Espírito separado

Um mestre de nome Avicena diz que a nobreza do espírito que permanece separado é tão grande que tudo o que ele contempla é verdadeiro, que tudo o que ele deseja lhe é concedido e que, o que quer que ele comande, deve-se obedecer. E deve-se saber em verdade: quando o espírito livre permanece em uma verdadeira separação, ele constrange Deus a vir para seu ser e se pudesse permanecer sem forma e sem nenhum acidente, tomaria o ser próprio de Deus. Ora Deus não pode dar este a ninguém a não ser a si mesmo; é por isso que Deus não pode fazer nada de mais pelo espírito separado do que se dar ele mesmo a ele. E o homem que assim permanece em uma total separação é tão transportado para a eternidade que nada de efêmero pode comovê-lo, que ele não experimenta nada do que é carnal, que é dito morto para o mundo pois não tem gosto por nada de terrestre. É o que pensava São Paulo quando diz: “Eu vivo, e no entanto não vivo: o Cristo vive em mim” (Gálatas 2, 20). (Von abegeschaidenheit, D.W. 5, p. 410, 7-411, 10. A.H. Traités, p. 163. Eckhart Tratados)


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