ELORDUY, Carmelo. Chuang- Tzu. Análisis y traducción Carmelo Elorduy. Caracas: Monte Avila Editores, 1991
Se a realidade do Tao é a rocha na qual se assenta toda a doutrina taoista, sua alta transcendência é uma das verdades que mais se repetem começando por Lao-tse. Esta transcendência vem expressa: a) por sua incognoscibilidade; b) por sua inefabilidade e seu anonimato; c) sua distinção dos seres restantes; d) sua infinitude. É incognoscível, não só para os sentidos, mas também para o entendimento. Só pode percebê-Lo o espírito despojado de todo conhecimento. Por ser Ele diferente de todos os seres, não se pode denominá-Lo com nome ou apelativo algum próprio destes. Por isso se O designa com nomes negativos - o nada, o não ser, etc. Afirma-se d'Ele que, apesar de fazer as coisas e estar imanente a todas elas, Ele mesmo não é coisa. Em sua infinitude, Ele rebasa e remonta todos os seres e sua pátria verdadeira é precisamente a pureza do vazio sem seres. Vejam-se as citações seguintes que declaram abundante e claramente este atributo do Tao. Lao Tzu diz:
No primeiro capítulo, começa dizendo que não tem nome e o repete muitas vezes. Cfr. c. 14, 25, 32, 41.
Chuang-tzu não é menos explícito. No c. 11 p. 74, 6 lemos:
Na boca do legendário imperador Sh'en Nung põe este elogio:
É no c. 22 onde especialmente se aborda o tema da cognoscibilidade do Tao. Para não embaraçar-se neste capítulo, há que ter em conta que o Tao é aqui, ao mesmo tempo, a verdade imanente aos seres e a Verdade transcendente.
Ali mesmo na p. 159, 11:
A seguir introduz à Grande Pureza que pergunta a Infinito sobre o conhecimento do Tao:
No c. 25 p. 193, 13:
Pouco depois:
A esta atitude de deter-se e calar-se ante o que se ignora chama Chuang-tzu, com muita razão, "sabedoria suprema" c. 23 p. 168, 9 e acrescenta: "Ao que não se conduz assim, a roda do Céu (a lei do Céu) o desbaratará."
Não é esta uma atitude de inibição agnóstica ante o ignorado, senão o reconhecimento humilde do limitado de sua própria inteligência inadequada para apreender a infinitude do Tao. "A grande sabedoria chega a entrar naquele mundo, mas não chega a ver seu término" c. 22 p. 158, 10. Ao contrário, Chuang Tzu exorta a avançar ao desconhecido apoiando-se no conhecido c. 24 p. 184, 18:
"Os pés pisam o solo; mas não está naquilo que pisam, senão naquilo que não pisam, o que os faz progredir. Assim também aquilo que o homem conhece é pouco; mas embora seja pouco, pode, apoiado nisso que ignora, conhecer o que o Céu lhe diz. Conhece a Grande Unidade. Conhece a Grande Yin (escuridão). Conhece o Grande Olho. Conhece a Grande Igualdade (justiça). Conhece a Grande Forma. Conhece a Grande Verdade. Conhece a Grande Estabilização...
"No término (das coisas) está o Céu. Seguindo-O chega-se à Clareza. Na Escuridão se acha a dobradiça e ponto cardinal. No começo de tudo está Ele. Explicá-Lo é igual a não explicá-Lo. Conhecê-Lo é como não conhecê-Lo. O não conhecê-Lo é já conhecê-Lo. Sua investigação não pode ter término (n'Ele) e não pode não ter término (em nós). Naquele caos existe uma realidade. Desde a antiguidade até os tempos atuais permanece invariável. Não pode faltar. Não é isto o que pode ser denominado a Grandeza Incontrastável? Por que não investigá-Lo? Por que vacilar e não resolver a dúvida? Com a certeza se resolve a dúvida e se volta à segurança. Isto é ter em grande estima a Grande Certeza."