Quinze é o número do antagonismo e da catolicidade.
O cristianismo divide-se agora em duas Igrejas: a Igreja civilizadora e a Igreja bárbara, a Igreja progressista e a Igreja estacionária.
Uma é ativa, a outra é passiva; uma sempre condenou as nações e os governos, uma vez que os reis a temem; a outra submeteu-se a todos os despotismos e só pode ser um instrumento de servidão.
A Igreja ativa realiza Deus pelos homens e só ela crê na divindade do Verbo humano, intérprete do Verbo de Deus.
O que é, afinal de contas, a infalibilidade do papa, senão a autocracia da inteligência confirmada pelo sufrágio universal da fé?
A esse respeito, dir-se-á, o papa deveria ser o primeiro gênio de seu século. Por quê? É melhor, na realidade, que ele seja um espírito comum. Sua supremacia não é mais divina, porque é, de algum modo, mais humana.
Os acontecimentos não falam mais alto do que os rancores e as ignorâncias irreligiosas? Não vedes a França católica sustentar com uma mão o papado desfalecido e com a outra segurar a espada para combater na liderança do exército do progresso?
Católicos, israelitas, turcos, protestantes já combateram sob a mesma bandeira; o crescente uniu-se à cruz latina, e juntos lutamos contra a invasão dos bárbaros e contra sua embrutecida ortodoxia.
É para sempre um fato consumado. Ao admitir dogmas novos, a cátedra de São Pedro acaba de se pronunciar solenemente progressiva.
A pátria do cristianismo católico é a da ciência e das belas-artes, e o Verbo eterno do Evangelho vivo e encarnado numa autoridade visível é ainda a luz do mundo.
Silêncio pois aos fariseus da nova sinagoga! Silêncio às tradições odiosas da escola, ao presbiterianismo arrogante, ao jansenismo absurdo e a todas estas vergonhosas e supersticiosas interpretações do dogma eterno, tão justamente estigmatizadas pelo gênio impiedoso de Voltaire!
Voltaire e Napoleão morreram católicos. E será que sabeis o que deve ser o catolicismo do futuro?
Será o dogma evangélico posto à prova como ouro pela crítica dissolvente de Voltaire, e realizado no governo do mundo pelo gênio de um Napoleão cristão!
Os que não quiserem caminhar, os acontecimentos os arrastarão ou passarão sobre eles!
Imensas calamidades podem ainda pesar sobre o mundo. Os exércitos do Apocalipse um dia talvez desencadearão os quatro flagelos. O santuário será depurado. A santa e severa pobreza enviará seus apóstolos para sustentar todo aquele que cambalear, reanimar aquele que estiver fatigado e espalhar o óleo santo em todas as feridas!
O despotismo e a anarquia, esses dois monstros ávidos de sangue, dilacerar-se-ão e aniquilar-se-ão um ao outro depois de serem mutuamente sustentados, por pouco tempo, pelo próprio entrelaçamento de sua luta.
E o governo do futuro será aquele cujo modelo é mostrado na natureza pela família, no ideal religioso pela hierarquia dos pastores. Os eleitos devem reinar com Jesus Cristo durante mil anos, dizem as tradições apostólicas: ou seja, durante uma sequência de séculos, a inteligência e o amor dos homens de elite dedicados aos encargos do poder administrarão os interesses e os bens da família universal.
Então, segundo a promessa do Evangelho só haverá um rebanho e um pastor.