La versione italiana del Liber de Sole e della Apologia in librum suum de Sole, et lumine è tratta da: MARSILIO FICINO, Scritti sull'astrologia, a cura di Ornella Pompeo Faracovi, RCS Libri S.p.A., Milano, 1999, pp. 185-217.
Resumo
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Libro del Sole di Marsilio Ficino, al Magnanimo Piero de' Medici
- Proêmio
- Marsilio Ficino dedica a Piero de' Medici, sob cujos auspícios prossegue a interpretação de Platão, a presente dissertação sobre o mistério platônico que compara o Sol a Deus.
- Ficino justifica a elaboração de um compêndio específico sobre esta questão elevadíssima, inspirado também por Dionísio Areopagita, que abraçou tal similitude.
- O autor oferece este mistério concernente ao Sol, como um dom apolíneo, a Piero de' Medici, a quem é dedicada toda a nova interpretação de Platão, para que, a partir desta luz, se possa antever a obra futura e amar mais ardentemente a filosofia platônica.
- Cap. I: Palavras de Marsilio Ficino ao leitor: este é um livro alegórico e anagógico, mais que um livro dogmático
- Marsilio Ficino, dirigindo-se ao magnânimo Piero, invoca o preceito pitagórico de não discorrer sobre coisas ou mistérios divinos na ausência de luz.
- Interpreta-se que o sábio Pitágoras admoesta não apenas a não se aventurar nas coisas divinas além do que a luz de Deus revela, mas também a não se voltar para a luz divina oculta sem a mediação da comparação com a luz visível.
- Ficino anuncia que se aproximará da luz divina por meio de semelhanças extraídas da luz sensível, não tanto com raciocínios.
- Solicita ao leitor que não espere discursos dogmáticos, pois promete apenas um exercício alegórico e anagógico dos engenhos, sob a garantia de Febo, a quem pertencem tais atividades, tal como as Musas cantam, e Mercúrio, com Apolo, graceja divinamente.
- Cap. II: Em que modo a luz do Sol seja semelhante ao bem em si, ou seja, a Deus
- Nenhuma coisa, mais do que a luz, recorda a natureza do Bem, pois é a mais pura e elevada entre as coisas sensíveis, propaga-se instantânea e largamente, acaricia as coisas sem dano, penetra com suavidade e traz consigo um calor vital.
- De modo semelhante, o Bem em si está acima de toda a ordem das coisas, difunde-se amplamente, tudo acaricia e atrai a si, sem constranger, tendo sempre o amor como companheiro, presente no íntimo de tudo sem se unir a nada.
- Tanto o Bem em si quanto a luz são impossíveis de compreender e exprimir plenamente, sendo ao mesmo tempo o mais conhecido e o mais desconhecido.
- Cita-se Jamblico, o platônico, que define a luz como um ato e uma imagem visível da inteligência divina, e Ficino a considera como um vestígio da vida do mundo ou um espírito vital intermédio entre a alma e o corpo do mundo.
- Conclui-se que as inteligências divinas invisíveis, ou mentes angélicas, tornam-se visíveis através das estrelas, e através do Sol, tornam-se visíveis a eterna potência e divindade de Deus, pois "os céus narram a glória de Deus; o firmamento anuncia a obra de suas mãos" e "quem ousará dizer falso o Sol?".
- Cap. III: O Sol ilumina, governa e regula os céus
- O Sol, como senhor visível do céu, rege e modera todos os corpos celestes, dando luz a todas as estrelas e sendo definido como o mais vivo dos doze signos, que fortalece o signo por onde transita.
- Destaca-se que o Sol confere extraordinária energia aos seus tronos reais, os signos de Leão (seu domicílio) e Carneiro (sua exaltação), e que o signo no qual reina, o Carneiro, torna-se a cabeça dos signos, governando a cabeça em todo ser vivo.
- A sorte anual de todo o mundo depende do ingresso do Sol em Carneiro, e a natureza das estações é julgada a partir dos ingressos solares em Carneiro, Câncer, Balança e Capricórnio.
- O movimento do Sol é o mais simples entre os planetas, nunca se afastando do centro da faixa zodiacal nem retrogradando.
- Cap. IV: Condição dos planetas nos reportamentos com o Sol
- O Sol define espaços determinados no céu, e os planetas mudam de movimento e posição ao atravessá-los, como Saturno, Júpiter e Marte, que mudam de curso ao atingir o aspecto de trígono com o Sol.
- Vénus e Mercúrio descrevem órbitas mais estreitas, definidas pela sua proximidade ou afastamento do Sol, não podendo distanciar-se além de um certo número de graus.
