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id da página: 10960 Jean Hani – A Divina Liturgia – Os Santos Mistérios Mário Ferreira dos Santos Jean Hani

Hani Santos Misterios

Jean HaniA Divina Liturgia – Os Santos Mistérios

HANI, Jean. La divine liturgy: aperçues sur la messe. Paris: Éditions de la Maisnie, 1981

  • A extensão do sacrifício de Cristo, que ultrapassa a imolação e a morte, sendo estas a condição de passagem para o plano espiritual.

    • A morte de Cristo como prelúdio da Sua ressurreição e glorificação no universo divino.
    • A compreensão da doutrina da sofrimento expiatório e redentor na perspectiva do sacrifício total, que inclui morte e ressurreição, abaixamento e exaltação.
    • A explicação do papel da sofrimento como salário do pecado, que tende a desprender do sensível, quando assumida na perspectiva sacrificial.
    • A crítica à visão de Deus como um tirano, que resulta de se perder de vista o fim final da glorificação e o fundamento último do sacrifício.
  • A morte de Cristo como morte vivificante e prelúdio da ressurreição, sendo o culminar do "Mistério da salvação".

    • O Mistério da salvação como noção mais vasta do que a de sacrifício, sendo este o seu núcleo e fim último.
    • A definição do Mistério da salvação como a revelação de Deus no Logos, o Verbo encarnado, para operar a salvação da natureza humana.
    • A citação de São Paulo sobre Deus ter feito conhecer o mistério da Sua Vontade, para recapitular todas as coisas em Cristo.
    • O mistério como a epifania de Cristo, em que divindade e humanidade se encontram, e pelo qual o Espírito desce para santificar o mundo.
    • A Páscoa do Senhor, morte e ressurreição, como mistério salvífico fundante da Igreja e fonte de vida no Espírito.
  • A necessidade da presença mística e concreta do facto da redenção na Igreja em cada instante, para além da fé no sacrifício passado.

    • A crítica à espiritualização protestante do sacrifício, que o reduz a um movimento de fé pessoal e a uma oração de louvor.
    • O risco desta espiritualização excessiva: o rejeição de toda a forma e acto exterior, substituindo a religião por um sentimentalismo religioso individualista.
    • A instituição por Cristo de um rito para perpetuar de forma concreta e objetiva o mistério da salvação.
    • A transmissão aos discípulos dos poderes sobrenaturais para realizar este rito de forma real.
    • A citação das palavras de Cristo: "Fazei isto em memória de Mim; porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciais a Minha morte e confessais a Minha ressurreição até que Eu venha".
    • A citação da liturgia: "Comemoramos a Tua morte, Senhor, confessamos a Tua Ressurreição e esperamos a Tua segunda Vinda".
  • A vida da Igreja no Sangue de Cristo através deste rito, morrendo para o mundo e ressuscitando perpetuamente com Jesus.

    • A união de Cristo e da Igreja no mistério para a salvação, num Grande Obra em três actos: Batismo, Confirmação, Eucaristia.
    • A primazia da Eucaristia sobre os outros sacramentos.
    • A diferença do sacrifício eucarístico em relação aos sacrifícios sangrentos antigos, sendo um "sacrifício espiritual".
    • A identificação com uma liturgia exterior, a missa, que é uma ação sagrada realizada exteriormente pelo homem e interiormente por Cristo através dos sacerdotes.
    • A designação da ação sagrada como "Santos Mistérios".
    • A notável coincidência do termo mysterion para designar tanto a ação sobrenatural do Filho de Deus como a ação ritual que a aplica ao homem.
    • A herança da expressão "santos mistérios" da Grécia antiga, onde designava a liturgia de cultos esotéricos como os de Elêusis.
    • A universalidade do tipo de liturgia designado por mistérios.
    • A ideia fundamental de todos os mystiria: a iniciação à vida divina para a salvação e a imortalidade.
    • A natureza soteriológica destes cultos, fundados num mito sagrado sobre as ações e sofrimentos de um deus próximo do homem.
    • Os exemplos do mito de Dionísio-Zagreu na Grécia e de Osíris no Egito greco-egípcio.
    • O sofrimento e a morte como prelúdio de uma ressurreição.
    • A existência de um rito apropriado, vindo do tempo primordial, para renovar e tornar presentes estas ações e sofrimentos divinos.
    • A capacidade do rito de perpetuar a eficácia destes actos para os homens, os mystai, que entram em relação ontológica com a divindade.
    • A obtenção da salvação e imortalidade ao refazer, na iniciação, o percurso e a experiência do deus.
    • O carácter frequentemente dramático e representativo do rito.
  • O reconhecimento deste esquema geral na liturgia cristã, que é a atividade central da religião.

