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A sistematização definitiva dos falasifa (filósofos) islâmicos deve-se à extraordinária obra de Abu 'Ali al-Husayn ibn 'Abd Allah ibn al-Hasan ibn 'Abd Ibn Sina, que nasceu na aldeia de Afsana, do povoado de Jarmaytan na província de Bujará (Turquestão), no mês de safar do ano 370 (agosto de 980). Desde a infância revelou inteligência extraordinária e precoce, estudando primeiro humanidades e o Alcorão; depois matemáticas, com um certo Isma'il al-Zahid; e, finalmente, filosofia, com Abu 'Abd-Allah al-Natili, lendo Porfirio, Euclides, Tolomeu, Aristoteles, Alexandro de Afrosisia e al-Farabi. Foi também notável médico, um dos maiores do Oriente, e à medicina — para cujo progresso contribuiu de modo extraordinário — deve seus êxitos profissionais mais célebres; aos vinte anos já era chamado a consulta por médicos e príncipes dos mais famosos do Oriente. Foi médico da câmara de Nuh ibn Mansur al-Samaní, governador do Hurasan, a quem curou de grave enfermidade. Percorreu todo o Oriente próximo, servindo a Abu 'Ali ibn Ma'mun ibn Muhammad, a Mayd al-Pawla e a Sams al-Dawla, de quem foi vizir. Aprisionado na fortaleza de Fardayán por ordem de Tay al-Mulk al-Dawla, escreveu ali a célebre História de Hay e ibn Yaqzan, logrando escapar vestido de sufi e passando a servir em Ispahan a 'Ala' al-Dawlat Abu Ya'far ibn Kakuya. Al-Yuzayánl, seu discípulo mais íntimo e fiel, descreve Ibn Sina como homem de constituição forte; mas o excesso de trabalho intelectual, político e médico, além de uma intensa vida cortesã e de prazeres, produziu-lhe enfermidade abdominal que o conduziu à morte quando ainda era relativamente jovem, numa sexta-feira do mês de ramadan do ano 428/1037, aos cinquenta e seis anos, sendo sepultado em Hamadan, onde possui duas tumbas: a medieval e a do milenário (1954).
A obra escrita de Ibn Sina é imensa, e sua bibliografia crítica permanece problema ainda complexo. Atribuem-se-lhe cerca de 242 títulos de obras, entre as quais se encontram oito enciclopédias ou compêndios e numerosos tratados de metafísica, lógica, psicologia, filosofia prática, teologia, ascética, mística, astronomia, música, medicina, matemáticas, gramática, retórica e poética.
Entre essas obras, as mais importantes são: A Cura (Sifa), traduzida em parte (metafísica e tratado De Anima) ao latim medieval, vasta enciclopédia de todo o saber; A Salvação (Nayat), compêndio posterior da anterior, também traduzido ao latim; O livro dos avisos (Kitab al-Isarat wa-l-Tanbihat), última grande obra completa, de grande importância para conhecer a evolução de seu pensamento; o Livro do juízo imparcial (K. al-Insaf); Princípios da Ciência para 'Ala' al-Dawla (Danis nameh al-'Alai); A lógica oriental (Mantiq al-Masriqiyyin), parte da Ciência oriental que não chegou a concluir. Devem ser citados também diversos pequenos tratados, de grande interesse para conhecer a evolução de seu pensamento, como Divisão das Ciências (Aqsam al-'Ulum), Sobre a substância preciosa (Bayan al-Yawhar al-Nafis), Compêndio das definições (Risalat al-Hudud), Os costumes (Al-Ajlaq), Compêndio sobre a política (Risala fi-l-Siyasa); os tratados O pássaro (Risalat al-Tayr), Hay e ibn Yaqzan, O amor (Isq) e História de Salaman e Absal; e comentários a diversas suras do Alcorao. Sua principal obra médica é o célebre Canon, principal fonte da medicina medieval. Miguel Cruz Hernández — História do pensamento no mundo islâmico
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