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id da página: 1400 Mario Ferreira dos Santos|MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS TRATADO DE SIMBÓLICA Mário Ferreira dos Santos

Santos Símbolo Luz

luz

Estabelecia Goethe o seguinte quadro, onde surgem as três cores elementares:

Used in Santos Símbolo Luz

O azul, com o vermelho, nos dá o violeta. O amarelo com o vermelho ó laranja. O azul, com o amarelo, dá-nos o verde. Temos assim as seis cores: as três fundamentais e as três combinadas.



Por sua vez, o laranja, com o vermelho, dá o rosa; o alaranjado, com o amarelo, o amarelo-alaranjado; o amarelo com o verde, a cor de enxofre; o verde com o azul, o azul-esverdeado; o azul com o violeta, o azul-marinho; e o vermelho com o violeta, o púrpura, e o marron.

Do púrpura ao sufra, (cor de enxofre), temos as cores quentes; do sufra ao violeta, as cores frias.

As cores têm uma grande influência sobre nós, e a psicologia estuda o alcance dessa influência. E é tal, que já se institui uma cromoterapia, que é um modo de curar doenças nervosas através do emprego das cores.

Quanto ao significado universal das cores, podem acentuar-se os seguintes aspectos, que nos mostram o papel simbólico que elas realizam:

Azul — Símbolo da verdade, da lealdade, da serenidade. Cor do pensamento elevado, cor aristocrática, cor do manto da Virgem. Os gregos não usavam frequentemente nem o azul nem o verde. O azul apenas surgia nos triglifos dos templos, para dar profundidade. É a cor da profundidade, e o azul permite uma penetração mais longínqua do olhar. O azul é a cor dos mares, das montanhas distantes, do céu profundo, das distâncias. Pertence mais à atmosfera que às coisas, anula os corpos, dá a impressão das lonjuras. Símbolo também do infinito.

Vermelho — Cor do sangue, símbolo da vida. Simboliza atividade, combatividade, ardor, choque, símbolo da paixão imperiosa, do sentimento forte. Cor da sensibilidade, cor popular, símbolo de todos os sonhos rubros das revoluções. Cor excitante.

Púrpura — Cor dos mantos cardinalícios, cor da majestade, símbolo da realeza, da aristocracia dominante, dos mantos imperiais. Símbolo da autoridade, do mando, do poder (Cor que une os extremos).

Amarelo — Cor do mundo transcendente, clareado à inteligência humana. Cor da revelação que ilumina o espírito humano em trevas. Nas virtudes teologais, simboliza a fé. Nas virtudes mundanas, significa generosidade do coração, inspiração feliz, bom conselho. Na ordem dos vícios, simboliza o egoísmo orgulhoso. Se é amarelo pálido, simboliza decepção, traição, característica também do sufra. Nos vitrais Judas aparece vestido de amarelo pálido. É também a cor da luz, do ouro, da intuição.

Verde — Cor da natureza, da criação, do renascimento, também da vida. Simboliza revelação. Nas virtudes teologais é o símbolo da esperança. Símbolo do amor feliz, da alegria, da prosperidade. Em sentido negativo é degradação moral, desespero, loucura. É uma cor apaziguante, tranquilizadora, apassivadora. Por isso pode simbolizar submissão.

Branco — Embora não seja propriamente, uma cor, o branco reflete o absoluto, o triunfo dos eleitos, dos anjos. (Lembremo-nos da frase de São Paulo : Aquele que vencer estará vestido de branco). Cor de Cristo, dos pitagóricos, dos essênios. Nos sonhos, é comum surgir uma figura patriarcal, de longas barbas brancas, vestida de branco, que nos dá conselhos. Este símbolo é universal. Tem este significado até inclusive entre os povos de cor. Em todos os cultos, o supremo pontífice veste de branco. Opositivamente, pode simbolizar frieza, angústia, abandono.

As cores intermédias tem significações intermédias. É comum sentir-se, no violeta, símbolo do místico, um leve iluminar de luz sobre trevas. Também o violeta aparece como cor dos vencidos, mas não é símbolo universal. O preto é sempre símbolo lutuoso. É verdade que os chineses costumam vestir de branco quando da morte de um parente. Tal não significa que o branco seja cor da tristeza, da dor. É que os chineses consideram pessimisticamente esta vida, e veem na morte uma libertação. Morrer é salvar-se. Por isso, festejam a morte, e ao velarem os corpos dos amigos e parentes manifestam satisfação, dando parabéns aos parentes em vez de pêsames, ao inverso do que fazem os ocidentais.