    • A união íntima, na celebração eucarística, dos dois elementos essenciais do cristianismo: a oração de louvor e ação de graças e o sacrifício divino.
    • A Eucaristia como a ação conjugada de Cristo no Seu mistério de morte e ressurreição e da comunidade eclesial participando deste mistério pelo rito.
  • A designação do modo deste rito de salvação como um memorial: a missa é o "Memorial do Senhor".

    • O ato de "fazer memória" do sacrifício de Cristo e de toda a economia da salvação na Divina Liturgia.
    • A citação das palavras de Cristo: "Fazei isto em memória de Mim".
    • A ligação do sacerdote a estas palavras divinas no cânone ou anáfora.
    • A citação do cânone romano: "Por isso, Senhor,... fazendo memória da bem-aventurada paixão de Cristo, Teu Filho,... oferecemos à Tua altíssima Majestade o dom mesmo que recebemos de Ti".
    • A citação da anáfora siríaca: "Comemoramos a Tua morte".
    • A citação da anáfora da missa bizantina: "Lembrando-nos, pois,... de tudo o que foi cumprido por nós: da Cruz, do Sepulcro, da Ressurreição,... oferecemos o que é Teu do que é Teu".
    • A citação da missa assírio-caldaica: "Cristo, que foi imolado para nossa salvação, prescreveu-nos fazer a comemoração da Sua Morte, da Sua sepultura e da Sua ressurreição... Este sacrifício é o memorial da paixão, da sepultura e da ressurreição de Nosso Senhor e Soberano, Jesus Cristo".
    • A universalidade da fórmula chamada anamnese ("comemoração", "rememoração") em todas as liturgias.
    • A importância da anamnese na missa, diretamente ligada à oblação do sacrifício, das Santas Espécies consagradas.
    • A celebração feita em memória da morte, do sacrifício de Cristo e da Sua ressurreição.
  • O perigo de falsa interpretação do memorial, concretizado na interpretação protestante.

    • A visão de Calvino: a liturgia da missa como um puro memorial para avivar a lembrança dos benefícios de Jesus.
    • A crítica a esta interpretação, que destrói a natureza e o conteúdo da missa e se está a espalhar na Igreja católica ocidental.
    • A rejeição da ideia da missa como uma ficção teatral ou uma comemoração meramente evocativa.
    • A afirmação da Divina Liturgia como o coração da Igreja e da comunidade eclesial, fonte indispensável de força para operar a salvação.
    • A participação da comunidade no mistério da salvação e na pessoa de Cristo através da liturgia.
    • A citação de São Dionísio, o Areopagita: "A Bondade divina operou... uma total transmutação da nossa natureza... (Deus) revelou-nos... que, para nos elevarmos espiritualmente..., nos devemos assimilar plenamente a Ele... Mas esta imitação de Deus, como a realizaríamos senão renovando sem cessar a memória das mais santas operações divinas graças aos cantos sagrados e às santas liturgias?".
  • A rejeição da concepção protestante pela fé das Igrejas apostólicas, para quem a missa é um sacrifício real.

    • A presença real de Cristo nos oblatos, segundo a Igreja latina: "verdadeiramente, realmente e substancialmente".
    • A proclamação do diácono na missa armênia: "Que nenhum dos catecúmenos, nenhum daqueles que têm uma fé duvidosa, nenhum dos penitentes e dos impuros se aproxime dos Divinos Mistérios: o Corpo do Senhor, o Sangue do Redentor estão prestes a tornar-se aqui presentes".
    • A união da realização da presença com o sacrifício.
    • A oração do sacerdote bizantino: "Ó Deus,... purifica a minha alma e o meu coração... e torna-me capaz... de me apresentar a esta santa mesa e aí sacrificar o Teu Corpo santo e puro e o Teu precioso Sangue".
    • A oração da Secreta do 9.º domingo depois de Pentecostes no rito latino: "Concedei-nos, Senhor, que nos aproximemos dignamente destes Santos Mistérios, pois todas as vezes que, em memória da Tua Paixão, este sacrifício se celebra, é a obra da nossa redenção que se realiza".
    • O resumo perfeito de toda a teologia autêntica da missa nesta última oração.
  • A explicação do termo "memória" no contexto da doutrina apostólica, que difere do sentido moderno.

