MAÎTRE ECKHART. Et ce néant était Dieu... : Sermons LXI à XC. Paris: Albin Michel, 2000
ES60<= Sermão LXI – Misericordia Domini plena est terra =>ES62
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Exegese trinitária nas Escrituras segundo a interpretação de Santo Agostinho
- A afirmação do Rei David de que "o reino terrestre está cheio da misericórdia de Nosso Senhor" e a explicação de Santo Agostinho de que isto se deve à presença de lamentação e pena, as quais estão ausentes no reino celestial.
- A segunda afirmação do Rei David de que "os céus estão afirmados pela força da Palavra de Nosso Senhor, e é pelo espírito de sua boca que está toda a sua força", a qual Santo Agostinho interpreta referindo-se à Santíssima Trindade.
- A atribuição da potência ao Pai na frase "os céus estão afirmados", da sabedoria ao Filho na menção à "Palavra do Pai", e da bondade ao Espírito Santo na expressão "pelo espírito de sua boca".
- A experiência de São Paulo, que, tendo sido arrebatado ao terceiro céu e visto coisas inefáveis, exclamou: "Ó tu, riqueza sublime da sabedoria e do conhecimento de Deus, quão incompreensíveis são os teus juízos, e quão totalmente insondáveis são os teus caminhos!".
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A doutrina do triplo conhecimento da alma, conforme exposta por Santo Agostinho a partir do arrebatamento de São Paulo ao terceiro céu
- O primeiro céu como conhecimento das criaturas, apreendido pelos cinco sentidos e por coisas presentes ao homem, considerado grosseiro e insuficiente para conhecer Deus plenamente.
- O segundo céu como conhecimento mais espiritual, que pode ocorrer sem presença física, mas que ainda requer sinais exteriores como vestes, silhueta, espaço e tempo, permanecendo material e inadequado para conhecer Deus.
- O terceiro céu como conhecimento limpidamente espiritual, no qual a alma é arrebatada de todas as coisas presentes e corpóreas, onde se ouve sem som e se conhece sem matéria, e onde a alma conhece Deus totalmente tal como Ele é uno na sua natureza e trino nas suas Pessoas.
- A confirmação desta doutrina pela palavra de São João: "A luz ilumina todos os que vêm a este mundo", a qual se refere àquela conhecimento límpido em que ele se encontrava e não a este mundo grosseiro.
- A afirmação de que, naquele estado, São João "não conhecia nada senão Deus e todas as coisas divinamente", e que somente os que alcançam esse conhecimento se encontram verdadeiramente iluminados.
- A conclusão de Santo Agostinho sobre o prólogo de São João – "a Palavra estava no princípio, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus" – de que, se o evangelista tivesse dito algo mais, ninguém o poderia ter compreendido.
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As quatro propriedades do céu que devem ser imitadas pelo homem para que se torne morada de Deus
- A firmeza do céu, que deve corresponder à constância do homem de bem, cuja vontade é una com a de Deus, para quem "mal e bem, alegria e dor, tudo lhe é um".
- A citação de Nosso Senhor: "Quando a casa é construída sobre uma rocha, ela não desaba".
- A observação natural sobre a calma existente a duas ou três milhas acima da terra, sem chuva, granizo ou vento, como referência para notar o quanto o homem, devido aos seus pecados, se afastou de Deus, mudando e entristecendo-se facilmente.
- A pureza e a limpidez do céu, ilustradas pela analogia da água: quando turva, não reflete; quando límpida, reflete perfeitamente, tal como o homem, enquanto misturado com coisas terrestres, não pode conhecer a própria pureza nem a limpidez de Deus.
- A citação do profeta: "Mas a nossa pureza, em relação à limpidez de Deus, é como uma impureza".
- A explicação de São Bernardo sobre a incapacidade de outros membros, como a mão, de conhecer o sol como o olho, devido à falta de limpidez e à ordenação própria de cada faculdade, aplicando-se analogicamente ao homem carnal, que não pode conhecer as coisas espirituais com sentidos carnais.
- O ensinamento de um mestre pagão de que o homem bom, durante metade do tempo – no sono – é uno com o pecador, exceto pelos sonhos, que são um sinal de pureza: sonhar com coisas boas indica vitória sobre o mal, combater com algo mau no sonho indica que foi vencido na vigília, e ter amor por algo mau no sonho indica que ainda não foi vencido.
- A capacidade do céu de conter e guardar todas as coisas em si, a qual o homem pode ter no amor, amando os amigos em Deus, os inimigos por Deus, e toda a criação em vista de Deus Nosso Senhor, na medida em que o impele para Ele.
- A fecundidade do céu, que presta assistência para todas as obras, operando mais do que o carpinteiro que constrói ou edifica uma casa.
- O céu como trono de Nosso Senhor, conforme a Escritura: "o céu é o seu trono e a terra o seu escabelo".
- O ensinamento de um mestre pagão de que, não havendo tempo, lugar ou matéria, tudo seria um só ser, sendo a matéria que diferencia o ser uno que na alma é igual.
- O anseio da alma expresso no Livro do Amor: "Imprime-me em ti como a cera em um selo".