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Estreve

Guy d'Estreve


Estudioso das artes marciais e contribuinte da consagrada revista "Études Traditionnelles".

Excertos

Sobre o Tai Chi Chuan

Excertos do ensaio "Spiritualité et Arts Martiaux", ET n. 491, 1986

Considerada hoje em dia como uma prática de auto-defesa, esta arte foi provavelmente outra coisa na sua origem: seu nome significa com efeito "técnica de combate com as mãos nuas do Topo Supremo". Esta referência a uma noção metafísica é completada pelo fato que esta arte é vista como devendo instaurar a "Grande Paz". Sua prática desenvolve uma energia interior por um trabalho da respiração, e se aparenta às técnicas taoístas de longevidade e de alquimia interior. Executado solitariamente, é a ginástica preferida dos chineses para conservar e melhorar a saúde, mas este é apenas o aspecto exterior, o aspecto profano. Em suas formas tradicionais o Tai Chi Chuan é a busca do desequilíbrio do adversário lhe fazendo tirar os pé do chão. No curso deste "jogo", o contato entre os dois participantes se faz ao nível dos braços, por uma leve aderência das mãos, sem crispação. Durante a execução, os braços se movem continuamente em um movimento circular , enquanto as pernas efetuam um movimento para frente e para trás, dobrando os joelhos em uma perfeita coordenação com os braços. Todos os movimentos são realizados sem descontinuidade e dão verdadeiramente a impressão de uma roda em rotação perpétua. O Tai Chi Chuan é uma busca da imobilidade do espírito através do movimento, representado essencialmente pelo círculo, a espiral, a hélice. Pode-se então compreender as aproximações possíveis com as concepções expostas por René Guénon nos capítulos do Simbolismo da Cruz: Passagem da coordenadas retilíneas às coordenadas polares; Continuidade por rotação; o Vórtex esférico universal; o símbolo extremo-oriental do Yin-Yang; a influência da Vontade do Céu; o Centro e a circunferência. O Adepto confunde-se com o Eixo do Mundo, e "é ele que faz girar o Mundo", dizem os Mestres do Tai Chi Chuan.