ERIUGENA. The voice of the eagle. Tr. Christopher Bamford. Hudson, NY: Lindisfarne Press, 1990
A seguir apresento comentários retirados da tradução e reflexões de Christopher Bamford, incluindo excertos que faz da obra de Escoto Eriugena e de outros autores.
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O evento cósmico divino do Natal e a celebração de Eriugena
- A noite mais escura do ano como o auge do inverno, em que a Terra, privada da luz do sol, se encontra silenciosa e fechada.
- O estado de desalento dos seres humanos, tentados pela matéria e privados dos deuses, ansiando por calor e consolo.
- O surgimento súbito do novo mundo da Manhã de Natal e a ascensão do Sol da Justiça, que soa nos ouvidos do universo e da igreja.
- O regresso da luz e do calor, anunciado pelos anjos que descem do céu para anunciar a vinda de Cristo, o verdadeiro Pastor, aos pastores.
- O regozijo de toda a criação no momento da redenção, no estábulo, no tão esperado e ardentemente desejado ponto de viragem.
- A crença de Eriugena, expressa na sua Homilia, de que a Encarnação é um evento universal, destinado a todos e a tudo, sem o qual não é para ninguém nem para nada.
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O poder da Nova Canção e a virtude da Encarnação segundo Clemente de Alexandria
- A exclamação de Clemente de Alexandria: "Eis o poder da Nova Canção!".
- A ação transformadora da Nova Canção, que fez seres humanos de pedras e de feras, e que devolveu a vida aos que estavam como mortos.
- A concepção da Encarnação como o elixir universal da vida e a medicina que une a matéria e o espírito.
- A doutrina de que todas as coisas foram primeiramente formadas no Verbo, e que o Verbo, feito carne, soa novamente para recordar todas as coisas à sua totalidade e à sua origem.
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A Encarnação como ponto de viragem na história do universo
- A Encarnação do Verbo de Deus como o momento decisivo no discurso significativo entre seres humanos e deuses.
- A transformação do discurso em carne, permitindo que a carne se torne discurso e que o significado pleno e vivo seja restaurado.
- A proclamação no tempo do que Deus falou na eternidade, permitindo que seja ouvido e vivido.
- A compreensão da emoção de Clemente perante a vinda do salvador, criador, rei do mundo e professor da humanidade.
- O propósito divino: o sobrenatural, ao tornar-se natural, pode voltar a ser sobrenatural, e Deus pode ser tudo em todos.
- A definição do significado da ressurreição como o próprio significado do significado, apresentando uma tarefa e um horizonte para a humanidade.
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A escuta do Cristo e a unidade do discurso segundo Rosenstock-Huessy
- A definição de Rosenstock-Huessy: "Um cristão é uma pessoa a quem Cristo fala. O corpo de Cristo são aqueles que O escutam.".
- A extensão da escuta a todos e a tudo, através da cognição e da consciência, pois toda a criação gemeu e trabalhou com dores para isso.
- A afirmação de Rosenstock-Huessy sobre a necessidade de segurança de que o discurso se move num continuum e faz sentido para sempre.
- A crença na legitimidade e autorização de todo o discurso como um único e mesmo processo vital, desde o primeiro dia em que o homem falou.
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A recuperação da tradição da escuta e a transmissão do Verbo
- A necessidade de recuperar a tradição daqueles que escutam antes de falar.
- O percurso do Verbo, que foi falado no princípio, fez todas as coisas, e depois se fez carne e habitou entre nós.
- O papel de São João, que contemplou a glória do Verbo, e o de João Escoto Eriugena, que meditou e transmitiu a essência do seu ensino.
- A tarefa atual, no momento de viragem de eras, de conectar com esta tradição e transmitir o que se pode encontrar para conhecer e contar.
- O reconhecimento de outras tradições autênticas, mas a prioridade do caminho gnóstico e platônico de Eriugena, centrado no Verbo cósmico.
- A importância da teologia natural e da antropologia teológica para um entendimento holístico, sem o qual os outros evangelhos carecem de fundamento.
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A tarefa de recuperação da tradição não ouvida como entendimento e transformação
- A definição da recuperação como uma tarefa de intuição, interpretação e meditação, de entendimento e transformação.
- A abordagem metodológica de não se projetar a si mesmo, mas de refletir os mundos da fé que São João e Eriugena abrem.
- A esperança de se conhecer de novo e de ser renascido através desta aproximação a dois portais humanos.
- A concepção do entendimento como autocompreensão, que exige o esquecimento de si mesmo para se render a significados e modos de conhecer ignorados.
- O objetivo de que o conhecimento deixe de ser mera informação para se tornar um modo de ser, numa busca da vida e num encontro com o Deus vivo.
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A tese central da Homilia de Eriugena sobre o Verbo primordial
- A perda do cristianismo na atualidade, que esvazia o significado destas reflexões.
- A tese de Eriugena de que a verdadeira religião, que une o Pai, o Filho, o Espírito Santo e a Humanidade-o-Universo, só se encontra no e através do Verbo.
- A dificuldade em reencontrar este Logos-Espírito e a nós mesmos, exigindo um recomeço a partir do princípio.
- A necessidade de se avançar com paciência e confiança na certeza de encontrar Aquele que abre e torna sábios todos os que se abrem a Ele.
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O princípio espiritual omnipresente do encontrar e do conhecer
- O esquecimento atual do princípio espiritual omnipresente, a Águia espiritual.
- A necessidade de a sua voz soar sempre na audição da igreja, entendida como a consciência do universo mediada pelos seres humanos.
- A presença contínua do Verbo, continuamente gerado numa geração perpétua, como o brilho é gerado da luz.
- O conhecimento do Verbo como vida e verdade de todas as coisas, que aquece e ilumina a criação através de um ato contínuo de amor.
- A consequência deste conhecimento: habitar o campo ilimitado da criatividade fora do tempo e da natureza, mas formando-os e criando-os continuamente.
- A transformação final: morrer para si mesmo, encontrar o seu verdadeiro outro, o seu verdadeiro lugar e origem na causa, essência e fonte de tudo, e habitar secretamente no paraíso.