- A Lua muda de aspecto e natureza em cada um dos seus aspectos com o Sol, e com as suas quatro fases representa as quatro estações do ano.
- Todos os planetas, ao tocarem o coração do Sol, dominam os outros durante a conjunção, e pensa-se que Saturno e Marte abandonam a sua rigidez e ferocidade usuais quando se aproximam do Sol.
- Os planetas superiores, quando o Sol se lhes aproxima, começam a ascender, e quando se afasta, a descer, estando no ponto mais alto do epiciclo quando conjuntos ao Sol.
- Vénus e Mercúrio, se conjuntam o Sol em movimento direto, estão no ponto mais alto; se em movimento retrógrado, no mais baixo.
- A Lua, mesmo em oposição ao Sol, está no ponto mais alto porque a sua luz é a luz solar refletida, e no plenilúnio reflete frontalmente o Sol.
- Todos os planetas temem a eclíptica, estrada do Sol, e a Lua, senhora da geração, não tira luz visível senão do Sol, de quem recebe as forças de todos os corpos celestes, como diz Proclo.
- Cap. V: A energia do Sol nas gerações, nos tempos, na nascença e em cada outra coisa
- No tema natal, o lugar da Lua indica o senhor da genitura e o momento da concepção, e a conjunção ou oposição precedente ao nascimento mostra a verdade e a sorte da natividade.
- A Parte da Fortuna, calculada a partir da distância entre Sol e Lua somada ao Ascendente, é considerada o demônio da natividade, significando ou governando o teor de toda a vida.
- Os astrónomos encontram e medem os movimentos de todos os planetas a partir do movimento já determinado do Sol, que distingue noites, dias, horas, meses e anos.
- O Sol, com sua luz e calor, gera, faz viver, move, regenera, alegra e aquece todas as coisas, tornando visível o que estava oculto e produzindo as quatro estações.
- A primavera é a melhor estação por começar no Carneiro, exaltação do Sol, e o outono o pior por ter origem na Balança, sua queda; uma natividade diurna é considerada melhor que uma noturna.
- Os astrólogos atribuem a nona casa do céu ao Sol e a terceira à Lua, chamando a um Deus e a outra Deusa, significando os maiores bens, a sabedoria, a fé, a religião e a glória eterna.
- Davi, "tromba de Deus omnipotente", exclama que "é inútil levantar-se antes da Luz", declarando que o Sol, ao nascer, traz consigo todo o bem e chama miraculosamente os nossos espíritos a coisas altíssimas.
- A Lua, esposa do Sol, dita por Aristóteles o Sol menor, quando sobe revigora o espírito e o humor natural, e quando desce os enfraquece.
- Cap. VI: Os louvores dos antigos ao Sol; e em que modo as forças dos corpos celestes sejam todas no Sol e do Sol provenham
- Orfeu chamou a Apolo o "olho vital do céu", descrevendo o Sol como o olho eterno que tudo vê, luz celeste altíssima, senhor do mundo, Júpiter imortal, olho do mundo que corre em volta, possuidor do selo e dadivoso de forma a todas as coisas.
- Nos Egípcios, lia-se no templo de Minerva a inscrição áurea: "Eu sou as coisas que são, serão e foram. Ninguém jamais descobriu o meu véu. O fruto que gerei é o Sol", indicando que o Sol é o parto, a flor, o fruto da inteligência divina.
- Proclo atesta que os antigos teólogos diziam que a justiça, rainha de todas as coisas, se difunde através do todo a partir do trono do Sol.
- Jamblico, segundo a opinião dos Egípcios, afirma que todo o bem que temos vem do Sol, só dele, e se algo vem de outros corpos celestes, é também operado pelo Sol.
- Albumasar diz que a vida é infundida em todas as coisas através do Sol e da Lua.
- Moisés considera o Sol senhor dos corpos celestes de dia, e a Lua, quasi Sol noturno, senhora durante a noite.
- Caldeus e Egípcios colocaram o Sol em posição central, como senhor do mundo, e a sua posição intermédia revela-se pela prosperidade dos planetas que o cercam.
- Os físicos antigos chamaram ao Sol coração do céu, e Heráclito fonte da luz celeste; a maioria dos platônicos colocou no Sol a alma do mundo.
- Mercúrio, indicador do movimento da nossa mente, é o que menos se afasta do Sol; Saturno, significando o estado da mente separada, é o que menos se afasta da eclíptica.
