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Corbin Teologia

"A Teologia da História das Religiões": a Época de Eranos e o Fim da História

Corbin pode ter sido, junto com Adolf Portmann, o ilustre biólogo suíço, o mais entusiástico impulsionador de Eranos em sua 'era de ouro', que vai de 1950 a 1975. Em 'A época de Eranos', um ensaio que ele publicou várias vezes, Corbin articulou talvez o manifesto mais enfático e comovente dos Eranos-Tagungen, como eram chamados pelos participantes. O final da história pode parecer de outra forma aqui, mas esse ensaio talvez o seu tratamento mais importante de uma teoria esotérica do tempo mergulha profundamente no problema da duração.

O fim real da história para Corbin foi encontrado na ressimbolização, o processo pelo qual indivíduos se afastaram da multidão e se tornaram verdadeiramente eles mesmos. No mundo dos símbolos não há nem antes nem depois. Esta simultaneidade abençoada, somente compreensível para aqueles que aprendem a interpretar os sinais, significa que aquele que acredita deve ser uma espécie de hermeneuta. E 'interpretando' os sinais, explicando não os fatos materiais mas os caminhos do ser, que se revelam os seres. A hermenêutica como ciência do indivíduo está em oposição à dialética histórica como alienação do indivíduo. Além de ser a vibrante expressão de um guerreiro frio e comprometido, na ofensiva contra a 'dialética histórica', Corbin revela aqui a base filosófica de seu ataque ao historicismo:

O passado e o futuro assim se tornam signos, porque um signo é percebido precisamente no presente. O passado deve ser 'colocado no presente' para ser percebido como 'representando um signo'. Em resumo, o total contraste está aqui. Com signos, hierofanias e teofanias, não há história a fazer. Pelo contrário, o sujeito que é ao mesmo tempo o órgão e o lugar da história, é a individualidade psicológica concreta. A única 'causalidade histórica' são as relações da vontade entre sujeitos que interagem.

Entretanto, foi em sua palestra de 1965 em Eranos que Corbin apresentou talvez sua declaração mais explícita do que pode ser chamado de escatologia de Eranos:

Podemos falar da ação configurativa do Espírito, da forma como uma tarefa a ser cumprida pelo Espírito (que é nosso tema em Eranos), com pleno significado apenas se tivermos espaço em que possamos projetar a totalidade desta forma. Tal espaço foi conhecido pelas religiões e pelas teologias tradicionais como a dimensão escatológica, em que a fonte do arco é encontrada — uma fonte que nunca será nossa enquanto ficarmos em busca da 'prova' científica.

É interessante observar que Corbin, mais de uma vez, atribuiu a Eliade a sua compreensão da 'teologia da História das Religiões'. Nas palestras de Eranos, uma parte do vocabulário técnico de Eliade, especialmente 'história cíclica' e 'teofania', começou a ser empregada por Corbin. Em IMAGINAÇÃO CRIATIVA NO SUFISMO DE IBN ARABI, o capítulo sobre teofania cita Eliade quatro vezes. E, ein sua última palestra em Eranos (bem mais do que 100 páginas e 294 notas de rodapé), A imagem do Templo em confronto com as normas seculares, a dicotomia entre sagrado e profano de Eliade é posicionada notadamente próxima àquilo que Corbin chamou de 'a chave para minha hermenêutica':

A história profana vê a humanidade como se ela tivesse criado a si mesma; a História é a criação que o homem contempla como sendo dele mesmo e da qual ele é o resultado. A história sagrada, ou hiero-história, se eleva novamente a eventos que são anteriores à existência do mundo, anteriores à destruição do Templo, porque é por este templo que fui criado e sua Imagem existe dentro de mim. Esta é a chave da minha hermenêutica, a norma sagrada que determina a ascensão de um mundo para outro.

O caráter intrinsecamente conflituoso desta missão não deve ser minimizado. A 'norma sagrada' é inteligível somente através da identificação da 'história profana', de modo que se possa ser liberado da sua escravidão para ascender de mundo a mundo. Isto é possível, por outro lado, somente na medida em que se possa dar nome ao Adversário, o Regente deste mundo. Para Corbin, um de seus inúmeros nomes era Ahriman.