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I. A Posição Central de Jesus Cristo como Critério e Referência
- Jesus Cristo é apresentado como a Pedra de Toque do carácter, o Mestre de todos os líderes espirituais e o Juiz supremo e infalível cujo veredito determina a verdade de qualquer sistema ou ensino religioso.
- A sua presença no Alcorão, com capítulos nomeados em sua referência, desafia naturalmente uma comparação entre Ele e Maomé, levantando a questão de como um dos maiores teólogos muçulmanos, Al-Ghazali, lidou com este desafio e que lugar concedeu a Jesus no seu pensamento e busca espiritual.
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II. As Fontes de Al-Ghazali para o Conhecimento de Jesus
- Não se encontra nas suas obras um relato conectado ou uma exposição sistemática da vida e dos ensinamentos de Jesus, sugerindo que o seu conhecimento era fragmentário.
- É provável que tenha tido acesso a tradições populares islâmicas sobre Jesus, como as contidas no "Kitab qusus al Anbiya" de Ath-Tha'labi, uma compilação de histórias frequentemente fabulosas.
- Surge a questão crucial sobre se Al-Ghazali teve acesso a traduções árabes ou persas da Bíblia, ou se o seu conhecimento foi obtido através de tradição oral e contacto com monges cristãos ou rabis judeus.
- Evidências internas, incluindo a frase "eu li no Evangelho" e citações próximas dos textos canónicos, sugerem fortemente que ele teve contacto directo com pelo menos partes dos Evangelhos, embora também incorpore material claramente apócrifo.
- O seu conhecimento do Antigo Testamento parece ter sido mais extenso do que o do Novo Testamento.
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III. A Cristologia de Al-Ghazali: Títulos e Atributos de Jesus
- Al-Ghazali atribui a Jesus os títulos corânicos usuais: Filho de Maria, Espírito de Deus, Palavra de Deus, Profeta e Apóstolo.
- No entanto, estes títulos são diluídos no contexto da crença islâmica de que existiram 124.000 profetas, colocando Jesus como mais um numa longa linhagem.
- Defende a sinlesse de Jesus, citando histórias que ilustram a sua rejeição ao diabo e a sua pureza desde o nascimento.
- Num argumento dirigido aos judeus, utiliza os milagres e ensinamentos de Jesus como prova do seu estatuto profético.
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IV. Narrativas e Histórias sobre a Vida e Carácter de Jesus
- São apresentadas diversas narrativas, tanto canónicas quanto apócrifas, que ilustram aspectos da vida de Jesus:
- A sua extrema pobreza, ascetismo e desapego total do mundo, possuindo apenas uma túnica de lã e vagueando sem lar.
- Os seus milagres, incluindo curas, caminhar sobre a água e ressuscitar animais, embora alguns relatos sejam considerados pueris.
- A sua gentileza e compaixão, exemplificadas em histórias onde elogia os dentes brancos de um cão morto em vez de se focar no seu mau cheiro, ou onde sauda um porco em paz para não habituar a língua ao mal.
- A sua humildade e rejeição do elogio humano, insistindo que as boas obras devem ser feitas em segredo.
- A sua humanidade, admitindo a incapacidade de estar completamente livre da ira.
- São apresentadas diversas narrativas, tanto canónicas quanto apócrifas, que ilustram aspectos da vida de Jesus:
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V. Os Ensinamentos de Jesus conforme Citados por Al-Ghazali
- São citados numerosos ditos de Jesus, muitos dos quais têm paralelos directos no Sermão da Montanha e noutras partes dos Evangelhos sinópticos:
- Exortações à humildade, à pureza de coração, à prática das bem-aventuranças e à priorização do Reino.
- Admoestações severas contra a hipocrisia dos líderes religiosos, comparando-os a pedras que tapam poços ou a peneiras que deixam passar a farinha boa.
- Ensino sobre a confiança na providência divina, usando a analogia dos pássaros que não semeiam nem colhem.
- A regra de ouro e o mandamento de amar os inimigos, oferecendo a outra face.
- A advertência sobre a dificuldade dos ricos entrarem no Reino dos Céus.
- Muitas outras sentenças de carácter sapiencial e ascético são atribuídas a Jesus, focando-se no desprezo pelo mundo, na mortificação do corpo e na importância da recordação de Deus.
- São citados numerosos ditos de Jesus, muitos dos quais têm paralelos directos no Sermão da Montanha e noutras partes dos Evangelhos sinópticos:
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VI. A Natureza do Amor a Deus e a Visão Beatífica
- A doutrina de Al-Ghazali sobre o amor a Deus e o desejo da visão beatífica apresenta notáveis paralelos com o pensamento cristão, especificamente com a ênfase joanina.
- Identifica sete sinais de amor a Deus, incluindo a ausência de medo da morte, a preferência por Deus sobre o mundo, a recordação constante de Deus e o amor pelos Seus amigos.
- Ensina que a visão de Deus é a suprema felicidade humana, acessível apenas aos puros de coração, uma afirmação que ecoa directamente as Bem-aventuranças.
- Reconhece uma afinidade entre Deus e o homem, citando o hadith "Deus criou o homem à Sua imagem", mas recua perante a doutrina da Encarnação, considerando-a um erro perigoso resultante de uma má compreensão desta afinidade.
- A sua teologia permanece numa tensão entre o desejo de proximidade com Deus e a adesão à doutrina islâmica ortodoxa da absoluta transcendência e incomparabilidade de Deus.
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VII. A Salvação para além do Islão: Uma Tensão Teológica
- A posição de Al-Ghazali sobre a salvação dos não-muçulmanos é ambígua e aparentemente contraditória.
- Num tratado ("Faisul Al-Tafriqa"), expressa uma visão notavelmente liberal, sugerindo que cristãos e outros que nunca receberam uma apresentação correcta e convincente da mensagem do Islão podem estar incluídos na misericórdia de Deus.
- Contudo, no final da "Ihya", endossa uma visão exclusivista, citando uma tradição que afirma que nenhum muçulmano entrará no fogo no Dia do Juízo, implicando que o inferno será preenchido por não-crentes, incluindo judeus e cristãos.
- Esta contradição reflecte provavelmente diferentes fases do seu pensamento ou a tensão entre o seu misticismo inclusivo e as exigências da ortodoxia dogmática.
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VIII. Conclusão: Al-Ghazali como Precursor ou Obstáculo?
- As citações e o tratamento de Jesus por Al-Ghazali serviram para introduzir a figura de Jesus no pensamento místico persa posterior, influenciando poetas como Jalal ad-Din Rumi.
- No entanto, a sua cristologia permanece firmemente enraizada no enquadramento islâmico: Jesus é um profeta venerável, um exemplo moral supremo e um taumaturgo, mas não o Filho de Deus encarnado ou o Salvador universal.
- A sua obra pode funcionar como um "aio" para levar muçulmanos sinceros a um apreço por Jesus, mas para uma compreensão plena da Sua pessoa e obra, é necessária a referência directa aos Evangelhos canónicos, agora amplamente disponíveis, em contraste com a época de Al-Ghazali.
- Os místicos do Islão, através de figuras como Al-Ghazali, aproximam-se do Reino de Deus ao buscarem uma experiência genuína do divino, mas a barreira final permanece a não aceitação de Jesus Cristo na plenitude da Sua identidade revelada nos Evangelhos.
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Sufismo – Algazel – Jesus