- Júpiter e Marte, em harmonia com o solar Leão, significam a justiça religiosa, as leis civis, a prosperidade, a magnanimidade, a fortaleza e a vitória.
- Lua, Vénus e Mercúrio são chamados companheiros do Sol e receberam o domínio da geração universal, distribuindo humores, proporção, forma, graça e luz.
- Cap. VII: Disposição dos signos e dos planetas em reportamento com o Sol e a Lua
- O Sol é o rei e a Lua, irmã e esposa do Sol, a rainha dos corpos celestes, como se vê pela disposição dos signos do Zodíaco, cujos domicílios e exaltações se tocam.
- Os outros planetas dispõem as suas sedes de um e outro lado em torno do rei e da rainha, deixando-os no centro, com Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter e Saturno a governar signos contíguos aos de ambos.
- Bindaccio Ricasoli objeta que as mesmas sedes, em ordem inversa, se dispõem em relação a Saturno, ao que Ficino responde que tal convém principalmente ao Sol, mas toca também ao altíssimo Saturno.
- Os cinco planetas têm duas sedes cada: uma ocidental em relação ao Sol e outra oriental em relação à Lua, enquanto o Sol e a Lua reivindicam para si todo o Zodíaco.
- Os signos de Carneiro, Balança, Câncer e Capricórnio são chamados cardinas do céu, pois neles o Sol estabelece o avizinhar das quatro estações.
- O hemisfério entre Carneiro e Balança é chamado pelos Egípcios círculo de Minerva, da sabedoria e da justiça.
- Esta ordem admirável dos corpos celestes mostra que o mundo é obra não do acaso, mas da providência, e o rapport de tudo com o Sol mostra nele o regulador de todas as coisas.
- Cap. VIII: Os planetas, quando estão em harmonia com Sol e Lua, são benéficos; o contrário, se estão em desarmonia. E em que modo saúdam Sol e Lua
- Ptolomeu considera o Sol e a Lua autores da vida, este para o sentido, aquela para o acrescentamento e a vitalidade.
- Júpiter e Vénus são favoráveis à vida por concordarem em proporção harmónica com o Sol e a Lua, enquanto Saturno e Marte são adversos por discordarem deles.
- Júpiter é o mais vital porque, se a luz do Sol e da Lua se unem perfeitamente, Júpiter tira força de um e de outra.
- Os planetas, quando veem de frente o rosto do Sol ou da Lua, obtêm subitamente uma nova força, chamada pelos Árabes de almugea, quando distam do Sol ou se aproximam da Lua à mesma distância dos seus domicílios.
- Deste modo, Saturno, Júpiter, Marte, Vénus e Mercúrio saúdam o Sol ou a Lua em signos específicos.
- A consonância de Júpiter e Vénus e a dissonância de Saturno e Marte com o Sol e a Lua aparecem novamente através dos aspectos dos seus domicílios: trígono e sextil harmoniosos para Júpiter e Vénus, quadrado e oposição desarmônicos para Marte e Saturno.
- Admoesta-se que serão felizes as almas que se encontrarem em harmonia com a vontade divina; infelizes as que discordarem.
- Cap. IX: Sol estátua de Deus. Similitude entre Sol e Deus
- Platão, tendo considerado tudo isto, chamou ao Sol filho visível do Bem em si e a estátua manifesta de Deus neste templo mundano.
- Os antigos, como dizem Plotino e Platone, veneravam-no como um Deus, e os antigos teólogos Gentios puseram no Sol todos os numes dos Gentios, como atestam Jamblico, Juliano e Macróbio.
- O Sol é a imagem e o vigário de Deus no mundo, e quem não o vê nunca considerou a noite, nem fixou o olhar no Sol que nasce, nem refletiu sobre como vivifica as coisas que, longe dele, eram consideradas mortas.
- Conclui-se com os platônicos e Dionísio que o Sol, ou Febo, guia das Musas, é a imagem visível de Deus, e a Lua, ou Febe, é imagem de Febo, como ele o é de Deus, sendo, como diz Hiparco, o espelho do Sol.
- A similitude platônica afirma que o Sol gera a vista e as cores, fornece a força para ver e para ser visto, e une-os com a luz; Deus comporta-se do mesmo modo em relação aos intelectos e às realidades inteligíveis, criando as espécies inteligíveis e todos os intelectos, fornecendo-lhes capacidade de agir e circundando-os com uma luz comum que Platão chama verdade, para as coisas a entender, e ciência, para as mentes.
- O Bem, ou Deus, é tanto superior a todas estas coisas quanto o Sol o é à luz, aos olhos e às cores.