    • A presença substancial de Cristo nos Santos Mistérios.
    • A operação do mesmo sacrifício de expiação e louvor do Calvário.
    • A associação ontológica da comunhão ao Corpo e Sangue de Cristo com o Seu sacrifício, salvação e pessoa.
    • A definição de "comemoração" num contexto religioso autêntico como uma "memória ritual".
    • A celebração de uma obra divina fundante da comunidade religiosa, que re-presenta, torna novamente presente, essa obra divina.
    • A citação de Mircea Eliade: "A recitação ritual da história divina... não é uma comemoração dos eventos míticos, mas a sua reiteração. As personagens do mito são tornadas presentes, torna-se seu contemporâneo".
    • A saída do tempo ordinário e o regresso ao tempo primordial do evento divino pela recitação ritual.
  • A universalidade desta concepção em todos os contextos religiosos.

    • O exemplo da Grécia antiga: Mnemósine, a Memória personificada, como mãe das Musas.
    • A explicação: a memória permitia ao poeta estar presente ao passado divino, ao mistério das origens.
    • A busca da rememoração pelos gregos arcaicos: atingir o fundo do ser, o originário, a realidade primordial, saindo do tempo.
    • A anamnese em Platão: a atividade do espírito que conduz do mundo sensível ao mundo eterno do Ser.
    • O exemplo do antigo Egito: a repetição figurativa dos actos divinos nos aniversários como um acto poderoso que recria o evento.
    • A citação de Serge Sauneron sobre as cerimônias do templo de Esna.
  • A morte e ressurreição de Cristo como arquétipos reproduzidos na ação litúrgica.

    • A participação na ação litúrgica como um rejoindre os arquétipos.
    • A missa não como uma evocação dos arquétipos, mas como uma reprodução eficaz do evento, introduzindo-nos diretamente nele.
    • A contemporaneidade com Cristo, Sua ação e pessoa alcançada pela liturgia.
    • A obtenção do "conhecimento" evangélico, que é contacto com o divino.
    • A entrada no mistério originário pela Divina Liturgia, sem a qual a redenção seria passado.
    • A reprodução exata pelo oficiante do que Cristo fez e disse, ocorrendo o mesmo que no evento arquétipo.
    • O drama místico como antecipação da vida do Além.
    • A citação da Secreta do 2.º domingo depois de Pentecostes no rito latino: "Que o sacrifício que oferecemos ao Teu Nome, Senhor, nos purifique e nos conduza de dia para dia até à ação da vida celeste".
    • A reprodução não apenas do ato originário, mas também do ator originário, que se torna presente na celebração ritual.
    • A citação da oração de inclinação na missa bizantina: "Senhor Jesus Cristo, vem santificar-nos, Tu que, no alto, estás sentado com o Pai, e que, aqui em baixo, estás invisivelmente presente no meio de nós, e digna-Te, com a Tua mão poderosa, dar-nos o Teu Corpo imaculado e o Teu precioso Sangue".
  • A impossibilidade da presença real de Cristo e da Sua ação sacrificial serem obtidas apenas por palavras e gestos litúrgicos comuns.

    • A definição de um rito no sentido estrito: uma palavra ou gesto de origem supra-humana, com energia espiritual capaz de efetuar o que significam.
    • A necessidade de um agente qualificado, investido do poder de realizar o rito pela autoridade divina que o criou.
    • A aplicação a todos os sacramentos cristãos, especialmente à Eucaristia.
    • A citação sobre Cristo ter ordenado aos apóstolos e à Igreja fazer isto, comunicando-lhes o poder necessário pelo Espírito Santo.
    • A herança deste poder pelo sacerdote nas Igrejas apostólicas através de uma transmissão ininterrupta.
    • A distinção radical entre o sacerdote católico e o ministro protestante, que não possui poder operativo devido à rutura da sucessão apostólica.
    • A universalidade da concepção do arquétipo e da repetição no culto, e dos poderes dos oficiantes, em toda a instituição religiosa verdadeira.
    • A resposta desta estrutura à expectativa profunda e às necessidades fundamentais do homem por um contacto efetivo e real com a divindade.
  • A questão do funcionamento da memória ritual e do salto cronológico para o evento arquétipo.

