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id da página: 5148 Escoto Eriugena – A Voz da Águia – Escoto Eriugena

Escoto Eriugena Homilia Bamford

ERIUGENA. The voice of the eagle. Tr. Christopher Bamford. Hudson, NY: Lindisfarne Press, 1990

A seguir apresento comentários retirados da tradução e reflexões de Christopher Bamford, incluindo excertos que faz da obra de Escoto Eriugena e de outros autores.

  • O evento cósmico divino do Natal e a celebração de Eriugena

    • A noite mais escura do ano como o auge do inverno, em que a Terra, privada da luz do sol, se encontra silenciosa e fechada.
    • O estado de desalento dos seres humanos, tentados pela matéria e privados dos deuses, ansiando por calor e consolo.
    • O surgimento súbito do novo mundo da Manhã de Natal e a ascensão do Sol da Justiça, que soa nos ouvidos do universo e da igreja.
    • O regresso da luz e do calor, anunciado pelos anjos que descem do céu para anunciar a vinda de Cristo, o verdadeiro Pastor, aos pastores.
    • O regozijo de toda a criação no momento da redenção, no estábulo, no tão esperado e ardentemente desejado ponto de viragem.
    • A crença de Eriugena, expressa na sua Homilia, de que a Encarnação é um evento universal, destinado a todos e a tudo, sem o qual não é para ninguém nem para nada.
  • O poder da Nova Canção e a virtude da Encarnação segundo Clemente de Alexandria

    • A exclamação de Clemente de Alexandria: "Eis o poder da Nova Canção!".
    • A ação transformadora da Nova Canção, que fez seres humanos de pedras e de feras, e que devolveu a vida aos que estavam como mortos.
    • A concepção da Encarnação como o elixir universal da vida e a medicina que une a matéria e o espírito.
    • A doutrina de que todas as coisas foram primeiramente formadas no Verbo, e que o Verbo, feito carne, soa novamente para recordar todas as coisas à sua totalidade e à sua origem.
  • A Encarnação como ponto de viragem na história do universo

    • A Encarnação do Verbo de Deus como o momento decisivo no discurso significativo entre seres humanos e deuses.
    • A transformação do discurso em carne, permitindo que a carne se torne discurso e que o significado pleno e vivo seja restaurado.
    • A proclamação no tempo do que Deus falou na eternidade, permitindo que seja ouvido e vivido.
    • A compreensão da emoção de Clemente perante a vinda do salvador, criador, rei do mundo e professor da humanidade.
    • O propósito divino: o sobrenatural, ao tornar-se natural, pode voltar a ser sobrenatural, e Deus pode ser tudo em todos.
    • A definição do significado da ressurreição como o próprio significado do significado, apresentando uma tarefa e um horizonte para a humanidade.
  • A escuta do Cristo e a unidade do discurso segundo Rosenstock-Huessy

    • A definição de Rosenstock-Huessy: "Um cristão é uma pessoa a quem Cristo fala. O corpo de Cristo são aqueles que O escutam.".
    • A extensão da escuta a todos e a tudo, através da cognição e da consciência, pois toda a criação gemeu e trabalhou com dores para isso.
    • A afirmação de Rosenstock-Huessy sobre a necessidade de segurança de que o discurso se move num continuum e faz sentido para sempre.
    • A crença na legitimidade e autorização de todo o discurso como um único e mesmo processo vital, desde o primeiro dia em que o homem falou.
  • A recuperação da tradição da escuta e a transmissão do Verbo

    • A necessidade de recuperar a tradição daqueles que escutam antes de falar.
    • O percurso do Verbo, que foi falado no princípio, fez todas as coisas, e depois se fez carne e habitou entre nós.
    • O papel de São João, que contemplou a glória do Verbo, e o de João Escoto Eriugena, que meditou e transmitiu a essência do seu ensino.
    • A tarefa atual, no momento de viragem de eras, de conectar com esta tradição e transmitir o que se pode encontrar para conhecer e contar.
    • O reconhecimento de outras tradições autênticas, mas a prioridade do caminho gnóstico e platônico de Eriugena, centrado no Verbo cósmico.
    • A importância da teologia natural e da antropologia teológica para um entendimento holístico, sem o qual os outros evangelhos carecem de fundamento.
  • A tarefa de recuperação da tradição não ouvida como entendimento e transformação

    • A definição da recuperação como uma tarefa de intuição, interpretação e meditação, de entendimento e transformação.
    • A abordagem metodológica de não se projetar a si mesmo, mas de refletir os mundos da fé que São João e Eriugena abrem.
    • A esperança de se conhecer de novo e de ser renascido através desta aproximação a dois portais humanos.
    • A concepção do entendimento como autocompreensão, que exige o esquecimento de si mesmo para se render a significados e modos de conhecer ignorados.
    • O objetivo de que o conhecimento deixe de ser mera informação para se tornar um modo de ser, numa busca da vida e num encontro com o Deus vivo.
  • A tese central da Homilia de Eriugena sobre o Verbo primordial

    • A perda do cristianismo na atualidade, que esvazia o significado destas reflexões.
    • A tese de Eriugena de que a verdadeira religião, que une o Pai, o Filho, o Espírito Santo e a Humanidade-o-Universo, só se encontra no e através do Verbo.
    • A dificuldade em reencontrar este Logos-Espírito e a nós mesmos, exigindo um recomeço a partir do princípio.
    • A necessidade de se avançar com paciência e confiança na certeza de encontrar Aquele que abre e torna sábios todos os que se abrem a Ele.
  • O princípio espiritual omnipresente do encontrar e do conhecer

    • O esquecimento atual do princípio espiritual omnipresente, a Águia espiritual.
    • A necessidade de a sua voz soar sempre na audição da igreja, entendida como a consciência do universo mediada pelos seres humanos.
    • A presença contínua do Verbo, continuamente gerado numa geração perpétua, como o brilho é gerado da luz.
    • O conhecimento do Verbo como vida e verdade de todas as coisas, que aquece e ilumina a criação através de um ato contínuo de amor.
    • A consequência deste conhecimento: habitar o campo ilimitado da criatividade fora do tempo e da natureza, mas formando-os e criando-os continuamente.
    • A transformação final: morrer para si mesmo, encontrar o seu verdadeiro outro, o seu verdadeiro lugar e origem na causa, essência e fonte de tudo, e habitar secretamente no paraíso.