- Quando Platão diz que o Sol está acima de toda a entidade visível, refere-se a um Sol incorpóreo, um intelecto divino acima do Sol corpóreo.
- Pode-se, subtraindo o deteriore e acrescentando o melhor, conceber a luz do Sol sem quantidade definida, dotada de virtudes maravilhosas, que supera a vista e a compreensão, alcançando-se assim, a partir do Sol, Deus, que nele pôs o seu tabernáculo.
- A luz divina resplandece nas trevas da alma, mas as trevas não a acolhem, tal como a luz solar não penetra certos corpos terrestres.
- Deus insere nas mentes angélicas a ciência das coisas divinas e depois o amor, enquanto nas nossas almas acende primeiro o duplo amor que purifica e converte; o Sol ilumina instantaneamente as naturezas luminosas, enquanto as matérias opacas primeiro aquece, acende e purifica, para depois as iluminar e elevar, tal como Apolo trespassa a mole de Píton com os raios.
- Assim como se espera que Cristo virá na plenitude da sua soberania e ressuscitará os corpos, espera-se que o Sol, reinante em Carneiro, após o inverno mortal, chame instantaneamente à vida as sementes e os animais hibernantes, havendo uma ressurreição quasi semelhante descrita por Platão.
- Cap. X: O Sol foi criado primeiro e foi posto no Médio Céu
- Moisés responde que a primeira coisa criada por Deus foi a luz, pois da luz divina, que em si mesma é mais que inteligível, advém imediatamente a luz, a mais semelhante a Deus.
- A luz sensível no mundo corpóreo, a luz do Sol, no seu primeiro grau, brilha no interior e ilumina do exterior; no segundo, vigora e faz viver; no terceiro, propaga-se na máquina do mundo; no quarto, subdivide a sua grandeza no mundo.
- Moisés afirma que no primeiro dia foi criada só a luz, e no quarto, a luz fornecida da forma solar, circular; Platão repete duas vezes, no Timeo, a constituição do Sol.
- A maioria dos astrónomos afirma que, na nascença do mundo, o Sol estava em Carneiro, sua exaltação, e ocupava o Médio Céu, como rei dos corpos celestes.
- Moisés, ao dizer que o dia foi feito com a tarde e a manhã, sinaliza que após o meio-dia, no qual o Sol foi aceso, o dia já nascido declinava para a tarde, confirmando o poder real do Sol, a quem foi atribuído o dia do Senhor.
- Deus deu início à criação a partir do dia do Sol, e ordenou a abstenção de agir no dia de Saturno, planeta mais afastado do Sol, avesso à geração e à ação.
- Cristo, autor da vida, a quem o Sol ao Médio Céu chorou ao expirar, ressurgiu da morte no dia e na hora do Sol para nos restituir a luz inteligível.
- Cap. XI: As duas luzes do Sol. O encargo de Apolo. Os graus das luzes. O Sol imagem de todas as coisas divinas
- Considerando a primeira propriedade da sua natureza, a luz natural do Sol não foi inicialmente tão grande, superando as outras estrelas errantes mais em luminosidade que em grandeza.
- A imensa luz que se adicionou à luminosidade natural do Sol provém de outra parte, por vontade divina, sendo uma imagem mais manifesta da inteligência e da infinita bondade divina.
- Assim como Deus deu às mentes uma dupla luz, uma natural e outra por graça, pode-se supor que as estrelas, como imagens das mentes, tenham recebido igualmente duas luzes diferentes.
- A grandíssima claridade que se mostra no Sol procede não dele, mas de Deus, através do Sol, como uma luz manifesta aos olhos, própria não daquele globo celeste, mas do próprio Deus.
- A luz inteligível na alma do Sol ilumina os olhos interiores da alma, acende-os e os chama, razão pela qual os antigos teólogos chamaram ao Sol Apolo, autor de toda a harmonia e guia das Musas, que liberta as almas da confusão, regula-as harmonicamente e as conduz à inteligência.
- Esta luz larguíssima e sumamente eficaz, o melhor dos dons dados ao mundo, advinda do próprio Bem, pai da luz, no qual toda a luz é mais que inteligível.
- A luz, ao descer para o intelecto divino e angélico, torna-se inteligível; chegando à mente da alma do mundo, torna-se intelectual e imaginável; passando no céu, torna-se sensual e sensível; e, nos corpos inferiores, divide-se em sensual (nos olhos) e sensível (nos objetos).
- Os platônicos põem três princípios: o Bem em si, o intelecto divino, a alma do mundo; a luz, única entre todas, remete a todos os três.
