Ananda Coomaraswamy: A RESPEITO DE MANTER-SE NO JUÍZO PERFEITO
Em outras palavras, o "grande compreensão" é uma espécie de síntese e acordo (do sânscrito samdhi, samadhi, samjnana) pelo qual o nosso conflito interno é resolvido ou, como os textos sanscríticos também dizem, nos quais "todos os nós da terra são desfeitos". Se perguntarmos que tipo de acordo é esse, a resposta é evidente: unanimidade (homonoia) entre a nossa melhor e pior parte, ou seja, entre a nossa parte humana e a divina, quanto a saber qual delas deve governar (Platão, República, 432C); "assimilação do ser que sabe com a coisa a ser sabida", de acordo com a natureza arquetípica, e passar a "existir nessa semelhança" (Platão, Timeu, 90D; compare com Bhagavad Gita XIII. 12-18, jneyan... anadimatparam brahma...), "semelhança essa que começa a ser formada de novo em nós" (Santo Agostinho, De Spir. et lit. 37); con-scientia com a nossa parte divina, quando as duas partes da alma mortal foram acalmadas e a terceira parte dessa alma está tão comovida que estamos "de uma só mente com o nosso Eu real", obtendo assim o conhecimento verdadeiro em lugar da nossa opinião (República, 571, 572). Em termos indianos, isto também significa o acordo marital ou uma unanimidade do eu elementar (bhutatman, sarira atmarí) com o Espírito solar presciente (prajnatman, asarira atman) numa união que transcende a percepção ou consciência de um dentro e de um fora (Brhadaranyaka Upanixade IV.3.21); em outras palavras, é a fusão do Rei Exterior com o Sábio Interior, do Regnum com o Sacerdotium.