BURCKHARDT, Titus. La civilización hispano-árabe. Tradução: Rosa Khune Brabant. Madrid: Alianza, 1992
Prefácio
Para compreender uma civilização é necessário amá-la, e isso somente se alcança por meio dos valores permanentes, de validade universal, que ela implica. Esses valores costumam coincidir, em essência, em todas as culturas autênticas, isto é, em todas aquelas culturas que não se limitam a servir ao bem-estar físico, mas que se preocupam com o homem total, enraizado no eterno. Sem tais valores, a vida carece de sentido.
A civilização árabe na Espanha perdurou por cerca de oito séculos e meio, desde a época dos merovíngios até o Renascimento. Uma exposição coerente de sua história encheria facilmente vários volumes. Por isso, o que aqui se oferece não são senão alguns poucos aspectos ou segmentos, escolhidos com vistas àqueles valores precisos que não possuem apenas importância histórica.
Em lugar de se falar em civilização “moura”, dever-se-ia referir mais corretamente à civilização “árabe” na Espanha, uma vez que sua língua dominante era o árabe, ou então à civilização “islâmica”, pois, de fato, pertence ao mundo do Islã. Emprega-se o termo “moura” seguindo um costume inveterado que tem origem no fato de que os conquistadores muçulmanos eram chamados pelos espanhóis de “mouros”, isto é, “mauros” ou “mauritanos”. Em sentido estrito, não existe uma civilização “moura”, assim como tampouco existe uma arquitetura “gótica”; no entanto, o termo “mouro” passou a ser, de fato, equivalente a árabe-islâmico: na linguagem comum, os mouros são simplesmente magrebinos, ou seja, habitantes do Magreb, o “ocidente” do mundo islâmico, que se estende desde a Espanha até a Tunísia e representa, de fato, um ciclo cultural uniforme.
ÍNDICE
Córdoba
As religiões e as raças
O califado
A cidade
Céu e terra
Língua e criação literária
O amor cavalheresco
Jogo de xadrez pela Espanha
A visão filosófica do mundo
Fé e ciência
A mística
Toledo
Granada
Cronologia