- No céu, através do Sol, representa-se o Bem; através do firmamento estrelado, o intelecto divino; através da luz mutável da Lua, a alma do mundo.
- Tal como as estrelas superiores são imutavelmente iluminadas pelo Sol e a Lua tira dele mutavelmente a luz, também os anjos são iluminados estavelmente por Deus, e as almas, de modo móvel.
- Cap. XII: Similitude entre o Sol, a Trindade e as nove ordens dos anjos. Também as nove divindades do Sol e as nove Musas em volta do Sol
- Nada no mundo é mais semelhante à divina Trindade que o Sol, pois na sua única substância encontram-se três aspectos distintos e unidos: a fecundidade natural (remetendo ao Pai), a luz que promana (semelhante à inteligência, ao Filho) e a energia que irradia calor (representando o Espírito de amor).
- À volta da trindade solar encontra-se um ternário e um novenário, pois da natureza fecunda do Sol procedem três fecundidades naturais (para as naturezas celestes, simples dos elementos e dos mistos), do seu calor vital propaga-se a vida tripla (vegetativa, sensitiva imóvel, sensível em progresso) e da sua luz derivam três tipos de fulgores (branco, avermelhado, misto), aos quais correspondem três tipos de sentidos.
- A luz do Sol é, até este ponto, não apenas imagem, mas também causa; da inteligência pura, porém, é apenas imagem, pois age instantaneamente, penetra profundamente, clarifica sem se mesclar e permanece altíssima.
- Narram-se fabulas à maneira platônica: na substância do Sol (essência, vida, inteligência) contemplam-se Céu, Reia e Saturno; na sua força, a fecundidade (Júpiter e Juno), a luz (Apolo e Minerva) e o calor (Vénus e Baco).
- Passa-se às nove Musas em volta de Febo, que são os nove géneros de divindades apolíneas distribuídas nas nove esferas do mundo (oito céus mais o ar puro), onde se colocam espíritos divinos, chamados por Proclo de anjos e por Jamblico de arcanjos e principados, sendo os mais solares chamados Musas.
- Admoesta-se que os homens deixaram de admirar o Sol, coisa habitual ainda que grandíssima, mas se a casa do Olimpo se abrisse uma vez por ano, todos admirariam imensamente apenas o Sol, sem duvidar que foi mandado por Deus.
- Jamblico, Juliano e os platônicos ordenam que se imagine uma noite totalmente privada da luz da Lua e das estrelas, dom manifesto do Sol, para se entender o que seríamos sem ele.
- Cap. XIII: O Sol não deve ser adorado como autor de todas as coisas
- Narra-se que Sócrates, no acampamento, permanecia atônito a contemplar o Sol nascente, imóvel, com os olhos fixos, a saudar o Sol que retornava.
- Os platônicos poderão dizer que Sócrates, guiado desde a infância por um demônio febeu, tinha o hábito de venerar Febo e por isso foi julgado por o oráculo de Apolo o mais sapiente de todos os Gregos.
- Ficino, no entanto, ousa afirmar que Sócrates, naquela êxtase, admirava não este Sol, mas o outro, o intelecto superior, filho primeiro de Deus, apenas contemplável pelo intelecto.
- Sócrates, admoestado pelo Sol celeste, pressentia o Sol supra celeste, contemplava a sua majestade e admirava a incompreensível bondade do Pai, a quem Tiago chama "pai da luz", da luz supra celeste, sem mudança ou obscurecimento periódico.
- Tiago considera que todo dom perfeito desce não deste Sol e das estrelas mundanas, mas, mais alto, do próprio pai da luz.
- Advertindo para que ninguém, admirando demasiado o Sol, a Lua e as estrelas, os adore como artífices e pais dos dons intelectuais, admoesta-se prudentemente que o Sol não é princípio de tudo.
- Apresentam-se as razões de Tiago: Deus, princípio de tudo, é imóvel e a sua virtude é imensa e nunca impedida, enquanto o Sol está em contínuo movimento, a sua virtude é obstruída por corpos interpostos, nuvens, densidade da terra e distância, é uma parte ínfima do mundo, é contido numa sede angusta, é arrastado pela sua esfera e obstruído por signos e estrelas contrárias, e não pode produzir todas as coisas sempre e em toda a parte.
- Conclui-se que todas as coisas, no céu, sob o céu e acima do céu, são igualmente referidas a um único princípio do tudo, que deve ser venerado com a observância com que as coisas celestes veneram o Sol.
- Proêmio