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A Teologia Poética de Santo Efrém
- A teologia e a poesia em Santo Efrém não são atividades separadas, mas intrinsecamente ligadas, de modo que se pode afirmar que ele é teólogo por ser poeta e poeta por ser teólogo. Para ele, a teologia, entendida como a inteligência da fé, não é um saber abstrato, mas uma experiência viva que parte e se direciona a Deus.
- Considera-se um ato de presunção, visto como "orgulho de cinza e de pó", tentar compreender a Deus unicamente com a razão. A verdadeira teologia exige que o ser inteiro se aproxime d'Ele com humildade, como se mergulhasse em um oceano, para ser acolhido por Sua Revelação. Isso não desvaloriza as faculdades intelectuais, mas as subordina à verdade que Deus quis nos revelar.
A Relação de Santo Efrém com a Palavra de Deus
- A proclamação e o comentário da Palavra de Deus constituíram uma parte importante da atividade de Santo Efrém. A leitura que ele pratica é polifônica, transitando entre os sentidos simbólico e espiritual, e misturando alegremente diferentes episódios, níveis de compreensão e lições morais. Ele entende que a Bíblia é uma fonte inesgotável, afirmando que é melhor a fonte saciar a sede do que a sede secar a fonte.
- A leitura da Bíblia sem fé é vista como um "ato de espionagem" e tratada com o veneno da filosofia grega, pois se afasta da humildade com que a Igreja acolheu a Palavra de Deus. Santo Efrém exorta a permanecer nos caminhos traçados por Deus nas Escrituras, guiados pelos profetas e apóstolos. A razão crente, no entanto, não deve ser pusilânime, mas ser encorajada pelo amor a entrar em um diálogo íntimo de louvor.
- A leitura das Escrituras é incentivada pelo desejo por Deus, pois o acesso à verdade da Palavra é facilitado menos por um espírito exercitado do que por um espírito sintonizado pela confiança e pelo amor. A Bíblia é apresentada não como um livro, mas como uma conversa íntima com Deus, cujas páginas, personagens e situações anseiam por vir ao encontro de cada um para conduzi-los à realidade de que falam.
- A verdade e o amor são considerados duas asas inseparáveis, pois sem amor a verdade não pode voar, e sem verdade o amor não pode decolar, formando um jugo de harmonia. A pedagogia divina é comparada a um balbucio de Deus para o ser humano, como quem ensina um papagaio a falar, que o capacita gradualmente a uma conversa real com Ele, sempre com a ressalva de que Deus é infinitamente maior do que o que compartilha.
Os Elementos da Poesia Teológica de Santo Efrém
- A poesia teológica de Santo Efrém é caracterizada pelo uso de símbolos, nomes, paradoxos e humor, todos com uma função pedagógica e mística.
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Símbolos: A palavra símbolo é usada em seu sentido original, como a expressão visível de uma realidade invisível, como o Credo, que é o "Símbolo da fé". Para Santo Efrém, o primeiro criador de símbolos é o próprio Deus, que os usa para se fazer entender. Três lugares de símbolos são identificados: a natureza, o Antigo Testamento e o Novo Testamento, sendo o Cristo a "harpa melodiosa" que os unifica.
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Nomes: Os nomes são considerados uma forma particular de símbolo, que expressam e são aquilo que representam. Deus se "veste" em nomes para se comunicar com o homem, que, sendo um ser de palavra, encontra a Deus na linguagem.
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Paradoxos: A teologia de Santo Efrém explora o paradoxo (a contradição lógica) para dinamitar falsas evidências e levar a uma verdade mais elevada. Ele celebra os mistérios da fé, como o Deus silencioso que continuamente profere uma Palavra. A Encarnação, em particular, é para ele um buquê de paradoxos que ele enumera com deleite.
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Humor: Um senso de humor surpreendente se manifesta em sua poesia. A pedagogia divina é comparada ao ensino de um papagaio, e ele justifica a multiplicidade de sentidos das Escrituras para que os estudiosos não fiquem "desempregados". Esse humor é frequentemente direcionado a si mesmo, em um ato de humildade que busca levar a sério sua canção, mas não a si mesmo.
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Tipologia: A leitura tipológica é utilizada para descobrir tipos (modelos), ou seja, prefigurações de Cristo, em todo o texto bíblico. Segundo esta tradição patrística, Cristo está presente em todas as Escrituras, e a leitura cristã busca decifrar essa presença através do estudo e da oração.