Jacques Masui: L'Expérience spirituelle de Daumal et l'Inde
Daumal poeta, concedia uma grande importância à linguagem. Encontrou no sânscrito não somente a língua lhe permitindo chegar diretamente aos textos que tinha necessidade, mas também a língua que, por excelência, exprime da maneira mais concreta, as realidades espirituais. Não se deve duvidar que o profundo conhecimento que dela adquiriu, o ajudou fortemente a se aproximar destas realidades e a fazê-las viver nele.
Em várias ocasiões, me escreveu que considerava a língua sânscrita como o monumento principal da Índia. Deixou claro seu pensamento a este respeito em uma carta inédita a A. Rolland de Renéville, da qual extraímos a seguinte passagem:
A maneira que Daumal pensava que se deveria traduzir as velhas escrituras védicas é muito interessante. Ele a explicava em uma nota que acompanha seu esboço de tradução da Mandala XI do Rig-Veda. Resumidamente, ele dizia que devemos nos aproximar destes textos com uma mentalidade ingênua e não aí introduzir nossas categorias mentais de homem ocidental do século XX. Ele considerava o Veda como relatos de crianças mas de crianças salvas, espontaneamente iluminadas; nas quais a Memória falava pela primeira vez. Portanto, é preciso traduzir o mais simplesmente possível e não perdendo jamais de vista que estes escritos não demonstram um conhecimento intelectual.
Depois do estudo da língua sânscrita (que contou com a ajuda de Philippe Lavastine) abordou sua retórica e aí também fez descobertas que sacudiram todas as noções aprendidas em Aristóteles. Para todas as disciplinas, o hindu, na época clássica, se prepara longamente mesmo se não tem senão uma única palavra a proferir. É a natureza desta preparação do tom, onde se deve engajar por inteiro, que apaixonava Daumal. Ensaiou fazer compreender a seu amigo íntimo André Rolland de Renéville (v. Produção Literária), em que consistia esta preparação no domínio literário, desejando utilizar as regras sânscritas para seus próprios escritos.