • A citação final de Tomás de Aquino: "É preciso saber que, às vezes, dizemos que algo está em si, não segundo uma aceitação afirmativa, mas simplesmente, por exclusão, para significar que a coisa em questão não está em outra"
  • A aplicação concreta do "ser-em" na existência e sua relação com a preexistência

    • A opção pelo sentido primordial aristotélico, ilustrado pela expressão "peixe na água" em vez de "água em um vaso"
    • A associação das expressões quotidianas "estar como um peixe na água" e "estar bem na própria pele" à ideia de felicidade como adequação perfeita entre o ser e seu envoltório
    • A interpretação do "ser-em" como associação estrita entre ontologia e uma ecologia radical
  • A análise do "ser-em" na percepção como domínio de experiência paradigmático

    • A singularidade da coisa percebida e sua inseparabilidade do ambiente ou horizonte
    • A condição ontológica de "tomar lugar" para tudo que se mostra como objeto de percepção
    • A fixação da intuição perceptiva pela inscrição em fronteiras determinadas, condição de existência para o determinado
    • A colaboração do olho e da mão na obra de determinação, confirmando a realidade pelos contornos
    • A impossibilidade de abstrair rigorosamente o objeto de seu contexto ou sentido contextual
    • A dualidade da distância visual: separadora, permitindo a visão, e ligadora, permitindo pôr as coisas juntas em um "chez soi" mais amplo
    • A não incompatibilidade entre ligar e desligar na percepção, análoga à relação entre descontínuo e contínuo
    • A percepção indissolúvel do objeto em seu horizonte, sem problema de passagem ou necessidade de mediação de um terceiro
    • O "ser-em" como pré-requisito que possibilita a inflexão para o contínuo ou descontínuo
    • A transitividade do "ser-em", permitindo transitar o objeto percebido do meio próximo ao horizonte mundial
    • A questão sobre se o mundo é percebido e em que título é indissociável da consciência perceptiva em virtude da transitividade
    • A interpretação do "ser-em" como exigência, em todo objeto, de uma pertença e uma inclusão que apela à totalidade de suas condições
  • A extensão da análise do "ser-em" para uma tópica da existência humana

    • A citação de Tomás de Aquino do verso paulino: "Nele, temos a vida, o movimento e o ser", estendida a todas as províncias da existência
    • A vida em comum como paradigma do "peixe em sua água", com a marca da origem marinha do vivente
    • A forma social da constante do "ser-em" na ordem humana
    • O problema contemporâneo da demora ou morada, substituindo a máxima "onde está teu coração, aí está teu tesouro" pela sensação de que "nosso coração não está em parte alguma"
    • A necessidade de precisar as múltiplas formas de "fazer parte" da existência em comum
    • A ilustração de duas possibilidades extremas de "ser-em" social
      • O vínculo tênue e exterior, como a conjunção acidental de indivíduos em um aeroporto ou metrô, análogo ao encontro dos átomos no vazio epicurista
      • O perfeito "ser-em" de uma sociedade autônoma e harmoniosa, como a imaginada em terras ameríndias, sem divisão do trabalho ou conflitos
    • A situação atual caracterizada pela atonia da vida social e o relaxamento dos laços tradicionais
    • A interpretação da crise não como niilismo ou doença orgânica, mas como crise de crescimento e disfunção perante a rapidez das mudanças
    • A questão sobre como evitar que os germes de juventude sejam comprometidos pelas incertezas e lentidões
  • A comunidade cristã primitiva como ilustração das virtudes reguladoras do "ser-em"

