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id da página: 6455 Gnosticismo – Década de Eones

Decada de Eones

DÉCADA



Guillermo Fraile. História da Filosofia

La década (mundo inteligible, kosmos noetos). La pareja logos-zoe (v. Ogdóade) dio origen a una década de eones, que son:

a) bythius-mixis;

b) ageratos-henosis;

c) autophyes-hedoné;

d) acinetos-syncrasis;

e) monogenes-macaria.


IGNACIO GÓMEZ DE LIAÑO. EL CIRCULO DE LA SABIDURÍA

Década à Dodécada. Magistério do Cristo pleromático e unção do Espírito

Após a série eônica primordial da Ogdóada, dever-se-ia aguardar a emissão da Dodécada pneumática (a ulterior, de Prounico, é apenas psíquica, isto é, a Dodécada da Oitava Esfera cósmica). Contudo, entre os valentinianos encontra-se uma variação que é mais aparente que real. Primeiro é emitida a Década, e depois a Dodécada. Poder-se-ia pensar que se trata, na realidade, de duas Dodécadas, pois imediatamente após acrescentam-se à Década dois eons (Cristo e Espírito Santo), com o que se cumpriria a regra diagramática que exige a emissão da Dupla Dodécada, ainda que neste caso se tratasse de duas Dodécadas pneumáticas. Mas logo ver-se-á que não é assim. Antes de apressar a análise, consideremos a exposição de Ireneu:

«Logos e Vida, depois de emitir Homem e Igreja, emitiram outros Dez eons, cujos nomes são: Profundo e Mistura, Inmarcescível e União, Genuíno e Prazer, Imóvel e Comunhão, Unigênito e Beata. ... Por sua parte, Homem em união com Igreja emitiu Doze eons: Paráclito e Fé, Paternal e Esperança, Maternal e Caridade, Intelecto Perdurável e Entendimento, Eclesial e Beatitude, Desejado e Sofia» (Adv. haer. I 1,2).

Após a perturbação causada pelo comportamento do eon mais jovem da Dodécada, Sofia, «o Unigênito emitiu ainda outro consórcio ...: Cristo e Espírito Santo, para fixação e consolidação do Pleroma; por eles ficou restabelecida a ordem entre os eons» (I 2, 5).

Enquanto os eons da Década foram emitidos por Logos-Vida, os dois últimos desse plano, Cristo-Espírito Santo, destinados a ordenar o Pleroma, procedem de um nível mais elevado, já que são emitidos pelo próprio Unigênito (que é a raiz da Primeira Tétrada). Isto não só enfatiza sua importância, mas coloca Cristo e Espírito Santo em igualdade de condições com Logos e Vida. Dir-se-ia, pois, que Cristo e Espírito Santo são heterônimos de Logos e Vida, e que representam, em relação à conformação do Pleroma, o que estes significam em relação à sua geração. Mas como interpretar a numerologia da Década? Há duas interpretações possíveis.

Segundo a primeira, estabelece-se uma dupla Dodécada pneumática:

A primeira Dodécada está formada por (a) Cristo e Espírito Santo, emitidos por Unigênito e Verdade, mais (b) os outros Dez eons, emitidos por Logos e Vida.

A segunda Dodécada consta dos doze eons emitidos por Homem e Igreja, sendo Sofia o último e culminante da série; esta Dodécada servirá de «acompanhamento» a Cristo com vistas à dispensação exterior ao Pleroma, pois seu último eon, Sofia, é o causador imediato da suscitação cósmica.

Segundo a segunda interpretação, que é sem dúvida a correta, a Década de eons não deve ser vista de modo algum como Dodécada, mas como uma Década estrita, à maneira como se via no AJ a Década de eons superiores do Pleroma, chamados expressamente Década e Dupla Pêntada.

Segundo isto, a Década emitida por B5 Logos e B6 Vida (BB1 Profundo e BB2 Mistura, BB3 Inmarcescível e BB4 União, BB5 Genuíno e BB6 Prazer, BB7 Imóvel e BB8 Comunhão, Unigênito e Beata) abarca quatro pares que devem ser situados nos pontos de um quadrado imaginário, estando o último (Unigênito e Beata) no centro, já que nele culmina a série. Deste modo expressa-se a ideia de que o centro do diagrama está qualificado por Unigênito e Beata, o que é muito congruente com a sicigia Cristo e Espírito Santo, que deve situar-se também no centro do diagrama, como expressão pessoal da Mônada infigurável em Unigênito-Verdade. Esta interpretação é corroborada pelo sistema dos ofitas, segundo o qual Cristo, tão logo gerado pelo conúbio do Primeiro Homem, Segundo Homem e Primeira Mulher, «foi arrebatado sem demora junto com sua mãe ao Eon incorruptível» (Adv. haer. I 30, 2).

Conforme esta segunda interpretação, que é, em minha opinião, a correta:

(a) No centro do diagrama está a sicigia de Cristo e Espírito Santo em Unigênito (= Intelecto e Verdade), qualificados por Unigênito e Beata (nono e décimo eons da Década).

(b) Em torno há duas Ogdóadas, sendo a primeira (com suas duas Tétradas) a do Pai-Unigênito e a segunda (que começa com Profundo e Mistura e termina com Imóvel e Comunhão) a de Cristo, assimilado assim a Logos e Vida.

Vejamo-lo de forma esquemática:

Centro:

Cristo e Espírito Santo em Unigênito (Intelecto-Verdade), qualificados por Unigênito e Beata.

Primeira Tétrada (com a Década adicionada):

(1a) Abismo Profundo, (2a) Intelecto Inmarcescível, (3a) Logos Genuíno, (4a) Homem Imóvel.

Segunda Tétrada (com a Década adicionada):

(1b) Pensamento Mistura, (2b) Verdade União, (3b) Vida Prazer, (4b) Igreja Comunhão.