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id da página: 3337 Agostinho Imortalidade da Alma Agostinho

Agostinho Imortalidade da Alma

Agostinho de Hipona — A Imortalidade da Alma


Resumo do livro que reúne o conjunto de razões que sustentam a imortalidade da alma, como solução das dificuldades que se apresentam.

  • Primeira razão pela qual a alma é imortal: por ser sujeito da ciência, que é eterna.

    • A premissa de que a ciência existe em algum lugar e só pode residir em um ser vivo que existe eternamente.
    • A dedução de que o ser no qual a ciência reside deve viver para sempre.
    • A identificação do sujeito do raciocínio como sendo a alma humana.
    • A afirmação de que o raciocínio correto é impossível sem a ciência e de que a alma não pode subsistir sem ela, exceto quando dela está privada.
    • A confirmação de que a ciência existe na alma do homem, baseada no princípio de que o que existe não pode não existir em parte alguma.
    • A restrição de que a ciência só pode existir em um ser vivo, pois um ser inanimado não pode aprender.
    • A caracterização da ciência como eterna e imutável.
    • A prova da existência da ciência imutável através do exemplo geométrico da linha que atravessa o centro de um círculo.
    • O princípio de que nada no qual algo existe eternamente pode deixar de existir.
    • A atribuição do ato de raciocinar à alma, e não ao corpo, pois o ato de compreender requer afastar-se do corpo.
    • A constatação de que o objeto do entendimento é eterno e imutável, ao contrário das coisas corpóreas.
    • A conclusão de que o corpo não auxilia a alma na compreensão, podendo apenas não a obstruir.
    • A definição de raciocínio correto como o pensamento que parte do certo para descobrir o incerto.
    • A afirmação de que a alma possui em si mesma todo o conhecimento que detém, o qual pertence a uma ciência.
    • A definição de ciência como o conhecimento das coisas.
    • A conclusão final de que a alma humana vive sempre.
  • Segunda razão pela qual a alma é imortal: por ser sujeito da razão, que é imutável.

    • A premissa de que a razão ou é a alma ou existe na alma.
    • A afirmação de que a razão é superior ao corpo, que é uma substância, logo a razão também é algo.
    • A refutação da ideia de que a alma seja uma harmonia do corpo, pois uma harmonia é inseparável do seu sujeito e partilha da sua natureza mutável.
    • A caracterização do corpo humano como mutável e da razão como imutável.
    • A prova da imutabilidade da razão através de verdades matemáticas eternas, como a soma de dois e quatro ser seis.
    • O princípio de que o que é inseparável de um sujeito não pode permanecer imutável se o sujeito se modifica.
    • A conclusão de que a alma não pode ser a harmonia do corpo.
    • A afirmação de que coisas imutáveis não podem perecer.
    • A conclusão final de que a alma vive eternamente, seja ela própria a razão, seja a razão existindo nela de modo inseparável.
  • A substância viva e a alma, que não é suscetível de mudança, ainda sendo de algum modo capaz de mudar, é imortal.

    • A premissa sobre o poder de permanência, que é imutável e capaz de agir mesmo quando inativo.
    • A distinção de que nem tudo o que recebe ou causa movimento é mutável.
    • A afirmação de que tudo o que é movido por outro e não por si mesmo é mortal e, portanto, mutável.
    • A conclusão de que nem tudo o que causa movimento é mudado.
    • A necessidade de uma substância para que haja movimento, sendo que toda substância ou vive ou não vive.
    • A afirmação de que o que não vive carece de alma e, sem alma, não há ação.
    • A dedução de que o ser que causa movimento sem perder a imutabilidade é uma substância vivente.
    • A constatação de que essa substância vivente move o corpo através de vários graus.
    • A reafirmação de que nem tudo o que move o corpo é mutável.
    • A relação entre o movimento corporal e o tempo, que implica velocidade.
    • A existência de um motor que age no tempo sem se modificar.
    • A limitação do agente que, atuando no tempo, não pode realizar tudo de uma vez nem evitar múltiplas ações.
    • A impossibilidade de unidade perfeita em ações divisíveis, a menos que se trate de um corpo sem partes ou de um tempo sem intervalos.
    • A ilustração com o exemplo da sílaba, cujo fim não pode ser ouvido quando o começo já não se ouve.
    • A necessidade de previsão para a execução e de memória para a apreensão das ações no tempo.
    • A definição de previsão para o futuro e de memória para o passado.
    • A localização do propósito de agir no tempo presente, que media a passagem do futuro para o passado.
    • A impossibilidade de se aguardar o fim de um movimento sem a memória do seu início ou da sua existência.
    • A impossibilidade de um propósito presente sem a consideração de um fim futuro.
    • A natureza do que ainda não é ou já não é.
    • A possibilidade de existirem, numa ação, elementos que pertencem ao que ainda não é.
    • A capacidade do agente de conter múltiplas coisas, mesmo não as realizando todas de uma vez.
    • A distinção entre o que pode existir no motor e o que não pode existir no movido.
    • A sujeição ao cambio das coisas que não podem existir simultaneamente no tempo e que passam de futuro a passado.
  • Conclusão sobre a existência de um ser que causa movimento nas coisas mutáveis sem se cambiar.

    • A inferência de que pode haver um ser que causa movimento nas coisas mutáveis sem se modificar.
    • A legitimidade da conclusão, baseada na imutabilidade do propósito do agente que move um corpo em cambio.
    • O exemplo do propósito do obreiro, que permanece imutável enquanto move seus braços e a matéria-prima.
    • A refutação de que a alma, por causar movimento e propor mudanças no corpo, deva necessariamente mudar e estar sujeita à morte.
    • A capacidade da alma de unir, no seu propósito, a memória do passado e a previsão do futuro, funções inseparáveis da vida.
    • A distinção entre cambio e morte: nem todo cambio causa a morte, nem todo movimento realiza um cambio.
    • O exemplo do corpo humano, que recebe movimentos e muda com a idade sem estar morto.
    • A conclusão final de que a alma não é privada da vida, ainda que possa sofrer algum cambio pelo movimento.