    • A recusa de vê-la como apologia de um momento paradisíaco ou remédio para os males atuais
    • A análise do linguagem neotestamentário joanino, abundante em expressões de tournura locativa
    • A definição do Evangelho de João como comentário narrativo da condição do Verbo, conjugando os verbes ser e ir (ou vir)
    • O agrupamento de textos em torno do "ser-em" e do "permanecer em"
      • Citações: "Esta glória que eu tinha junto de ti, antes que o mundo fosse"; "que minha alegria esteja em vós"; "todo ramo que, em mim, não dá fruto, ele (o Pai) o tira"; "permanecei em mim"; "se alguém não permanece em mim, é lançado fora como o ramo, seca"; "permanecei em meu amor"; "onde eu estou vós estareis também"
      • As expressões de reciprocidade: "Não credes que eu estou no Pai e que o Pai está em mim?"; "permanecei em mim como eu permaneço em vós"
      • A reciprocidade entre três termos: "Naquele dia conhecereis que eu estou em meu Pai e que vós estais em mim e eu em vós"; "que todos sejam um como tu, Pai, estás em mim e que eu estou em ti, que eles sejam um em nós também"
      • A sugestão da unidade substancial (consubstancialidade) pela reciprocidade da inclusão
    • A pergunta dos discípulos "Mestre, onde moras?" como questão inaugural
    • A distinção de nuances entre "estar (em)", "habitar" e "permanecer"
      • O "ser-em" como operação primordial de estar-lá
      • O "habitar" supondo uma ação, como o fruto do ramo inserido em seu lugar de vida
      • O "permanecer" acrescentando a perseverança, a duração e a conversão que se recorre ao fundamento
    • A substantividade koinonia como termo que designa a singularidade histórica, referindo-se tanto à comunhão quanto à comunidade
    • A koinonia como princípio de atração resumido no nome de Jesus, unindo os dois versantes joaninos do "ser-em"
    • As relações verticais (com, de, por) e horizontais entre os fiéis, concretizando os afetos da comunhão
    • O surgimento de tensões e divisões, como a queixa dos helenistas contra os hebreus pelas viúvas negligenciadas
    • A convocação da assembleia plena dos discípulos e a nomeação de diáconos para o serviço das mesas, esboçando uma divisão de trabalho entre "material" e "espiritual"
    • A conversão do "ser-em" em um "habitar" propriamente dito, cujo efeito é a "casa-Deus" da comunidade
    • A descrição do resultado: a multidão dos crentes tinha "um só coração e uma só alma", "nada considerando como propriedade", "tudo era comum" (panta koina)
    • A realização, em diferentes níveis, das múltiplas potências do "ser-em": unidade no nome de Jesus; união dos irmãos na fração do pão, na comunidade de bens, no trabalho de cada um
    • A citação conclusiva dos Atos dos Apóstolos: "Unânimes, iam ao templo; partiam o pão em suas casas, tomando o alimento com alegria e simplicidade de coração"
    • A caracterização da comunidade primitiva não como fusão unanimista, mas como pertença que não dissolve as singularidades, sob uma autoridade que se lembra do nome de Jesus
    • O distanciamento da grande Igreja universal e institucional da koinonia inicial, pela redução da intensidade compreensiva devido à extensão
  • A identificação do vínculo entre "ser-em" e preexistência na evocação da comunidade primitiva

    • A aproximação do "sublime imperfeito" "ele era" com a preexistência
    • A atribuição a Mestre Eckhart da prece de Jesus: "Pai, glorifica-me junto de ti com aquela glória que eu tinha junto de ti, antes que o mundo existisse"
    • A verdadeira memória como reminiscência de um eterno que é o lugar onde se situa, por inclusão e pertença, a empiria de nossos dias
    • A fórmula eckhartiana Deus sive locus (Deus ou lugar) e seu sentido ontológico
  • A afinidade ontológica entre o ser e o lugar segundo João Escoto Erígena

    • A citação do Periphyseon: "O lugar... constitui-se nas definições das coisas que podem ser definidas. Pois o lugar não é outra coisa senão a ambiência pela qual cada coisa se conclui (ou se inclui) dentro de seus próprios limites"
    • A concepção do "lugar natural" como termo e fim desejado por tudo que está nele, sem o qual pareceria flutuar no indefinido
    • A importância ontológica e "vital" do lugar natural, que afeta realmente a coisa que envolve, remetendo à ecologia
    • A subsistência das definições e essências em Deus como quasi-lugares, fazendo dele, por transposição metafórica, o tempo e lugar de todas as coisas
    • A função dos lugares paradisíacos da preexistência como exercitando as funções do "ser-em"
    • A reciprocidade entre o exemplar e a cópia: o homem terrestre está em sua eminência celeste, e a singularidade arquétipa está em sua individualidade empírica
    • A verificação dos enunciados sobre a koinonia para a singularidade ideal, com uma circulação sem fim entre seus polos
  • A dificuldade do despassamento da preexistência em direção ao Abgrund (abismo) em Eckhart

    • A objeção sobre a superação da preexistência da nobreza rumo à radicalidade de um abismo
    • A distinção de dois níveis na preexistência: o mundo inteligível dos arquétipos e o abismo para além ou aquém do "homem nobre"
    • A necessidade de uma reinterprepação do "ser-em" face a essa diferença
    • A razão para a passagem ao abismo: uma reflexão mais rigorosa sobre o "ser-em"
    • A limitação inerente ao lugar, ligada à determinação e à possibilidade de transgressão
    • O imperativo categórico do transitório: Oportet transire (É preciso passar), aplicado até mesmo a Deus como lugar
    • A divindade ou fundo da alma como hiperespaço indeterminado que assume as funções do "ser-em" em um novo modo, como último englobante
  • A persistência do problema do "ser-em" e da preexistência após a análise

    • A questão sobre o que resta da singularidade humana como lugar de passagem ou cruzamento das relações de pertença e inclusão, verticais e horizontais