    • A insatisfação com as explicações teológicas que permanecem no ponto de vista do tempo.
    • A única explicação verdadeiramente satisfatória fornecida pelo ponto de vista metafísico, desligado da temporalidade.
  • A aproximação da missa à liturgia celeste como chave de compreensão.

    • A citação de Monsieur Olier: "É preciso saber que este sacrifício é o sacrifício do céu... Há um sacrifício no Paraíso, o qual, ao mesmo tempo, é oferecido na terra, e só difere nisto: que se apresenta aqui em baixo sob véus".
    • A referência à cena do Apocalipse: o Cordeiro imolado, mas vivo, no trono, adorado pelos Anciãos e por todas as criaturas.
    • O testemunho das liturgias mais antigas sobre o sacrifício celeste.
    • A citação da oração após a consagração na missa assirio-caldaica: "Elevai os vossos olhares para as realidades celestes e contemplai os mistérios presentemente celebrados: os serafins... cantam os louvores do Corpo oferecido, do Cálice misturado. E aqui em baixo o povo implora, o sacerdote suplica e pede misericórdia para o mundo inteiro".
    • A citação da missa siríaca: "Trindade santa, recebe das minhas mãos pecadoras este sacrifício que ofereço sobre o altar celestial do Verbo".
    • A referência a São Paulo na Epístola aos Hebreus: Cristo como Sumo Sacerdote no santuário celestial, intercedendo com o Seu próprio Sangue.
  • A missa como protótipo do sacrifício celeste do Cordeiro descrito no Apocalipse.

    • A refutação da objeção profana de que se trata de uma projeção da liturgia terrestre.
    • A afirmação do espiritual: a liturgia visível é a refração simbólica da realidade invisível do Alto.
    • A descrição escriturística de uma realidade espiritual sob forma sensível e temporal.
    • A eternidade do sacrifício de Cristo, conforme outros passos da Escritura.
    • A citação do Apocalipse: o Cordeiro "imolado desde o princípio".
    • A citação de São Pedro: Cristo como "Cordeiro sem defeito e sem mancha; aquele que, predestinado desde antes da criação do mundo, foi manifestado para nós nestes últimos tempos".
    • A concordância com o ensino de São Paulo sobre "o mistério (de Cristo) escondido desde a origem".
    • A missa não como repetição do acto histórico do Calvário, mas como manifestação visível de um acto eterno.
    • O rasgar do véu "ilusório" das condições de espaço e tempo que separam o espírito humano da contemplação das realidades eternas.
  • A visão metafísica que resolve todas as dificuldades, negando a realidade absoluta do tempo.

    • A inexistência do tempo para Deus, que possui o Seu Ser no "presente indivisível".
    • A simultaneidade de todos os actos divinos.
    • A citação de Mestre Eckhart: "Deus cria o mundo inteiro agora, neste instante. Tudo o que Deus criou há seis mil anos e quando criou o mundo, Deus cria-o instantaneamente agora... lá onde o tempo nunca entrou... Ele cria o mundo e todas as coisas neste Agora presente".
    • A manifestação em modo sucessivo e temporal das operações e eventos divinos, sendo tudo já feito desde toda a eternidade.
    • A definição do tempo por Platão como "a imagem móvel da eternidade".
    • A imagem tradicional do tempo como uma circunferência móvel cujo ponto central fixo é a eternidade, conforme Boécio e Platão.
    • A liturgia celebrada num momento como a forma visível, hic et nunc, da Missa eterna e intemporal do Céu.
    • O arquétipo celestial da liturgia como a verdadeira liturgia, sempre presente e em acto.
    • A missa visível e terrestre como o medium de relação e participação na Liturgia celeste.
    • O sacrifício do Calvário como uma manifestação terrestre do Sacrifício eterno do "Cordeiro imolado desde o princípio".
  • O sacrifício eterno do Verbo, oferecendo-se ao Pai desde sempre.

