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id da página: 5633 Aristóteles Felicidade Aristóteles

Aristóteles Felicidade

ESTADOS — FELICIDADE


VIDE: MAKARIOTES

Filosofia Antiga

Aristóteles: Ética a Nicômaco, I, 1095 a 14-28, 1095 b 14 — 1906 a 10.)

Voltando a nosso tema, visto que todo conhecimento e toda escolha desejam algum bem, digamos qual é aquele que a política aspira e qual é o supremo entre todos os bens que se podem realizar. Quase todo o mundo está de acordo quanto a seu nome, pois tanto a multidão quanto os refinados dizem que é a felicidade, e admitem que viver bem e obrar bem é o mesmo que ser feliz. Porém ao perguntar-se que é a felicidade, duvidam e não o explicam do mesmo modo o vulgo e os sábios. Pois uns creem que é alguma das coisas visíveis e manifestas, como o prazer ou a riqueza ou as honrarias; outros, outra coisa; amiúde, inclusive a mesma pessoa opina coisas diferentes: se está enfermo, a saúde; se é pobre, a riqueza; os que têm consciência de sua ignorância admiram os que dizem algo grande e que está acima de seu alcance. Porém alguns creem que, à parte de toda esta multidão de bens, há algum que é bom por si mesmo e que é a causa de que todos aqueles sejam bens. (...)

Parece que não sem razão se entende o bem e a felicidade segundo as diferentes vidas. A massa e os mais grosseiros creem que é o prazer, e por isto se contentam com a vida voluptuosa. Pois são três os principais modos de vida: a que acabamos de dizer, a política e, em terceiro lugar, a teorética. Os homens vulgares parecem completamente servis ao preferirem a vida dos animais, e merecem que se fale deles porque muitos dos que alcançaram as dignidades imitam em suas paixões Sardanápalo. Pelo contrário, os homens refinados e ativos preferem as honras, pois vem a ser este o fim da vida política. Mas parece ser mais trivial que o que procuramos, pois está mais nos que concedem as honras do que no honrado, e opinamos que o bem é algo próprio e difícil de ser arrebatado. Por outro lado, parecem ir ao encalço das honras para se persuadirem a si mesmos de que têm mérito, pois procuram a estima dos homens sensatos de quem são conhecidos, e fundada na virtude: é evidente, portanto, que inclusive para estes homens a virtude é superior.

Poder-se-á supor que esta seja o fim da vida política; parece, porém, que também ela é insuficiente, pois se afigura possível que o que possui a virtude durma e esteja inativo durante toda sua vida, e além disto padeça grandes males e os maiores infortúnios; e ninguém julgará feliz aquele que vivesse assim, a não ser para defender essa tese. E basta acerca destas coisas, pois já falamos suficientemente delas em nossos escritos enciclopédicos. O terceiro modo de vida é o teorético, que examinaremos mais adiante. Quanto à vida de negócios, possui certa violência, e é evidente que a riqueza não é o bem que procuramos, pois só é útil para outras coisas. Por esta razão se admitiriam mais os fins antes mencionados, pois estes são amados por si mesmos; mas parece que tampouco o são, embora sobre eles se hajam acumulado muitas razões. Deixemos porém estas coisas.