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id da página: 12507 Elorduy – Incognoscibilidade Tao

Chuang Tzu Incognoscibilidade Tao Elorduy

TaoChuang TzuElorduy – Incognoscibilidade Tao

ELORDUY, Carmelo. Chuang- Tzu. Análisis y traducción Carmelo Elorduy. Caracas: Monte Avila Editores, 1991

Se a realidade do Tao é a rocha na qual se assenta toda a doutrina taoista, sua alta transcendência é uma das verdades que mais se repetem começando por Lao-tse. Esta transcendência vem expressa: a) por sua incognoscibilidade; b) por sua inefabilidade e seu anonimato; c) sua distinção dos seres restantes; d) sua infinitude. É incognoscível, não só para os sentidos, mas também para o entendimento. Só pode percebê-Lo o espírito despojado de todo conhecimento. Por ser Ele diferente de todos os seres, não se pode denominá-Lo com nome ou apelativo algum próprio destes. Por isso se O designa com nomes negativos - o nada, o não ser, etc. Afirma-se d'Ele que, apesar de fazer as coisas e estar imanente a todas elas, Ele mesmo não é coisa. Em sua infinitude, Ele rebasa e remonta todos os seres e sua pátria verdadeira é precisamente a pureza do vazio sem seres. Vejam-se as citações seguintes que declaram abundante e claramente este atributo do Tao. Lao Tzu diz:

"Chama-se-Lhe invisível porque os olhos não O podem ver, imperceptível porque os ouvidos não O podem ouvir. Impalpável porque não se O pode apreender... De frente não Lhe vês a face, e por detrás não Lhe vês as costas" c. 14. "Entender o Tao é escuridão" c. 41. Ele é a Forma (que plasma todas as formas), mas não tem forma c. 14. "É o arcano de todos os seres" c. 62.


No primeiro capítulo, começa dizendo que não tem nome e o repete muitas vezes. Cfr. c. 14, 25, 32, 41.

Chuang-tzu não é menos explícito. No c. 11 p. 74, 6 lemos:

"Vem e eu te ensinarei o mais alto Tao. A essência do mais alto Tao é profunda e obscura. O mais encoberto do Tao é escuro e silencioso".


Na boca do legendário imperador Sh'en Nung põe este elogio:

"O ouvido não percebe sua voz, o olho não percebe sua figura. Enche Céus e Terra e envolve os seis pontos espaciais (os 4 cardeais mais os 2 verticais). Tu quiseste ouvi-Lo e não O percebeste, por isso ficaste aturdido" c. 14 p. 101,5.


É no c. 22 onde especialmente se aborda o tema da cognoscibilidade do Tao. Para não embaraçar-se neste capítulo, há que ter em conta que o Tao é aqui, ao mesmo tempo, a verdade imanente aos seres e a Verdade transcendente.

Inteligência pergunta a Silêncio sobre a natureza do Tao. Ao não achar resposta nele, pergunta ao imperador Huang Ti. Este lhe responde: "Quando nada pensares e nada raciocinares, é quando começas a entender o Tao. Quando em nada fizeres assento e não te ocupares em nada, é quando te assentas no Tao. Quando não seguires direção alguma e não levares caminho algum, é quando começas a te possuir do Tao. Inteligência lhe diz: Eu e tu cremos que O entendemos. Fulano e Beltrano dizem que não O conhecem, quem de nós está na verdade? Huang Ti responde: Silêncio está na verdade... Eu e tu não acertamos, estamos longe. Quem O conhece não fala, quem fala não O conhece. Assim o Santo pratica o ensino calado. O Tao é inatingível e o Te (a Virtude) tampouco pode ser alcançada" c. 22 p. 153.


Ali mesmo na p. 159, 11:

"O que seria se houvesse compreendido o Tao? Olhas e não vês sua forma, escutas e não percebes sua voz. Os que tratam d'Ele O chamam tenebroso, mas quanto dizem do Tao não é o mesmo Tao."


A seguir introduz à Grande Pureza que pergunta a Infinito sobre o conhecimento do Tao:

"Vossa Mercê conhece o Tao? Infinito lhe contesta: Eu não O conheço. Depois pergunta a Inoperância. Este contesta que conhece o Tao... Eu sei do Tao que pode ser eminente e pode ser vil, pode contrair-se e pode difundir-se... Grande Pureza foi perguntar a Sem Princípio. Entre Infinito que ignora e Inoperância que conhece, quem está no certo? Sem Princípio lhe contesta: A Inoperância penetra mais adentro e o conhecimento é mais superficial. Então Grande Pureza exclama: Ignorá-Lo não é acaso conhecê-Lo; conhecê-Lo não é acaso ignorá-Lo? Quem poderia lograr a sabedoria da ignorância? Sem Princípio disse: O Tao não pode ser percebido, o que se percebe não é; o Tao não pode ser visto, o que se vê não é; o Tao não pode ser expresso com palavras, o que se expressa com palavras não é. Sabes que o que dá figura ao figurado, Ele não é figura? O Tao é inominável. Quem, ao ser perguntado sobre o Tao, tenta responder, ignora o que é o Tao."


No c. 25 p. 193, 13:

"Tudo quanto pode expressar as palavras e alcançar o entendimento são coisas e nada mais",


Pouco depois:

"Pode-se falar d'Ele. Pode ser objeto de nosso pensamento, mas na realidade, quanto mais se fala d'Ele, mais se afasta".


A esta atitude de deter-se e calar-se ante o que se ignora chama Chuang-tzu, com muita razão, "sabedoria suprema" c. 23 p. 168, 9 e acrescenta: "Ao que não se conduz assim, a roda do Céu (a lei do Céu) o desbaratará."

Não é esta uma atitude de inibição agnóstica ante o ignorado, senão o reconhecimento humilde do limitado de sua própria inteligência inadequada para apreender a infinitude do Tao. "A grande sabedoria chega a entrar naquele mundo, mas não chega a ver seu término" c. 22 p. 158, 10. Ao contrário, Chuang Tzu exorta a avançar ao desconhecido apoiando-se no conhecido c. 24 p. 184, 18:

"Os pés pisam o solo; mas não está naquilo que pisam, senão naquilo que não pisam, o que os faz progredir. Assim também aquilo que o homem conhece é pouco; mas embora seja pouco, pode, apoiado nisso que ignora, conhecer o que o Céu lhe diz. Conhece a Grande Unidade. Conhece a Grande Yin (escuridão). Conhece o Grande Olho. Conhece a Grande Igualdade (justiça). Conhece a Grande Forma. Conhece a Grande Verdade. Conhece a Grande Estabilização...

"No término (das coisas) está o Céu. Seguindo-O chega-se à Clareza. Na Escuridão se acha a dobradiça e ponto cardinal. No começo de tudo está Ele. Explicá-Lo é igual a não explicá-Lo. Conhecê-Lo é como não conhecê-Lo. O não conhecê-Lo é já conhecê-Lo. Sua investigação não pode ter término (n'Ele) e não pode não ter término (em nós). Naquele caos existe uma realidade. Desde a antiguidade até os tempos atuais permanece invariável. Não pode faltar. Não é isto o que pode ser denominado a Grandeza Incontrastável? Por que não investigá-Lo? Por que vacilar e não resolver a dúvida? Com a certeza se resolve a dúvida e se volta à segurança. Isto é ter em grande estima a Grande Certeza."