    • O Filho como o próprio sacrifício, enquanto Glória substancial do Pai que retorna ao seu princípio pelo Amor substancial do Espírito Santo.
    • A oferta simultânea pelo Filho de uma homenagem ao Pai em nome de toda a Criação, enquanto "Primogénito de toda a Criação".
    • A citação de Colossenses: "Porque n'Ele todas as coisas foram criadas, as do céu e as da terra, as coisas visíveis e as coisas invisíveis".
  • A dupla oblação do Filho eterno ao Pai, correspondente ao Sacrifício da Divindade.

    • A oblação da Sua Pessoa e a oblação do universo.
    • A resposta a este Sacrifício de Deus pelo Sacrifício da Criação, que "entra" em Deus.
    • O fundamento metafísico de todo o sacrifício.
    • A qualidade cósmica do Sacrifício do Gólgota, transferindo a totalidade do mundo espaço-temporal para o mundo divino.
    • A dimensão cósmica da missa.
  • A Divina Liturgia como culto de louvor por toda a criação e ofício do cosmos voltado para o seu Princípio eterno.

    • A necessidade da louvor do mundo passar pelo coração do homem para se tornar harmonia inteligente e viva.
    • O homem como a consciência do mundo, por ser um microcosmo.
    • A citação de São Gregório: "O homem tem algo de comum com cada criatura... para quem tudo foi criado na terra e a quem, pelo menos por uma certa semelhança, nada é estranho".
    • A citação de Bossuet: "O homem tem um espírito e um coração que é maior do que o mundo, para que, contemplando o universo inteiro e recolhendo-o em si mesmo, o ofereça, o santifique, o consagre ao Deus vivo".
  • O homem como o cantor da criação perante Deus na Divina Liturgia.

    • O desenvolvimento desta hymno do universo nas antigas anáforas, como na das Constituições Apostólicas.
    • A passagem em revista de todos os aspectos do mundo criado para dar graças a Deus antes da consagração.
    • A extensa descrição da criação na anáfora citada, abrangendo o céu, a terra, o firmamento, a luz, as trevas, o sol, a lua, as estrelas, a água, o ar, o fogo, o mar, a terra firme, os animais, as plantas, os rios, as montanhas, os ciclos do tempo, os ventos e as nuvens.
  • A oferta das primícias da criação na Eucaristia, segundo Santo Ireneu.

    • A recapitulação e oferta de toda a criação a Deus em Cristo.
    • Os oblatos, pão e vinho, como um dom de Deus que Lhe deve voltar.
    • A oferta dos oblatos em e por Cristo, o autor imediato da Criação.
    • O significado dos oblatos evidenciado pelas fórmulas das anáforas.
    • A citação da missa bizantina: "Oferecemos o que é Teu do que é Teu".
    • A citação do Cânone Romano: "É por Ele (Cristo) que Tu crias sem cessar todos estes bens, que Tu os santificas, que Tu os vivificas e que no-los dás".
  • O duplo objetivo da oferta das primícias da natureza: retornar a Deus o que d'Ele vem e obter de novo esses mesmos bens.

    • A legitimidade do aspecto "temporal" da Missa, que visa assegurar a prosperidade material.
    • As súplicas pelas condições atmosféricas, fertilidade e saúde nas grandes ladainhas das liturgias orientais.
    • A inclusão implícita destes pedidos no Ofertório e Cânone do rito latino, e explicitamente no Pai-Nosso: "O pão nosso de cada dia nos dai hoje".
    • A complementaridade entre o aspecto "temporal" e o aspecto "espiritual" do sacrifício.
    • A finalidade do sacrifício de assegurar a fertilidade da terra em todas as formas religiosas.
    • A manutenção do "corrente de prosperidade" entre o céu e a terra através do sacrifício perpétuo.
    • O sacrifício como a atuação do próprio poder vital, pois Deus, o Verbo Divino, é Aquele "em quem está a Vida" e "por quem tudo foi feito".
    • O objetivo do sacrifício de manter o equilíbrio cósmico.
    • O desenvolvimento desta ideia no ritual do antigo Egito e a sua inclusão em todo o sacrifício.
    • A citação da Epístola aos Hebreus: Deus como Aquele "que sustenta todas as coisas pela potência da Sua palavra".
    • A expressão desta ideia em hinos litúrgicos, como nos hinos do ofício quotidiano do rito latino.
  • O sentido mais elevado do aspecto cósmico do Santo Sacrifício: a operação pelo qual o Homem-Deus reconduz todo o universo a Deus.

    • A retomada pela Eucaristia da força originária da criação e da redenção.
    • A ressurreição do homem e do mundo na sua pureza originária por Deus.
    • A citação de Santo Ireneu: "Cristo foi pregado na cruz para resumir em Si mesmo o universo".
    • A cruz como símbolo do universo.
    • A citação de Santo André de Creta, seguindo São Paulo: "Ó cruz, reconciliação do cosmos, delimitação das extensões terrestres, altura do céu, profundidade da terra, laço da criação, extensão de todo o visível, largura do universo".
    • A redenção como reconciliação não apenas do homem, mas de todo o cosmos, cujo resumo é o homem.
    • A aquisição virtual da redenção do cosmos, já lavado e restituído à sua pureza primordial.
    • A citação de um hino latino da Sexta-Feira Santa: "Espinhos, cravos e lança transpassam o Seu corpo tão terno, donde a água jorra e o sangue: terra, oceano, céu, universo, nestes fluxos tudo é lavado".
  • A integração deste aspecto cósmico do mistério redentor nas antigas liturgias.

    • A referência constante do rito tradicional à origem, ao tempo primordial criador.
    • A eficácia do acto sagrado pela sua coincidência com o instante do surgimento do poder sobrenatural que o fundou.
    • A inclusão de um relato da cosmogonia, da criação, no rito sagrado.
    • A presença deste relato nas antigas liturgias cristãs, exemplificado na anáfora citada.
    • A necessidade da recapitulação, do retorno de toda a história da criação à sua origem, para a restauração.
    • A redução ou desaparecimento do relato cosmogônico na maioria das anáforas, como no Cânone Romano.
    • A conservação da menção da criação do homem e o resumo da história da humanidade até à redenção e Parusia.
    • A expressão mais completa e grandiosa desta comemoração na anáfora de São Basílio, do rito bizantino.
  • A reprodução de parte da Anáfora de São Basílio como perfeito resumo do capítulo.

    • O louvor a Deus Pai omnipotente como justo e digno.
    • A oferta do sacrifício espiritual com coração contrito.
    • A exaltação da poder, louvor e maravilhas de Deus.
    • A descrição de Deus como Mestre de todas as coisas, Senhor do céu, da terra e de toda a criatura.
    • A referência a Jesus Cristo como grande Deus e Salvador, imagem da bondade do Pai, Verbo vivo, Sabedoria eterna.
    • A referência ao Espírito Santo como Espírito de verdade, Dom da adoção, Penhor da herança futura.
    • O serviço de toda a criatura inteligente e espiritual a Deus, cantando-Lhe o hino eterno de glória.
    • O canto do "Santo, Santo, Santo" pelos Serafins e por toda a assembleia celestial.
    • A participação nestes louvores pelas Potências bem-aventuradas e pelos pecadores.
    • A narração da criação do homem, da sua queda pelo pecado e expulsão do paraíso.
    • A visitação de Deus à Sua criatura através dos profetas, da Lei, dos anjos.
    • O envio do Seu próprio Filho na plenitude dos tempos.
    • A kenosis do Filho, a Sua encarnação da Virgem Maria.
    • A condenação do pecado na Sua carne, a vivificação dos que morrem em Adam.
    • A vida de Cristo no mundo, a dádiva dos preceitos de salvação, a aquisição de um povo escolhido.
    • A purificação pela água e santificação pelo Espírito Santo.
    • A entrega de Cristo em resgate à morte, a descida aos infernos, a ressurreição ao terceiro dia.
    • A abertura do caminho da ressurreição, Cristo como primícias dos que dormem.
    • A ascensão aos céus, a sessão à direita do Pai, o Seu regresso para julgar.
    • A instituição do memorial da Sua paixão salvífica na Última Ceia.
    • As palavras da instituição da Eucaristia: "Isto é o Meu Corpo... Isto é o Meu Sangue... Fazei isto em memória de Mim".
    • A anamnese final: a memória da paixão salvífica, da cruz vivificante, dos três dias no túmulo, da ressurreição, da ascensão, da sessão à direita do Pai e do segundo Advento.
    • A oferta a Deus do que é Seu: "Oferecemos o que é Teu do que é Teu, em tudo e por tudo".